

Ningum Faz Melhor

                   Gossip Girl


"Sex and the City para jovens." - TEEN PEOPLE

"Gossip girl seria mais uma histria de amor e intrigas entre adolescentes no fosse a dose
cavalar de sarcasmo que contm." - O ESTADO DE S. PAULO

"Os livros so gostosos de ler, divertidos e ao mesmo tempo cruis." - JORNAL DO
BRASIL

"O prprio livro tem o efeito de uma fofoca - uma vez que voc comece a ler,  difcil de
largar." - PUBLlSHERS WEEKLY

"Vai resistir?"  CAPRICHO


Bem-vindos a Nova York, onde eu e meus amigos moramos em apartamentos enormes
e fabulosos, vestimos roupas fashion dos melhores estilistas e estudamos em exclusivas
escolas particulares. Ns nem sempre somos as pessoas mais legais do mundo, mas
compensamos no gosto e na aparncia.

Entre no mundo de Gossip Girl  um mundo de jovens fabulosos; um mundo de
cimes, traies e comportamentos ousados.

www.gossipgirl.net
Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

S faltam duas semanas para a gente decidir para qual universidade vai - para aqueles de
ns que tm opo. Enquanto isso, estamos ocupados dominando a arte de no levar bomba
em nosso ultimssimo ano do Ensino Mdio, enquanto passamos o menor tempo possvel
realmente na escola ou fazendo o dever de casa. Se voc encontrar um grupo de meninas
perfeitamente penteadas, com os uniformes listrados de azul e branco da escola espalhados,
deitadas no Sheep Meadow do Central Park com seus biqunis lindinhos Malia Mills,
somos ns. E se voc encontrar um grupo de meninos sem camisa, com as calas cqui
enroladas e descalos, os relgios platinados Cartier reluzindo nos braos bronzeados e
malhados do lacrosse, so nossos namorados. E tudo bem, t legal, so s onze da manh
de uma sexta-feira e devamos estar na educao fsica ou na aula de francs, mas estamos
chegando perto do final do ano mais difcil de nossas vidas e temos
muita energia sobrando pra gastar, ento d uma folga pra gente, t legal?

Melhor ainda, junte-se a ns.

No caso de voc ter ficado escondido debaixo de uma pedra em algum lugar e ainda no
nos conhecer - existe algum assim? -, somos as beldades do pedao, as princesas e
prncipes do Upper East Side de Nova York. Na maior parte do tempo, vivemos em
apartamentos de cobertura naqueles prdios com porteiros pomposos na Parkou na Quinta
Avenida, ou em casas na cidade que tomam meio quarteiro. No resto do tempo estamos
em uma de nossas casas "de campo", cujo tamanho e localizao variam de condomnios
em Connecticut ou nos Hamptons a castelos medievais na Irlanda e villas  beira-mar, em
St. Barts. Nos dias teis, temos aula - eca - em uma das escolas particulares exclusivas,
pequenas e que exigem uniforme em Manhattan. Nos fins de
semana, pegamos pesado, em especial agora que o clima est timo e nossos pais esto
viajando de iate, de jatinho ou de carro com motorista, deixando que ns, os filhos loucos,
faamos o que quisermos.

E o que mais queremos exatamente agora  uma de nossas palavras preferidas de quatro
letras. Voc pode no fazer, mas definitivamente fala nisso. Todo mundo fala nisso. E
alguns de ns fazemos. Em especial...

O CASAL QUE PODE MUITO BEM SE CASAR

Eles dormem juntos, comem juntos e comearam a usar as roupas um do outro, como se
no dessem a mnima para a pilha de roupas amarrotadas dele-e-dela ao lado da cama e
se limitassem a enfiar o que estivesse mais prximo, sabendo que logo tirariam de novo.
Nenhum dos dois consegue ir a lugar nenhum sozinho sem que as pessoas perguntem,
"Cad...?", como se fosse totalmente inacreditvel que eles passassem mais de trinta
segundos separados. Eu sei, j posso ouvir suas sacanagens. Tipo assim: que tdio que  ter
s um namorado. Mas vamos encarar a realidade, eles definitivamente fazem mais do que
s falar naquela palavra de quatro letras, o que  mais do que podemos dizer do restante de
ns.

Seu e-mail

P: CaraGG,
Meu pai  produtor de cinema independente e est em Cannes agora para o festival. Todo
mundo est falando do documentrio sobre "adolescentes privilegiados de Nova York",
mas ningum sabe quem fez. Primeiro, voc est no filme? Segundo, foi voc que fez?
- LAgirl

R: Cara LAgirl,
No posso responder  sua primeira pergunta porque ainda nem vi o filme, mas me parece
estranhamente familiar... Uma certa garota de cabea raspada estava seguindo todo mundo
por a com uma cmera semanas atrs... Quanto a sua segunda pergunta... Eu mal consigo
tirar fotos com meu celular!
- GG

Flagras

S depois da meia-noite, indo na ponta dos ps para a caixa de correio na calada de seu
prdio na Quinta Avenida com os braos cheios de grandes envelopes com o timbre de
vrias universidades. Ela usava uma camisola azul-beb Cosabella que mal cobria sua
famosa e linda bunda (para deleite dos porteiros e de todos os taxistas presos no trnsito),
mas voltou de mansinho para dentro sem colocar nada na caixa. Deve ser difcil tomar uma
deciso sobre o ano que vem quando ela entrou para todas as universidades a que se
candidatou, e talvez at algumas que ela nem conhecia! C levando suas botas pretas
militares medonhas para o Tod's para uma faxinazinha. Ele vai ser o primeiro cadete do
mundo a usar botas com pompom cor-de-rosa. D e J brigando no espelho da H&M. Olha
como apareceu uma rivalidadezinha entre irmos, agora que os dois so famosos. V em um
cybercaf em Williamsburg trocando mensagens instantneas com uns estranhos. Essa
garota no sabe o que  medo. K e I se regalando e tramando alguma no Jackson Hole. Ai,
meu Deus, o que  agora? Nenhum sinal de N nem de B... Mas que coisa, eles no enjoam
um do outro? E se tiverem de se separar no ano que vem?

Decises, decises... Onde estaremos todos daqui a exatamente um ano? Ser que podemos
sobreviver uns sem os outros? Procure no pirar - ainda. Voc sabe onde me encontrar,
caso precise de ajuda, ou de companhia, ou se quiser me convidar para uma daquelas festas
surpresas que os veteranos costumam dar no terrao no final do ano.

Voc sabe que eu te adoro,
gossip girl

o quarto de n  100% puro amor
- Acorda! - Blair Waldorf arrancou o edredom xadrez Black Watch e o deixou cair no cho
ao lado da cama antiga. Nate Archibald estava esparramado no colcho, de bruos, nu e
muito relaxado. Blair se sentou ao lado dele e quicou na cama com a maior fora que pde.
Nate continuou de olhos fechados enquanto o movimento implacvel de Blair balanava o
cabelo castanho-claro dele. Por que o s-e-x-o a deixava to ligada e Nate to desligado?
- T acordado - murmurou. Ele abriu um dos olhos verdes brilhantes e de imediato se sentiu
mais acordado do que estava h um segundo. Blair tambm estava nua, todo o
metro e sessenta de Blair, dos dedos dos ps com as unhas pintadas de coral aos cachos
castanhos do cabelo de duende que estava crescendo. Blair tinha o tipo de corpo que ficava
ainda melhor nu do que vestido. Macio sem ser gordo, e mais delicado do que deixavam ver
as roupas que ela costumava usar, jeans elegantemente vincados e cardigs de cashmere ou
vestidos curtos, pretos e apertados. Ela ainda era um p no saco para ele, mas eles se
apaixonaram e desapaixonaram muitas vezes desde os 11 anos de idade, e ele queria ficar
nu com ela por mais tempo. Era bem tpico de Blair levar seis anos e meio
para parar de lutar contra ele e finalmente transar.
E, depois que eles transaram, no conseguiam parar de transar.
Nate estendeu a mo e a puxou para cima dele, beijando-a ao acaso e com ferocidade
porque ela finalmente era dele, toda dele.
- Ei! - Blair deu uma risadinha. As cortinas Roman de seda azul estavam erguidas e as
janelas, abertas, mas ela no se importava que algum os visse ou ouvisse. Eles estavam
apaixonados, eles eram bonitos e loucos por sexo. Se algum ficasse olhando, era s porque
tinha uma inveja braba.
Alm disso, Blair gostava de ateno, mesmo que de pervertidos do tipo A vtima do medo
que por acaso os estivessem espionando pelos vidros laminados de dourado das janelas das
casas vizinhas.
Eles se beijaram por um tempo, mas Nate estava cansado demais para fazer mais alguma
coisa. Blair rolou de cima dele e acendeu um cigarro, dando uns tragos a Nate de vez em
quando, como os atores de Acossado, o filme em preto-e-branco supercool que ela vira
naquele dia na aula de francs. A protagonista loura estava sempre to chique e linda e
nunca estava sem batom. S o que as pessoas no filme faziam o dia todo era andar de
Vespa, transar, se sentar em cafeterias e fumar.  claro que sempre estavam lindos. Mas
Blair tinha de manter as notas altas se quisesse sair da lista de espera de Yale, e com
a escola, o dever de casa e o sexo com Nate todo dia depois da aula, mal havia tempo para
se produzir. O cabelo castanho e ondulado de Blair estava embaraado e suado, os lbios,
rachados dos beijos prolongados e da aplicao pouco freqente de brilho, e ela no
arrumava a sobrancelha h dois dias inteiros. No que ela realmente ligasse para isso.
Sacrificar um pouco dos cuidados pessoais para transar valia totalmente a pena. Alm de
tudo, ela leu em algum lugar que uma hora de sexo queimava 360 calorias, ento, mesmo
que ela estivesse meio desgrenhada, pelo menos estava magra!
Ela estendeu a mo e sentiu os fios crescendo entre as sobrancelhas escuras e
primorosamente arqueadas. Tudo bem, ento talvez ela ligasse s um pouquinho, mas ela
podia pegar um txi a qualquer hora e ir at a Elizabeth Arden para depilar a sobrancelha.
Tirando esses fiozinhos, Blair nunca se sentiu to feliz. Depois de finalmente transar com
Nate quase duas semanas antes, ela era uma mulher completamente renovada. A nica
nuvem escura em seu cu cor-de-rosa era o fato irritante de que ela ainda estava na lista de
espera de Yale. Como exatamente Blair e Nate iriam ficar juntos toda tarde se ela tivesse
que ir para Georgetown, em Washington - a nica universidade que realmente a aceitara- e
ele fosse para Yale em New Haven, em Connecticut, ou para a Brown, em Providence,
Rhode Island, ou em uma das outras timas universidades em que ele conseguira entrar de
forma to injusta? No que ela fosse amargurada,mas Nate apareceu chapado nos testes de
aptido do SAT, no fez nenhum curso avanado e mal conseguiu uma mdia B, enquanto
ela fez todos os cursos avanados oferecidos pela Constance Billard, tinha conseguido 1490
no teste SAT e sua mdia era quase A+.
T legal, ento talvez ela estivesse ligeiramente amargurada.
- Se eu entrasse para o Corpo da Paz e passasse alguns anos abrindo esgotos e fazendo
sanduches para crianas famintas, tipo assim, no Rio de Janeiro, ento Yale teria de me
aceitar, no teria? - perguntou ela em voz alta.
Nate sorriu. Essa era uma coisa em Blair que ele adorava. Ela era mimada, mas no
preguiosa. Ela sabia o que queria e, como acreditava completamente que podia ter tudo o
que quisesse se tentasse com bastante afinco, ela nunca parava de tentar.
- Eu soube que todo mundo fica doente no Corpo da Paz. E voc tem que falar a lngua dos
nativos.
- Ento eu vou para a Frana. - Blair soprou a fumaa do cigarro no teto. - Ou para um
daqueles pases africanos onde falam francs. - Ela tentou se imaginar conversando
com os nativos em uma aldeia africana rida enquanto equilibrava na cabea um pote de
barro com leite de cabra fresco e vestia um caft elaboradamente tingido que podia ser
sumamente sensual se estivesse amarrado nos lugares certos. Ela teria um bronzeado de
matar e nada alm de ossos e msculos de todo o trabalho pesado e as doenas intestinais
terrveis. As crianas clamariam aos joelhos dela pelos chocolates Godiva que ela
encomendaria para eles, e ela lhes sorriria serenamente como uma Madre Teresa linda e
sem rugas. Quando voltasse aos Estados Unidos, ganharia um prmio de melhor voluntria
do Corpo da Paz, ou at o prmio Nobel da Paz. Ela jantaria com o presidente, que lhe
escreveria uma recomendao a Yale, e depois toda Yale se apaixonaria perdidamente por
ela.
Nate tinha certeza absoluta de que o Corpo da Paz s prestava auxlio em pases do
Terceiro Mundo, e no em lugares economicamente desenvolvidos como a Frana, e de
jeito nenhum Blair duraria mais de meia hora em uma aldeia africana remota onde no
tinham nem Sephora nem descarga na privada. Pobre Blair. Era totalmente injusto que ele
tenha entrado para Yale sem sequer tentar, enquanto ela, que queria ir para Yale desde que
tinha 2 anos de idade, ficara na lista de espera. E, depois, Nate estava acostumado a
conseguir as coisas sem precisar se esforar.
Ele apoiou a cabea na mo e afagou ternamente o cabelo escuro de Blair, tirando-o da
testa.
- Se voc no souber logo que vai para Yale, eu prometo que no vou para l - jurou ele. -
Eu fico feliz na Brown ou qualquer outra.
-  mesmo? - Blair esmagou o cigarro no cinzeiro de mrmore em forma de veleiro ao lado
da cama de Nate e passou os braos em volta do pescoo dele. Nate era de longe o
melhor namorado que uma garota podia pedir. Ela no conseguia entender por que
terminou com ele, no uma s, mas vrias vezes.
Porque ele a traiu vrias vezes?
S o que Blair sabia agora era que ela jamais quis sair do lado de Nate. Ela pousou o rosto
em seu peito forte e nu. Agora que pensava no assunto, mudar-se para a casa dos Archibald
no era uma idia to ruim, uma vez que no momento a casa dela no era exatamente um
episdio de Seventh Heaven. A me de Blair tinha dado  luz sua irmzinha h pouco mais
de duas semanas e agora estava sofrendo de uma grave depresso ps-parto. Bem nesta
manh, Blair tinha deixado a me chorando com um DVD mandado por uma fazenda de
alpaca peruana. Ao que parecia, se voc adotasse um rebanho de filhotes de alpaca, podia
tecer cobertores e suteres com a l dos animais
de seu rebanho. A irmzinha de Blair logo seria a nova proprietria orgulhosa de um
cobertor de alpaca branco e peludo que seria completamente intil em todo o longo vero e
provavelmente pelo resto da vida dela, a no ser que quando adolescente ela entrasse num
barato hippie de que coisas chiques so feitas a mo, fizesse um buraco no cobertor para a
cabea e o usasse como poncho.
Quando ainda estava grvida, a me pediu a Blair para dar o nome ao beb e, por devoo 
sua universidade preferida, Blair escolheu o nome Yale. Agora a beb Yale servia como um
lembrete vivo, respirante e barulhento de que, mesmo com o histrico atordoante de Blair, a
universidade a havia rejeitado. Pior ainda, a nenm tinha se apoderado do quarto de Blair e
ela foi obrigada a dormir no quarto do meio-irmo Aaron
at que fosse para a faculdade no outono. Aaron era um rastafri vegetariano que adorava
cachorros, ento o quarto dele tinha sido decorado de uma parede a outra com produtos
orgnicos e ecologicamente corretos em tons de berinjela e salva. Para dar um toque de
insulto  injria, o gato de Blair, Kitty Minky, passou a fazer xixi nas almofadas
encapeladas de cevada e vomitar nos tapetes de alga marinha, como tentativa de livrar o
quarto do cheiro do cachorro de Aaron, um boxer babo chamado Mookie.
Totalmente nojento.
Mude-se para a casa de Nate. Blair no sabia por que no tinha pensado nisso antes. Uma
me maluca, um quarto ensopado de xixi de gato e uma irmzinha recm-nascida chamada
Yale no contribuam exatamente para os estudos ou para ter s-e-x-o. Era simplesmente
natural procurar outras acomodaes.  claro que sempre havia a casa de Serena, mas elas
tentaram isso antes e acabaram brigando. Alm disso, Serena no
podia oferecer grande coisa no quesito s-e-x-o.
A no ser que aqueles velhos boatos fossem mesmo verdade...
Nate passou as mos preguiosamente pelas costas nuas de Blair.
- J pensou em fazer uma tatuagem? - perguntou ele do nada, enquanto acompanhava as
linhas das omoplatas da namorada.
A no ser por um breve perodo na reabilitao no incio do ano, Nate ficava chapado a
maior parte do dia, todo dia, desde que tinha 11 anos, e Blair estava acostumada com as
perguntas que ele fazia ao acaso. Ela franziu o nariz ligeiramente arrebitado para a idia de
ter uma cicatriz grande e cheia de tinta preta.
Que nojo - respondeu ela. - Isso  pra atrizes que parecem fedorentas, como Angelina Jolie.
Nate deu de ombros. Ele sempre achou loucamente sensuais as tatuagens pequenininhas e
cuidadosamente escolhidas nos lugares certos. Um gatinho preto entre as omoplatas de
Blair, por exemplo, combinaria totalmente com ela. Mas antes que ele tivesse a
oportunidade de levar a idia um pouco mais adiante, Blair mudou de assunto de repente.
- Nate? - Ela aninhou o rosto na clavcula perfeita e mscula dele. - Voc acha que seus
pais se importariam se eu ficasse...? - Antes que pudesse terminar a frase, a campainha
tocou l embaixo.
A ala pessoal de Nate na casa ocupava todo o andar de cima, e tinha sua prpria campainha.
Ele se afastou de Blair rolando e se colocou de p.
- Oi - disse ele, apertando o boto do interfone.
- Entregador! - gritou Jeremy Scott Tompkinson com a voz rouca de doido dele. - Rpido,
enquanto ainda est quente!
Nate ouviu risos e outras vozes ao fundo. Blair esperou que Nate dissesse a todos que
fossem embora. Em vez disso, ele apertou o boto para destrancar a porta e deix-los entrar.
- Eu devia me vestir - observou Blair, rspida. Ela escorregou para fora da cama e marchou
para o banheiro da sute de Nate. Como ele podia ser inteligente o bastante para entrar para
Yale e to burro para entender que convidar os amigos chapados a subir a seu ninho de
amor vaporoso estragaria totalmente o clima?
No que Yale tenha aceitado Nate pela inteligncia dele: a universidade precisava de alguns
bons jogadores de lacrosse. E ponto.
Pelo menos Blair tinha uma desculpa para usar o delicioso sabonete lquido de sndalo
L'Occitane que a empregada mantinha no banheiro de Nate. Ela se secou em uma espessa
toalha azul-marinho Ralph Loren, vestiu a minscula calcinha de seda rosa Cosabella,
fechou a saia do uniforme de primavera listrado de azul e branco da Constance Billard
School e fechou dois dos seis botes da blusa de linho branco Calvin Klein de manga trs
quartos. Sem suti e descala, era o visual perfeito de minha-namorada-acaba-de-sair-do-
banho-e-poderiam-por-favor-ir-embora? Com alguma sorte, os amigos de Nate entenderiam
a dica e dariam o fora. Ela penteou os cabelos molhados com os dedos e abriu a porta do
banheiro.
- Bonjour! - Uma garota peituda, de cabelo preto e perna comprida da L'cole recebeu
Blair da cama de Nate. Blair j vira a garota antes nas festas. O nome dela era Lexus,
Lexique ou outra coisa igualmente irritante, uma menina de 16 anos do primeiro ano que
trabalhou um pouco como modelo quando era criana, em Paris, e agora estava tentando
aperfeioar o visual francs puta-hippie. Lexique, cujo nome na verdade era Lexie, estava
com um vestido de algodo drapeado lavanda e amarelo-mostarda tingido a mo que
parecia feito em casa, mas na verdade foi comprado na Kirna Zanete por 450 dlares, e
aquelas sandlias horrorosas de pastor de ovelha paquistans sem saltos da Barneys que
todo mundo, menos Blair, parecia achar bacana esse ano. O rosto de Lexie estava sem
maquiagem e ela aninhava um violo nos braos esquelticos. Na cama, ao lado dela, havia
um Ziploc cheio de maconha.
Mas que rebelde. A maioria das meninas da L'cole nunca ia a lugar nenhum sem um
mao de Gitanes, batom vermelho e saltos.
- Os meninos esto fumando um no telhado  explicou Lexie. Ela passou o polegar pelas
cordas do violo. - Alors, quer improvisar comigo at eles voltarem?
Improvisar?
Blair franziu o nariz com mais nfase ainda do que quando pensou em fazer uma tatuagem.
Ela estava to fora da galera doidona, tocando-violo-e-rindo-das-observaes-chapada-
stotalmente-idiotas-dos-amigos, e no queria mesmo ficar com essa garota, Lexique, que
obviamente pensava que era a francesa mais cool de Nova York. Ela queria mesmo era ver
as reprises de Oprah no Oxygen em seu quarto cheio de xixi de gato enquanto a me
delirante chorava com os bebs de alpaca.
Algum tinha enfiado um incenso de mbar aceso no salto de cortia das novas sandlias de
tecido verde-menta Christian Dior de Blair. Ela pegou o incenso e o colocou em uma das
vigias dos amados modelos de veleiro de Nate na mesa dele. Depois fechou as sandlias e
mais alguns botes da blusa e pegou a bolsa Gucci de bambu.
- Diga ao Nathaniel que fui para casa, por favor  instruiu ela rispidamente.
- Paz! - Lexie saudou Blair com uma alegria de doidona. - Au revoir! - Uma tatuagem de
sol, lua e estrelas estava estampada na omoplata de Lexie.
Foi da que veio o sbito interesse de Nate por tatuagens?
Blair marchou escada abaixo e saiu para a rua 82. J parecia vero. O sol ainda levaria duas
horas para se pr, e o ar tinha cheiro de grama recm-aparada do Central Park ali perto, e d
loo de bronzear de todas as meninas seminuas que corriam para seus apartamentos na
Park Avenue. Um bando de candidatos a Nate-e-Jeremy do 1 ano do St. Jude adejava perto
da campainha na calada em frente  casa de Nate. Um deles tinha um violo pendurado no
ombro.
- Bien sr. Sobe a! - Blair ouviu Lexie dizer a eles pelo interfone, como se morasse ali.
A casa de Nate parecia atrair toda a galera chapada do Upper East Side como uma espcie
de magneto espiritual. E Blair jurou que no ia ligar - na verdade, ela no ligava -, desde
que no tivesse que ficar sentada por ali vendo todo mundo improvisar. Depois de tudo
pelo que ela e Nate passaram UTI, Blair sabia que desta vez ia ser diferente. Eles estavam
juntos espiritualmente, e agora tambm fisicamente, o que significava que ela podia deix-
lo s, sentindo-se perfeitamente confiante em que ele nem sequer sonharia em tra-la.
Ela desceu a 82 na direo da Quinta Avenida, verificando os recados de Nate no celular
em cada esquina. Obviamente ele agora ligava a cada segundo. Como todas as mulheres
possessivas, agressivas e obsessivas, ela preferia pensar que Nate no viveria sem ela.
Mas, se ele vivesse, ela ia ficar totalmente maluca.

a pequena diva d um bom conselho  grande diva

- Deram cinco pginas duplas pra gente - explicou Serena van der Woodsen quando
folheava a recm-sada edio de junho da revista W.- So dez pginas inteiras! - O
mundialmente famoso estilista de moda Les Best acabara de mandar a revista ao
apartamento dela por um mensageiro, com um bilhete que dizia: "Como sempre, voc 
fabulosa, querida. E a sua amiga gostosinha de cabelo escuro tambm!"
A suposta gostosinha de cabelo escuro, a menina de 14 anos Jenny Humphrey, tentava
desesperadamente no fazer xixi nas calas. Serena, a garota mais cool da Constance
Billard e modelo totalmente famosa e linda do Upper East Side, na verdade tinha pedido a
ela para ir l depois da aula de hoje. Agora ela estava sentada no quarto enorme e
espantosamente antiquado de Serena - o santurio particular dela - na cama dela,
folheando a mais recente edio da revista mais cool do mundo, procurando por pginas
que mostrassem as duas de modelo tipo de estilista de roupas maravilhosas que Jenny
sempre olhou desejosa nas lojas, mas nunca sonhou que realmente usaria. Era to irreal que
ela mal conseguia respirar.
- Olha aqui! - guinchou Serena, cutucando a pgina com o dedo longo e magro. - No
parecemos umas safadas?!
Jenny se curvou mais para perto para ver, sentindo feliz o cheiro doce do leo essencial de
patchouli feito sob encomenda para Serena. No colo perfeito de Serena estavam duas
pginas das duas meninas vestidas da cabea aos ps em roupas Les Best, andando pela
praia num buggy, a roda-gigante de Coney Island avultando atrs delas, toda iluminada. O
estilo da foto era tipicamente Jonathan Joyce - o berfamoso fotgrafo de moda que tinha
feito as fotos -, totalmente natural e sem pose, como se ele tivesse pego por acaso as duas
meninas andando de buggy e se divertindo na praia ao pr-do-sol. Na verdade, elas
pareciam safadas naquelas leggings malucas turquesa e pretas, colete turquesa sobre sutis
de biquni branco e botas go-go brancas at os joelhos com saltinhos. Os cabelos
voavam para trs, as unhas estavam pintadas de branco, os lbios num rosa algodo-doce, e
havia penas de pavo penduradas nas orelhas. Era tudo totalmente retr anos oitenta/
futurista/vanguarda, e absurdamente cool.
Jenny no conseguia tirar os olhos da revista. Ali estava ela, em uma revista, e pela
primeira vez na vida seu peito enorme no era o foco da imagem. Na realidade, as duas
pareciam to frescas e puras que a foto era quase saudvel. Estava alm do que Jenny podia
esperar. Era celestial.
- Adoro a cara que voc fez - observou Serena.   como se voc tivesse acabado de beijar
ou coisa assim.
Jenny riu, sentindo mesmo como se tivesse sido beijada.
- Voc tambm est linda.
Epa, olha s quem tem uma quedinha pela Serena  de todas as pessoas do universo!
Mas a quedinha de Jenny era a mais profunda de todas: ela na verdade queria ser Serena. E
o que Serena tinha e faltava a ela era um passado questionvel - aquele ar sedutor de
mistrio.
- Parece que faz sculos que voc foi expulsa do internato - aventurou-se Jenny com
ousadia, os olhos fixos na revista.
- Eu estava preocupada de nunca conseguir entrar para nenhuma faculdade por causa disso
tudo - suspirou Serena. Se eu soubesse que ia conseguir entrar para todas, nunca
teria me candidatado a tantas universidades.
Coitadinha. Se todos ns tivssemos esse problema...
Voc gostou do internato? - insistiu Jenny, virando-se para ver Serena com os grandes
olhos castanhos.  Quer dizer, mais do que ir a uma escola na cidade?
Serena se deitou de costas na cama de baldaquino e olhou o dossel branco no alto. Ela tinha
8 anos de idade quando ganhou a cama e se achava uma princesinha toda noite quando ia
dormir. Na realidade, ela ainda se achava uma princesa, s que maior.
Adorei sentir como se fosse dona da minha vida, longe dos meus pais e dos amigos que eu
conhecia praticamente desde que nasci. Gostei de ir  escola com meninos e de comer com
eles no salo de jantar. Gostei de ter uma turma inteira de irmos. Mas senti falta do meu
quarto e da cidade, e dos fins de semana de balada. - Ela tirou as meias de algodo branco e
as atirou pelo quarto. - E eu sei que parece coisa de garotinha mimada, mas senti falta de ter
uma empregada.
Jenny assentiu. Ela gostava da idia de comer em um salo de jantar com um bando de
meninos. Gostava muito. E ela nunca teve empregada, ento no tinha como sentir falta
disso.
- Acho que foi uma boa preparao para a faculdade disse Serena, pensativa. - Quer dizer,
se eu realmente decidir ir para uma faculdade.
Jenny fechou a revista e a segurou no peito.
- Pensei que voc fosse para a Brown.
Serena puxou da cara um travesseiro de penas e o colocou novamente. Era mesmo
necessrio responder a tantas perguntas? De repente ela,meio que queria no ter convidado
Jenny.
- No sei para onde eu vou. Posso nem ir. Sei l  murmurou ela, atirando o travesseiro no
cho, perto das meias. Seus cabelos cor de linho formavam um leque perfeito em
volta do rosto impecavelmente cinzelado, enquanto ela olhava para o cu com seus enormes
olhos azuis. Ela era to adorvel que Jenny meio que esperava que um bando de pombas
brancas voassem de sob a cama.
Serena pegou o controle remoto do aparelho de som na mesa-de-cabeceira e ligou um CD
antigo dos Raves que ela andava ouvindo muito ultimamente. O CD tinha sido lanado
no vero passado e a fazia lembrar de uma poca em que ela estava completamente
despreocupada. Ainda no tinha sido expulsa do internato. No tinha pensado em se
candidatar a uma universidade. Nem mesmo tinha comeado a trabalhar como modelo.
- O que tem de to bom na Brown? - perguntou ela em voz alta, embora seu irmo Erik
estivesse l e fosse se chatear muito se ela decidisse no ir. Alm disso, ela conhecia um
pintor latino muito gato na Brown que ainda era totalmente apaixonado por ela. Mas e
Harvard, e aquele guia sensvel e mope que tambm era apaixonado por ela? Ou Yale e os
Whiffenpoofs, que compuseram uma msica para ela? E sempre havia Princeton, que ela
ainda nem visitara. Afinal, ficava mais perto da cidade. - Talvez eu deva adiar por um ou
dois anos, ter meu prprio apartamento. Trabalhar um pouco como modelo e talvez tentar
atuar.
- Ou podia fazer as duas coisas. Como a Claire Danes - sugeriu Jenny. - Quer dizer, depois
que voc parar de estudar, provavelmente vai ser bem difcil voltar.
Como se voc soubesse, Madaminha Prestativa.
Serena rolou da cama e ficou de frente para o espelho de corpo inteiro pendurado atrs da
porta do armrio. Ela amarfanhou a blusa turquesa Marni e o uniforme listrado azul e
branco da Constance Billard ficou pendurado de lado nos quadris.Nesta manh ela estava
atrasada, como sempre, e foi correndo para a escola, soltando os tamancos Miu Miu com
salto de camura e caindo de cara na calada. Agora o esmalte brilhante no dedo do p
esquerdo estava lascado e um hematoma roxo e amarelo se instalara no joelho direito.
Que confuso - reclamou ela.
Jenny no sabia como Serena conseguia se postar diante do espelho todo dia sem desmaiar
de to maravilhada com a prpria perfeio. Que algum to perfeito como Serena pudesse
ter problemas era totalmente impensvel.
- Tenho certeza de que voc vai se decidir - disse ela  menina mais velha, de repente se
distraindo com uma foto de Erik van der Woodsen, o irmo mais velho e gato de Serena,
apoiada na mesa-de-cabeceira em um porta-retrato de prata da Tiffany. Alto e
desengonado, com o mesmo cabelo louro-claro, em mechas desgrenhadas emoldurando o
rosto, Erik era a verso masculina de Serena. Os mesmos olhos azuis enormes, a mesma
boca cheia que formava uma covinha nos cantos, os mesmos dentes brancos e perfeitos e o
queixo aristocrtico. Na foto, ele estava de p em uma praia rochosa, bronzeado e sem
camisa. Jenny aproximou os joelhos. Aqueles msculos do peito, aquela barriga, aqueles
braos - ah! Se o internato estava cheio de meninos com metade da beleza de Erik van
der Woodsen, ela podia se matricular!
Calminha a, vaqueira.
O iMac rosa de Serena bipou, indicando que ela acabara de receber um e-mail.
- Deve ser de um dos nossos fs - brincou Serena, embora Jenny achasse que ela estava
falando a srio. Serena foi at a escrivaninha antiga, mexeu o mouse e clicou no e-mail
mais recente.

Para: SvW@vanderwoodsen.com
De: Sheri@PrincetonTriDs.org
Cara Serena,
Nossa irmandade venera totalmente Les Best e algumas de ns vamos ao desfile dele em
Nova York nesta primavera, ento voc pode imaginar como ficamos completamente
emocionadas quando soubemos que voc est pensando em vir para Princeton neste outono.
Se vier, ter de se tornar uma Tri Delta. J temos todas aquelas idias maravilhosas para
levantar fundos para este ano, inclusive um desfile de Les Best em benefcio do Wild
Horses de Chincoteague, em que ns, as Tri Deltas, seremos modelos! A melhor parte  que
voc em precisa fazer a solicitao. Meus parabns, Serena, voc j  da irmandade! S o
que tem que fazer agora  conseguir colocar seu traseiro em Princeton no incio de agosto
para poder ter um quarto na nossa casa. Estamos esperando total. Beijo,

Sua irm,
Sheri

Serena leu a mensagem novamente e depois desconectou, encarando chocada a tela
apagada. Meninas de irmandade insistentes eram simplesmente as ltimas pessoas que ela
que ela queria conhecer na vida e, depois, Princeton no devia ser meio intelectual? Ela
pegou o telefone para ligar para Blair e depois baixou o fone, percebendo que tinha se
esquecido completamente de que Jenny ainda estava ali. Jenny era doce, adorvel e tudo -
mas no tinha, tipo assim, um dever de casa para fazer, nem um cinema para ir, nem nada
disso?
T vendo, at as deusas perfeitas tm um lado meio piranha.
Jenny deslizou para fora da cama e puxou o suti extra-grande com alas reforadas,
adivinhando que estava prestes a ser dispensada.
- Sabe de uma coisa, meu irmo Dan agora est cantando com os Raves - anunciou ela. - O
primeiro show com eles vai ser amanh  noite. Eu podia te colocar na lista de convidados
especiais, se quiser ir.
Jenny nem tinha certeza se havia uma lista de convidados especiais. S o que ela sabia era
que ia entrar de graa porque era irm de Dan. Ele achava que era muito famoso, agora que
era membro de uma banda com um disco nmero um na Costa Leste, mas se ela aparecesse
no show com Serena - duas lindas modelos andando pela cidade com roupas Les Best
iguais -, ela seria mais famosa do que ele.
Serena franziu o nariz. Ela queria ir ao show dos Raves, queria de verdade, mas ela e os
pais j haviam respondido afirmativamente ao convite para a festa dos novos alunos de
Yale na noite seguinte. Ela no podia exatamente deixar que os pais fossem sozinhos.
- Acho eu no vou poder - explicou ela, se desculpando. -Vai ter aquela parada de Yale e eu
tenho que ir. Mas vou tentar ir se terminar cedo.
Jenny assentiu e enfiou a edio da W na bolsa Gap, decepcionada. Ela imaginara uma
entrada triunfal no club do Lower East Side com Serena. Pouco importam os Raves - eles
eram astros do rock, grande coisa. Ela e Serena eram supermodelos - pelo menos Serena
era. Com toda certeza todo mundo ia ficar louco.
E pensar que ela vai ter que se contentar em ser a irm do vocalista da banda. Como se isso
no fosse o bastante.

e vem me falar de crise de identidade
- Me quebra feito um ovo!
Daniel Humphrey se olhava no espelho do quarto e deu um trago longo no Camel meio
fumado. Um fiapo com voz estropiada, veludo cote l surrado e tingido de cqui e uma
camiseta Gap marrom. No era bem rock'n'roll.
- Me quebra feito um ovo! - gemeu ele novamente, tentando parecer ao mesmo tempo cheio
de angstia, rebelde e doentiamente cool. O problema era que a voz sempre falhava quando
ele passava s notas mais agudas, saindo como um sussurro exalado, e seu rosto parecia
suave, jovem e nada ameaador.
Dan esfregou o queixo ossudo e pensou em deixar crescer um cavanhaque. Vanessa sempre
teve uma forte averso a plos faciais,mas o que ela pensava no tinha mais importncia,
agora que eles no eram mais namorados.
Quase duas semanas antes, na festa de aniversrio de 18 anos de Vanessa, no apartamento
dela em Williamsburg, no Brooklyn, Dan foi descoberto pela megapopular banda indie
Raves. Ou melhor, os poemas dele foram descobertos. Pensando que os dois iriam para a
Universidade de Nova York no ano seguinte e viveriam felizes para sempre, Dan tinha se
mudado para a casa de Vanessa alguns dias antes. Mas seu relacionamento rapidamente se
deteriorou. Mais deprimido do que o de costume, Dan ficou sentado num canto durante a
festa, derramando vodca Grey Goose direto da garrafa. Enquanto isso, os Raves apareceram
na festa, e seu guitarrista e lder, Damian Polk, esbarrou numa pilha de cadernos pretos
cheios dos poemas de Dan. Damian e os integrantes da banda ficaram loucos com os
poemas, insistindo que eles davam timas letras. O vocalista tinha acabado de ir embora
misteriosamente - algum falou em reabilitao? - e eles decidiram pedir a Dan para fazer
os vocais. Mas Dan estava de porre e achou toda aquela coisa totalmente hilria. Atirando-
se  tarefa com um fervor de bebum, ele roubou o show; eletrizando os convidados bbados
da festa com sua apresentao descarada.
Ele achou que era um episdio isolado, uma forma de se distrair do fato de ter acabado de
terminar com a garota que sempre o amou. No dia seguinte, Dan descobriu que era
integrante fixo da banda e que estava por cima.
Durante os ensaios, Dan percebeu que seu ser normalmente sbrio era fisicamente incapaz
de investir a mesma energia incansvel que ele teve na festa e, comparado com os outros
integrantes da banda, todos na casados 20 anos e usando roupas feitas sob medida por
estilistas de vanguarda como Pistolcock e Better Than Naked, ele se sentia um magricela
meio nerd. Ele chegou a perguntar a Damian Polk por que diabos os Raves
o queriam como vocalista. Damian respondeu simplesmente, "Est tudo nas palavras, cara".
Bom, s porque ele sabia escrever no queria dizer que sabia cantar. Mas talvez, se ele
desse mais a impresso de que sabia cantar, pudesse convencer as pessoas de que merecia
ficar na banda.
Dan remexeu nas gavetas bagunadas da cmoda procurando pelo barbeador porttil que
comprara no ano anterior, numa semana em que fizera experimentos com o tamanho das
costeletas. Ele foi para o quarto da irm mais nova Jenny e finalmente o encontrou debaixo
da cama dela, inexplicavelmente enrolado em uma toalha de banho cor-de-rosa.
Lio nmero um para a irm mais nova: se quiser preservar suas porcarias, ponha um
cadeado na porta.
Sem se incomodar em voltar ao prprio quarto, ele foi at o espelho atrs da porta do
armrio de Jenny e lutou com um corte de cabelo grande demais de Sr. Artista Moderninho
que fizera logo depois que um de seus poemas foi publicado na New Yorker. Agora que
tinha passado de poeta bomio a astro do rock resoluto, era hora de mudar.
Ai! Ser possvel que ningum deixa de experimentar um novo na vspera de um grande
evento?
O barbeador zumbiu e Dan comeou a raspar a nuca, observando os fios de cabelo
castanho-claro caindo em chumaos finos no carpete chocolate desbotado. Depois ele
parou, de repente todo preocupado que um barbeador no fosse o tipo de lmina certa para
raspar toda a cabea. Podia deixar estranhas marcas vermelhas em todo o couro cabeludo,
ou raspar de forma desigual, dando a impresso de que o cabelo foi devorado em vez de
cortado.
 claro que ele queria um visual hardcore, mas no uma cabea mastigada hardcore.
Ele se debateu entre continuar ou no. Se parasse agora, as partes raspadas ficariam
completamente escondidas pelo resto do cabelo at que ele se curvasse e - voil - uma nuca
raspada. Era meio legal saber que a parte raspada ficava ali, sem que ningum pudesse ver.
Mas um corte de cabelo imperceptvel no era exatamente o visual que ele procurava.
Ele baixou o barbeador, enfiou um Camel na boca e pegou o telefone de Jenny. Se havia
uma pessoa que sabia tudo sobre cabeas raspadas, era Vanessa. Ela mantinha a cabea
raspada desde a sa srie e, evitando os sales caros como o Frederic Fekkai e o Elizabeth
Arden's Red Door, que as colegas de escola freqentavam, insistia em raspar ela mesma.
No fundo, ele sempre achou que ela ficava mais bonita com um pouco mais de cabelo, mas
como Vanessa obviamente se julgava tima meio careca, ele nunca chegou a dizer nada.
- Se tem a ver com sua parte do apartamento, vou te ligar depois de receber sua solicitao
por e-mail  disse Vanessa como um rob quando atendeu.
- Oi, sou eu, o Dan - disse Dan todo animado. - E a?
Vanessa no respondeu de imediato. Ela queria dar espao para Dan se desenvolver e se
tornar o prximo Kurt Cobain ou John Keats ou a merda que ele quisesse ser, mas terminar
tudo e expuls-lo de sua casa no tinha sido exatamente fcil para ela. O tom casual de
apenas-bons-amigos na voz de Dan fez com que ela se sentisse um balo murcho.
- Ando meio ocupada ultimamente. - Ela digitou um monte de absurdos no computador
para dar a impresso de que estava drasticamente preocupada. -Tenho um monte de
solicitaes para repassar... Para a nova colega de apartamento... Sabe?
- Ah. - Dan no sabia que Vanessa procurava por uma colega de apartamento. Mas com a
irm mais velha Ruby viajando com a banda, seria meio solitrio e entediante viver
totalmente s, especialmente sem ele para fazer companhia.
Por uma frao de segundo Dan ficou to sobrecarregado de arrependimento que teve
vontade de pegar uma caneta e escrever um poema trgico de rompimento usando as
palavras corte ou raspada, mas depois sua nova nuca pelada comeou a arder e a coar e
ele se lembrou do motivo para ter ligado para Vanessa.
-  s uma perguntinha rpida. - Ele deu vrias baforadas curtas no cigarro e o largou
distrado em um vaso de margaridas que murchavam na mesa de Jenny. - Sabe quando
voc raspa a cabea? Tem um tipo certo de barbeador que vocusa? Com alguma lmina
especfica?
O primeiro impulso de Vanessa foi alert-lo que, com uma cabea raspada, ele ia parecer
um doente de leucemia de 7 anos que abara de sair da quimio, mas ela estava cansada de
tentar proteg-lo dos prprios erros, em especial agora que eles eram "s amigos".
Lmina Wahl nmero dez. Olha, tenho que ir.
Dan pegou o barbeador. Era da CVS e no tinha o tamanho da lmina.Talvez fosse melhor
ir a uma barbearia.
- T legal. Eu te vejo no meu show amanh  noite, n?
- Talvez- respondeu Vanessa lepidamente. - Se conseguir resolver essa histria de dividir o
apartamento. Tenho que ir, tchau!
Dan desligou e pegou o barbeador mais uma vez.
- Me quebra feito um ovo! - gritou ele, segurando-o diante do queixo como um microfone.
Ele tirou a camiseta e projetou a barriga branca e magra, tentando parecer insolentemente
entediado e rebelde, como um Jim Morrison mais baixo, mais magro e nem to fodido. -
Me quebra feito um ovo! - gemeu ele, caindo de joelhos.
O pai, Rufus, apareceu de repente na soleira da porta vestido numa camiseta Old Navy
cinza queimada de cigarro e a bandana felpuda rosa que Jenny usava para prender o cabelo
quando lavava o rosto.
- Que bom que sua irm est ocupada demais para ficar com a gente depois da aula. 
possvel que ela no ficasse muito emocionada ao te descobrir fazendo strip-tease no quarto
dela - comentou ele.
- Estou ensaiando. - Dan se levantou com a maior dignidade que conseguiu reunir. - Com
licena?
- V em frente. - Rufus ficou  porta, coando o peito e mexendo no Camel sem filtro
enfiado atrs da orelha. Ele era um pai solteiro que ficava em casa, editor de poetas beat e
escritores esotricos de que ningum ouvira falar.- Acho que se voc puser a nfase na
outra palavra, pode ser mais eficaz. Dan tombou a cabeade lado e entregou o barbeador a
Rufus.
- Me mostra.
Rufus sorriu.
- Tudo bem, mas no vou tirar a camisa.
Ele segurou o barbeador longe do rosto, como se estivesse preocupado que pudesse ligar
sozinho e sumir com sua famosa barba desleixada.
- Me quebra feito um ovo! - uivou ele, os olhos castanhos brilhando. Ele devolveu o
barbeador. - Experimente.
 claro que o pai de Dan fez exatamente o que Dan queria fazer. Ele atirou o barbeador na
cama de Jenny e vestiu a camisa.
- Tenho que fazer o dever de casa - grunhiu ele.
Rufus deu de ombros.
- Tudo bem, vou te deixar em paz. - Ele deu uma piscadela para o filho. - J decidiu para
onde quer ir no ano que vem?
- No - respondeu Dan sem emoo e se arrastou para fora do quarto de Jenny, indo para o
prprio quarto. O pai estava to animadinho com toda a histria da universidade que era
realmente irritante.
A Columbia fica mais perto! - disse Rufus nas costas dele. - Voc pode morar em casa!
Como se ele j no tivesse dito isso umas mil vezes.
Sozinho no quarto, Dan encontrou um elstico na gaveta de mesa e prendeu o cabelo num
rabo-de-cavalo espigado, deixando exposta a parte raspada. Ele pegou o barbeador
novamente.
- Me quebra feito um ovo! - sussurrou, imitando o pai o melhor que pde. Dan fez uma
careta. Simplesmente no havia dureza em sua voz para ficar convincente.
Trocando o barbeador por uma pilha de catlogos de universidades que ele vinha folheando
nos ltimos trs meses, ele se jogou na cama. S mais uma semana para escolher entre a
NYU, Brown, Colby ou Evergreen. Ele virou a pgina para uma foto de um aluno da
Brown de tweed que parecia um intelectual, as costas apoiadas no tronco de um elmo
enorme, escrevendo em um caderno como um jovem Keats. Estava exatamente como Dan
imaginara que ele mesmo seria no ano seguinte - antes de ter sido descoberto pelos Raves e
antes de ter raspado a prpria nuca.
Ele passou os dedos pela parte raspada da cabea e baixou os olhos para as roupas. Tinha
que fazer compras, porque nenhuma de suas roupas combinava com o cabelo novo.
E a gente achando que essa era uma preocupao s de mulherzinha.
Se ao menos Jenny estivesse ali para ajudar, pensou Dan taciturno. Mas a irm mais nova
estava ocupada demais sendo uma supermodelo para vasculhar o armrio de Dan com
ele e dizer o que era brega e o que era aceitvel. Dan pegou uma xcara de caf instantneo
Folgers que esfriava no cho desde a manh e tomou um gole. Fez uma careta para seu
reflexo no espelho e por um momento quase pde se imaginar no palco, fazendo a mesma
careta irritada e aborrecida para o pblico. Talvez, s talvez ele conseguisse resolver essa,
sem a ajuda da irm.
Ou talvez no.

v quer dividir o apartamento

Comefogo: tenho um horrio meio doido, tipo durmo o dia todo e trabalho  noite.

Hairlesskat: o que vc faz?

Comefogo: u, eu me apresento

Hairlesskat: vc engole fogo mesmo?

Comefogo: estou trabalhando nisso. eu dano mais  com as minhas cobras.

Hairlesskat: cobras?

Comefogo: , eu tenho quatro cobras.

Comefogo: td bem ter meus bichinhos?

Comefogo: vc ainda est a?

Comefogo: oi!

- Boa tentativa, man! - Vanessa Abrams desconectou e foi at o armrio. Duas horas antes,
tinha tirado o uniforme de inverno horroroso, quente e de l marrom da Constance
Billard School - o nico que tinha - e no se incomodara em vestir outra coisa. Embora de
manh a garota que Vanessa devia entrevistar em trs minutos parecesse legal por e-mail,
ela provavelmente no ia ficar muito animada se Vanessa a recebesse na porta de calcinha e
suti de algodo preto Hanes. Vanessa pegou uma cala da prateleira do alto no armrio do
quarto sem sequer ver. Tudo em seu armrio era preto, e ela acreditava fortemente em
comprar tudo em duplicata. Se voc tivesse seis calas Levis stretch pretas, nunca
precisaria pensar no que ia vestir e s teria de lavar a roupa uma vez por semana. Ela puxou
o jeans pelos quadris brancos e meio rechonchudos, puxou o suter preto de manga
comprida e gola em V por cima da cala e passou as mos na cabea escura e raspada. Ela
podia parecer estranha a todas as garotas ditas "normais" que iam  escola com ela, mas a
menina que ia conhecer foi mais interessante do que elas sonhariam ser - bom, pelo menos
online.
A campainha l de baixo tocou, exatamente quando ela esperava. Vanessa foi at a janela e
puxou a cortina, que na verdade era um lenol preto Martha Stewart Everyday que ela
e a irm Ruby compraram na Kmart no Halloween passado. Na rua, dois andares abaixo,
um sem-teto bbado gritava para carros estacionados e vazios. Um menininho com cabelo
verde espigado e sem camisa disparava pela calada numa mountain bike grande demais
para ele. O bloco de cimento esfarelado que servia de degrau da frente do prdio de
Vanessa estava vazio. A potencial colega de apartamento j estava subindo.
- Por favor, seja normal - murmurou Vanessa. No que ela realmente gostasse de garotas
normais. As garotas normais, como as meninas de sua turma na Constance, usavam brilho
labial rosa, verses diferentes do mesmssimo par de sapatos e viam coisas como luzes no
cabelo e saltos altos como uma religio. Em sua solicitao por e-mail, a garota, Beverly,
tinha dito que era estudante de artes na Pratt, ento era mais velha, pelo menos, e
provavelmente era meio alternativa. Vanessa esperava que fosse to legal quanto parecia.
Vanessa abriu a porta do apartamento no exato momento em que Beverly aparecia no alto
da escada. E, para total surpresa de Vanessa, Beverly no era ela, era ele.
Vanessa meio que se esquecera de especificar que estava procurando por uma garota como
colega de apartamento no anncio que colocou na Web.
Um erro deliberado?
- Aposto que pensou que eu era mulher, n?  perguntou Beverly, estendendo a mo para
que Vanessa apertasse.  O nome  totalmente antiquado e enganador. No se preocupe,
estou acostumado com isso.
Vanessa tentou no aparentar surpresa, o que no era difcil para ela. Ela dominava a arte
do olhar inexpressivo h muito tempo, enquanto comia sozinha dia aps dia no refeitrio da
Constance Billard School, desligando-se da tagarelice insensata de suas lindas colegas
piranhudas. Ela enfiou os dedos nos bolsos de trs da cala e o conduziu com indiferena
para dentro do apartamento.
- Eu estava conversando pela internet com uma garota esquisita que dana com cobras.
Voc no tem cobras, tem?
- No. - Beverly juntou as palmas das mos em orao e deu uma olhada crtica no
apartamento aridamente decorado. As paredes eram brancas e o piso de madeira estava
nu. A cozinha era minscula e se abria para a sala de estar/segundo quarto, mobiliado com
um futon e uma tev. Os nicos objetos de decorao eram fotos emolduradas de imagens
sombrias e escuras que Vanessa notoriamente fazia nas horas de folga.
- Obra de quem? - perguntou Beverly, gesticulando para uma foto em preto-e-branco de um
pombo bicando uma camisinha usada no Madison Square Park.
Vanessa descobriu que estava encarando a bunda firme e redonda de Beverly e rapidamente
desviou os olhos.
- Minha - respondeu ela asperamente. -  de um filme que fiz no comeo do ano.
Beverly assentiu, mantendo as palmas das mos juntas enquanto examinava as outras fotos.
Vanessa adorou que ele no comeasse a tagarelar que a casa era excntrica ou deprimente,
como as pessoas costumavam fazer. S o jeito de ele dizer, "Obra de quem?", a fez se sentir
uma artista de verdade.
- Quer uma cerveja? - perguntou ela. A geladeira estava cheia de cerveja, o que no era
tpico, de sua festa insana de 18 anos duas semanas antes, e ela aproveitava qualquer
oportunidade para se livrar da bebida. - Desculpe, no tenho mais do que isso, a no ser
gua.
- gua est timo - respondeu Beverly, e Vanessa se viu gostando mais ainda dele.
Pergunte a qualquer aluno do ensino mdio se quer uma cerveja e ele vai entornar um
pacote de seis em trs segundos. S do que Beverly precisava era uma aginha para
umedecer o palato e um lugar para morar, por exemplo, com ela.
Caraca... Pega leve, Vanessinha! E a entrevista?
Vanessa foi at a pequena cozinha aberta e pegou um copo do Scooby-Doo, um pouco de
gelo e gua filtrada na geladeira. Ela encheu o copo devagar, analisando Beverly
disfaradamente, como gostava de fazer. Os olhos pequenos e intensos eram azul-claros e o
cabelo cortado  escovinha era quase preto. As palmas das mos e as unhas estavam
manchadas de preto, de um tipo de tinta que ele deveria estar usando no ateli, e a camiseta
verde pardacenta estava respingada do que parecia serragem. As calas pretas eram
exatamente o tipo de calas de algodo preto e solto que ela usaria todo dia se fosse homem
e nos ps havia um par daqueles chinelos de borracha laranja que podem ser comprados na
drugstore por 99 cents. Ele era to diferente das pessoas que ela via na escola que Vanessa
no conseguiu deixar de ficar meio excitada.
Ser que teria alguma coisa a ver com o fato de ele ser homem?
Ela foi at o balco e passou a gua a Beverly, j imaginando como seria ficarem acordados
at tarde, vendo filmes juntos. Ela podia levar gua para ele e ele olharia para ela daquele
jeito sensual e pensativo dele. E depois eles comeariam a dissecar a obra de Stanley
Kubrick, filme por filme... nus.
Vanessa se sentou no futon e Beverly sentou-se ao lado dela.
- Bom, eu meio que estou em trnsito agora  explicou ele. Eu estava em um alojamento e
agora estou num arranjo coletivo de trabalho/moradia com um bando de artistas, num
antigo depsito no Brooklyn Navy Yard. Mas s vezes a gente pode enlouquecer por ali. -
Ele riu. - Eu s preciso de um lugar para desabar, onde eu no tenha que me preocupar que
meus dedos sejam decepados enquanto estou dormindo... Sabe como , para alguma
escultura de "partes corporais" ou coisa assim.
Vanessa assentiu satisfeita. Ela sabia exatamente como ele se sentia.
 mesmo?
 claro que ela nunca esperara dividir um apartamento com um cara - a no ser Dan -, mas
ela agora tinha 18 anos, uma adulta, capaz de tomar suas prprias decises e madura o
bastante para ter um homem como colega de apartamento sem ter a inteno de voar para
cima dele.
Ento t.
- A questo - continuou Beverly -  que seria meio esquisito morar com algum. Eu nunca
respirei o mesmo ar de algum antes, entendeu?
Os grandes olhos castanhos de Vanessa se arregalaram. Ento ele no queria morar com
ela?
- Acho que sim - respondeu ela, carrancuda.
- Eu imaginei que talvez a gente pudesse sair primeiro por umas semanas. Fazer coisas. Se
conhecer. Ver se podemos dar certo - acrescentou ele.
Vanessa se sentou em cima das mos, sentindo-se constrangedoramente como uma
daquelas garotas ditas normais, que ela odiava, diante de um gato que a convidara para um
baile ou sei l como chamavam aquelas ridculas festas a rigor a que sempre iam para terem
a oportunidade de comprar um vestido novo. Ele s queria conhec-la primeiro. Que coisa
refrescante e excitante, finalmente conhecer algum to inteligente, criativo, legal - e gato!
- Bom, ainda estou entrevistando outras pessoas - respondeu ela, sem querer parecer
ansiosa demais. - Mas parece uma boa idia. Quer dizer, voc tem razo.  importante
conhecer a pessoa com quem voc est prestes a morar.
- Exatamente. - Beverly terminou a gua, levantou-se e levou o copo para a pia.
Cara, ele at limpa a prpria sujeira.
Ele voltou para a sala batendo os chinelos.
- A gente podia fazer alguma coisa no fim de semana, ou...
De repente Vanessa teve uma idia. Que melhor maneira de mostrar a Dan que ela mudara
e agora tinha uma vida s dela, sem ele e seu eu egosta, do que levar um homem ao
primeiro show dele?
- Na verdade, um velho amigo meu vai cantar com os Raves amanh  noite. Quer ir?
Por sorte Beverly era suficientemente maduro para no quicar nem pirar com o fato de ela
conhecer algum que cantava com os Raves. Ele juntou as palmas das mos com fora e
assentiu daquele jeito sexy de monge que tinha.
- Claro. Eu te ligo amanh para a gente combinar.
Vanessa o acompanhou at a porta e depois correu para a janela, seguindo a linda bunda de
Beverly com os olhos enquanto ele arrastava os chinelos pela rua e desaparecia no labirinto
de armazns industriais que compunham a paisagem de Williamsburg. Nas manhs de
sbado, ela e Beverly ficariam sentados junto quela mesma janela, fazendo uso da luz do
sul para produzir arte. Ele trabalharia em silncio em suas elas, sujando as mos de tinta
preta enquanto ela o filmaria. E os dois estariam... nus.
Mas  claro.
Que empolgante era morar com um artista. Claro que Dan era poeta, mas isso era diferente.
S o que ele fazia era rabiscar em cadernos o dia todo, beber um caf horrvel e ficar mais
trmulo e mais neurtico a cada hora.
Evidentemente, ela continuaria a entrevistar outras pessoas - pelo menos por mensagem
instantnea - at que tudo estivesse resolvido. Mas Vanessa j estava absolutamente certa
de que tinha encontrado  que procurava, o companheiro perfeito.
Pera. Ela no queria s dividir o apartamento?!

b no consegue deixar de sumir de casa

- Com licena. O que vocs esto fazendo? - quis saber Blair. Eleanor Waldorf e o meio-
irmo de Blair, Aaron Rose, estavam de p na cama do quarto temporrio de Blair
pregando uma espcie de mapa grande na parede. Blair parou de braos cruzados  porta,
esperando por uma explicao.
- No conte - sussurrou a me, animada para Aaron. Eleanor vestia uma roupa Versace
bizarra que trazia em toda ela a inscrio liquidao ruim. A roupa consistia em um top
laranja e preto de listras verticais presos a uma cala Capri de listras horizontais verdes e
pretas por uma confuso de correntes e botes dourados. A cala Capri exibia at uma
franja dourada.
Por que a populao de mes sempre  atrada aos maiores erros dos estilistas?
No s a roupa de Eleanor era feia, como em outra crise de depresso ps-parto ela fez uma
coisa medonha no cabelo. Esta manh, era louro e na altura dos ombros. Agora estava
tingido de vermelho-escuro e tosado rente  cabea, como o de Sharon Osbourne. 
desnecessrio dizer que era meio difcil para Blair olhar para ela.
Aaron colocou a ltima tachinha no canto do mapa e pulou da cama, as minitrancinhas de
candidato a rastafri batendo alegremente no rosto encovado de vegetariano.
- Odeio te interromper, me, mas isso vai exigir um pequeno esclarecimento. - Ele olhou
para Blair como quem se desculpa. - Desculpe, mana, a gente queria te fazer uma surpresa.
Blair gostava do meio-irmo Aaron - muito mais do que gostava do man gordo do pai
dele, Cyrus Rose -, mas ficava totalmente furiosa quando ele chamava Eleanor de me ou
a ela de mana. Afinal, o pai dele e a me dela s tinham se casado no Dia de Ao de
Graas, ento Eleanor definitivamente no era me e ela definitivamente no era irm dele.
Apesar da existncia do irmo mais novo de Blair, Tyler, que era um menino, e Yale, que
era s um beb, Blair sempre se identificou como filha nica, a no ser por aquelas raras
ocasies em que ela e Serena ficavam juntas para se sentirem como irms.
Eleanor saiu da cama, pegou a mo de Blair e a arrastou para a parede cor de salva para ver
o mapa. Era um detalhe da Austrlia e do Oceano Pacfico, e havia quatro crculos
vermelhos em torno de quatro alfinetes no mar, entre Vanuatu e Fiji. Debaixo dos crculos,
escrito em tinta preta na letra cheia de voltas de Eleanor, estavam os nomes Yale, Tyler,
Aaron e Blair.
Pardonnez-moi?
Blair girou o anel de rubi repetidamente no dedo.
- Que porra  essa, me? - quis saber ela, impaciente.
Eleanor ainda segurava a mo de Blair e apertou os dedos da filha com um prazer de
manaca.
- Comprei uma ilha para voc, querida, e batizei com o seu nome. Cada um de meus quatro
queridinhos tem sua prpria ilha no Pacfico! E no ano que vem, quando imprimirem os
novos mapas, seus nomes aparecero bem ali, ao lado de Fiji! No  incrvel?
Blair encarou o mapa. Fiji sempre parecia meio extico para ela, mas a Ilha de Blair
provavelmente consistia em um arbusto heterogneo no cocuruto de um trecho de recife
crivado de ourios-do-mar espinhudos e algas.
- Tyler j est planejando nossa grande viagem de Natal pelo Pacfico Sul no ano que vem -
matraqueou Eleanor.  Ele est pesquisando qual de nossas ilhas tem o melhor surfe.
- E sua me est comprando uma prancha para cada um de ns - informou-lhe Aaron. -
Menos para Yale.
Blair percebeu que as unhas dos ps de Aaron estavam pintadas de preto.
-  coisa da banda - explicou ele, vendo que ela estava notando. - Estamos juntos no fato de
que, no momento, nenhum de ns tem namorada.
Mas que surpresa, pensou Blair. Se no tivesse cuidado, Aaron ia se transformar num
daqueles velhos plidos, magrelos, assexuados e vegetarianos como Morrissey,
desaparendo no ter sem ningum para se lembrar de que um dia ele esteve ali. Aaron e
Serena tinham ficado e at foram apaixonados por uma poca fugaz no inverno, mas Aaron
no era empolgante o suficiente para manter a ateno de Serena por mais de cinco
minutos.
Mas quem era?
Blair na verdade no estava to interessada no que Aaron e seus colegas mans da banda
Bronxdale Prep faziam para se divertir, nem na necessidade insana da me de comprar
coisas dspares e totalmente sem sentido como ilhas, alpacas e pranchas de surfe, mas ela
queria saber o que Kitty Minky, seu gato Russian Blue, estava fazendo ali, cavando numa
pilha suntuosa de almofadas e travesseiros revestidos de seda apoiados na cabeceira da
cama.
- Miau-miau? - Blair dirigiu-se ao gato imitando a lngua dos gatos que ela usava com Kitty
Minky desde que tinha nove anos de idade.
De repente Kitty Minky soltou um jorro de xixi de gato de cheiro revoltante.
- No! - gritou Blair,jogando nele'uma sandlia Manolo de couro. Kitty Minky saltou da
cama, mas era tarde demais: a colcha de seda rosa e os travesseiros de Blair estavam
totalmente ensopados.
- Ah, meu Deus! - exclamou Eleanor, crispando as mos e dando a impresso de que estava
prestes a chorar. Ah, minha querida, que baguna - acrescentou ela desesperadamente, seu
humor mudando abruptamente de bom para mau.
- No se preocupe, Blair. Pode dormir comigo e com o Tyler no nosso quarto at que Esther
limpe esse lugar  ofereceu Aaron.
O quarto de Tyler e Aaron cheirava a cerveja, chul, cachorro-quente de tofu e aqueles
cigarros naturais que Aaron sempre fumava. Blair franziu o nariz.
- Prefiro dormir no cho do quarto de Yale  respondeu ela, infeliz.
Eleanor crispou as mos.
- Ah, mas a pequena Yale est de quarentena pelos prximos dias. Ela pegou uma espcie
de brotoeja horrvel no rosto quando foi fazer o check-up ontem no consultrio do pediatra.
Ao que parece  muito contagioso.
Eca.
Os pequenos olhos azuis de Blair se estreitaram. Ela adorava a irmzinha, mas no ia se
arriscar a pegar brotoeja, especialmente no rosto. O que deixava uma determinada pergunta
sem resposta: exatamente onde ia dormir, porra?!
A cobertura estava claramente inabitvel e, embora a casa dos Archibald parecesse uma
alternativa bvia h apenas uma hora, tinha se transformado em um programa ps-aula para
os chapados de 16 anos que veneravam Nate. A porta de Serena estava sempre aberta, mas
os pais dela eram meio antiquados e provavelmente no iam gostar se Blair ficasse com um
homem no quarto, de porta fechada ou o que fosse.
At parece que Serena nunca teve um homem no quarto dela com a porta fechada!
Alm disso, Blair j havia morado com Serena por alguns dias naquela primavera e elas
brigavam o tempo todo.  claro que foi quando Blair estava tentando seduzir o irmo de
Serena, Erik, para afastar Nate daquela herdeira de madeireira dopada que ele conhecera na
reabilitao. Ainda assim, agora que ela e Serena eram amigas novamente, era melhor no
arriscar.
Como se elas no fossem encontrar outro motivo para brigar.
Blair abriu a gaveta de cima da cmoda de mogno ecologicamente correta. Tinha um carto
de crdito e havia um monte de bons hotis nas redondezas. Ela pegou uma calcinha branca
de algodo Hanro e um top. A nica vantagem de usar uniforme na escola era a bagagem
leve. E a vantagem de ter bagagem leve era que, sem dvida, ela ia precisar de alguma
coisa que no tinha, portanto teria de comprar nos trs Bs: Bendel's, Bergdorf's ou Barneys.
- Quer ver o que o Tyler descobriu sobre as nossas ilhas? - props Aaron. - Ele est
baixando um monte de coisas agora.
- O homem com quem eu falei disse que a temperatura nas ilhas fica entre 23 e 29 graus o
ano todo  acrescentou Eleanor alegremente. Ela olhou o relgio Cartier de correia de ouro.
- Droga. Estou cinco minutos atrasada para minha maquiagem na Red Door. - Ela deu uma
risadinha de quem conspira e bateu palmas como uma garotinha. - Cyrus vai
me levar no Four Seasons hoje  noite. Estou louca para surpreend-lo com o presente dele.
Blair nem quis conjecturar o que a me podia ter imaginado comprar para Cyrus. Um pas
inteiro?
- Devo voltar para pegar umas coisas - informou ela  me. - E definitivamente vamos
precisar de um tapete, travesseiros e lenis novos para este quarto. Mas no tenho certeza
se eu vou voltar, sabe como , para morar.
Eleanor pestanejou confusa para a filha. Depois de 17 anos e meio sendo me de Blair, ela
ainda no sabia o que fazer com ela.
- S para o caso de haver uma guerra civil na ilha ou se chegar sua nova encomenda de
calcinhas francesas, onde exatamente voc pode ser encontrada? - perguntou Aaron com
um sorrisinho irritante de babaca.
Blair retribuiu o sorriso.
- No Plaza.
E de preferncia numa boa sute.

n  levado facilmente para o mar

O terrao da casa de quatro andares de Nate na cidade no era alto o bastante para uma
vista de verdade, ainda assim era legal ficar sentado ali e dar uns tapas no enorme cachimbo
de vidro verde de Jeremy e lembrar todas as birutices que eles aprontaram quando eram
novos e despreocupados  antes de terem de pensar em universidades e no futuro.
Como se eles genuinamente pensassem nisso.
- Cara. Lembra daquela vez na aula de latim que voc estava chapado e achou que era de
francs? - disse Charlie Dern com a voz arrastada, soltando fumaa de uma abertura
minscula pelo lado de sua enorme boca de palhao. - Voc ficou ali tagarelando em
francs como um maluco de merda e a o Sr. Herman She-Man pegou e disse assim,
"Queira me desculpar, Sr. Archibald. Embora todas as lnguas romnicas tenham sua raiz
no latim, eu nunca ensinei francs".
Anthony Avuldsen e Jeremy Scott Thompkinson comearam a gargalhar ao se lembrar do
dia lendrio.
- Eu tambm estava falando uma porra de um francs perfeito - observou Nate. - Acho que
por um momento pensei que era mesmo francs. Como um nativo.
- Ah,  - concordou Charlie sarcasticamente. - Cara, voc mal conseguia falar.
Lexie flutuou com o vestido tingido, descala e agitando as mos na frente do rosto. Tinha
desenhado flores nos dedos das mos e dos ps com uma caneta que brilha no escuro que
descobriu na mesa de N ate, e as unhas reluziam em verde non no crepsculo. Malcolm
estava tocando violo e cantando uma antiga msica de ]ames Taylor.

You just call out my naaaame
And you know where ever I aaaam
I'll come runnin' to see you again.

- Eu queria que a gente estivesse na praia.  Jeremy suspirou e contornou o aro do
cachimbo com o dedo indicador. - Tudo seria perfeito se a gente estivesse na praia.
Nate balanou a cabea loura, concordando.
- A gente vai logo. O cruzeiro de birita dos meus pais nos Hamptons vai ser daqui a
algumas semanas. O barco j est ancorado em Battery Park. Vocs vo, n?
Os meninos mais novos no terrao olharam para cima, perguntando-se, cheios de
esperana, se Nate estava falando com eles.
Sem chances.
- Todo mundo vai - respondeu Anthony Avuldsen, fazendo com que os calouros se
sentissem ainda mais imbecis. -  tipo o pontap inicial de todo o vero.
- A turma da Blair vai fazer o dia de matar aula das veteranas amanh - disse Nate,
meditativo. Ele percebeu vagamente que Blair no aparecera no terrao. Talvez ela ainda
estivesse no banho, ou ser que ela lhe deu um beijo de despedida e foi para casa? Ele
sinceramente no conseguia se lembrar. Se ela estivesse no banho, ele podia descer de
mansinho e surpreend-la. A idia de Blair molhada e nua o fez sorrir deliciado.
Charlie pegou um Ziploc cheio de marijuana do bolso traseiro das calas cqui e comeou a
encher o cachimbo.
- Voc disse que o barco est no porto?
Antes que Nate tivesse chance de responder, o celular tocou. Piscou BLAIR no visor do
telefone.
Falando no diabo...
Nate apertou "answer" e ps o telefone na orelha sem dizer nada.
- Adivinha onde eu estou? - despejou Blair, feliz. - No Plaza. Ento, tira sua bunda da e
vem pra c agora. Pejguei uma sute.
O Plaza s ficava a umas 12 quadras de distncia. Nate olhou na direo do centro. Parecia
muito longe, mas seria legal deitar em uma cama grande de hotel, ver montes de filmes e
pedir servio de quarto. Ele estava faminto.
No era bem isso o que Blair tinha em mente.
- Traz s sua escova de dentes. J pensei em todo o resto acrescentou ela, tmida.
O que significava os trs Cs: champanhe, caviar e camisinhas.
- Parece bom - respondeu Nate com disposio.  Te vejo daqui a pouco. - Ele desligou e
Jeremy passou o cachimbo para ele.
- Mas a, t pensando no seguinte - disse ele a Nate, com a expresso intensa de uma pessoa
seriamente doidona. Ele beliscou o jacar verde da camisa Lacoste preta e ele ficou
pendurado no peito como uma crosta parcialmente removida. - Todos ns vamos para o
barco dos seus pais. Vai ter um estoque de birita, e a tripulao provavelmente vai fazer
aquela coisa de turismo pela cidade e nem vai perceber se a gente sair para dar uma volta,
n? Voc veleja como um mestre. Por que no sair em uma excurso pr-Hamptons a,
digamos...
- Bermudas! - piou Charlie.
-  foda, isso a - concordou Anthony.
Os trs meninos olharam para Nate. Eles sabiam que estavam pedindo para fazer uma coisa
completamente ultrajante, mas sabiam, pelo brilho de interesse nos olhos de Nate,
que ele meio que estava dentro.
A mente de Nate disparava em um borro sinuoso de doido. Velejar para as Bermudas?
Claro, por que no? Eles eram veteranos - podiam fazer o que quisessem. Blair podia ir
tambm, e os dois iam beber mimosas e transar na praia sob o sol quente. Ela sempre falava
de eles viajarem juntos.
Lexie apareceu e se sentou no colo de Nate. Ela cheirava a incenso de mbar e pat de fois
gras. A ponta do rabo-de-cavalo preto roava no sol, na lua e nas estrelas da tatuagem na
omoplata.
- Alors, e agora? - disse ela com um bocejo, pegando o cachimbo de Nate.
Nate esperou at que ela tivesse acabado o tapa antes de empurr-la do colo e se colocar de
p. Ele bateu palmas como um instrutor de acampamento chapado.
- Vem, todo mundo, vamos ter uma aventura.
Os calouros comearam a murmurar de excitao. No s tinham conseguido ir para a casa
de Nate Archibald, como ele os estava levando a algum lugar - provavelmente um lugar
mais legal do que qualquer outro onde j estiveram antes.
- Quem vomita em barcos deve ficar para trs!  alertou Jeremy.
- De jeito nenhum - sussurrou um calouro da St. Jude cujonome, por acaso, era Nate Lyons
e que imitava seu homnimo at na cor das meias Brooks Brothers, azul-marinho.
Houve uma confuso para sair dali. Nate Archibald, o veterano mais cool do Upper East
Side, estava levando a todos para seu barco. Ia ser um dia fantstico!
Nate seguiu o resto dos meninos escada abaixo de bom humor, esquecendo-se totalmente
do que estava prestes a fazer antes de vir  tona o assunto de velejar para as Bermudas.
Atrs dele, o celular tocava esquecido no terrao, a telinha verde piscando o nome BLAIR
ao tocar a cada dois minutos na meia hora seguinte.

Winter, spring, summer, or fa-waaall
All you have to do is ca-waaall
And I'll beee there!

Ah , ento t.

outra calcinha la perla desperdiada

- O Nate est vindo a - anunciou Blair, presunosa, a Serena pelo telefone. Ela ligou para
Serena s para se vangloriar de que estava no Plaza, sentindo-se culpada enquanto discava,
mas superando a culpa quando o telefone comeou a tocar. Ela se curvou para o imenso
espelho de moldura dourada do banheiro e aplicou outra camada de batom Chanel
Vamp. Era vermelho-escuro e ela em geral s usava no inverno, mas, quando se est
trancada em uma sute suntuosa de hotel com seu namorado, transando sem parar, quem
liga para a estao do ano?
- No fique chateada - pediu Blair  melhor amiga.  A gente pode ficar na minha sute
amanh  tarde ou coisa assim, t legal? - Ela abriu um sorriso sexy e astuto para seu
reflexo. - Depois que eu e Nate acordarmos.
- Vocs dois so to ridculos - debochou Serena sem o menor tom de cime. Blair
confessara ter finalmente perdido a virgindade com Nate na manh seguinte ao
acontecimento, mas no quis entrar em muitos detalhes, e Serena no quis fazer muitas
perguntas. Afinal, Serena e Nate tinham perdido a virgindade deles juntos, ento sexo com
Nate era um tema meio esquisito.
- Vou ter que ir naquela festa dos alunos de Yale  respondeu Serena. No que eu v para
Yale - corrigiu-se apressadamente. Sua aceitao a Yale era um assunto ainda mais
delicado. - Meus pais nos colocaram na lista e eu tenho que ir.
- Ah. - Blair fez biquinho e se virou para examinar a bunda na nova calcinha preta de seda
La Perla.  claro que ela no estava exatamente em Yale ainda, mas ela estava na porra da
lista de espera; eles ainda podiam t-la convidado.
- Eu estava esperando que voc fosse comigo  acrescentou Serena. -J que  muito mais
provvel que voc v para Yale, e no eu.
Blair reajustou as alas do suti. Nate tambm entrou para Yale mas ele no falou de
nenhuma festa. E, se, ele no fosse, certamente ela no poderia ir. Eles podiam ficar...
envolvidos de outra forma.
Arr.
- Vai ser s s sete - disse Serena. - A essa hora vocs devem estar prontos para se
aventurar do lado de fora.
- Posso te ligar amanh? - perguntou Blair, em dvida.
- Tanto faz. - Serena no ligava de ir a festas sozinha, uma vez que ela nunca ficava sozinha
por muito tempo. Os rapazes zumbiam e adejavam em volta dela como moscas em um
piquenique. - Divirta-se hoje  noite. Tchau, amiga.
Blair desligou assim que o camareiro chegou com uma garrafa de Dom Prignon e o prato
de caviar e torradinhas finas que ela pedira ao servio de quarto. Ela vestiu um dos roupes
brancos e atoalhados do Plaza e abriu a porta.
- Na cama - ordenou ela, adorando como parecia uma Joan Crawford cansada. Depois ela
deixou o roupo aberto, jogou-se de lado na enorme cama king size California e pegou o
controle remoto. Segundos depois achou o AMC  American Movie Classics, o canal que
regularmente exibia seus filmes favoritos, como Bonequinha de luxo, e My fair lady, ambos
com Audrey Hepburn.
Para decepo dela, estava passando Ritmo Quente. Desde quando uma coisa feita depois
de 1980 era um clssico de verdade?, perguntou-se Blair. De repente ela se sentiu velha.
Mas isso parecia meio adequado, considerando o fato de que ela estava prestes a ter uma
relao quentssima com o amante em uma sute suntuosa de hotel. Alis, onde estava o
Nate? Um txi da casa dele at o Plaza levava s uns sete minutos. Ela ligou para o celular
dele sem sequer olhar os botes do telefone, mas no houve resposta. Talvez ele estivesse
no banho, colocando as sensuais cuecas samba-cano Calvin KIein, preparando-se para o
rendez-vous, pensou ela.
Ou talvez no.
Blair se levantou, tirou o roupo e diminuiu as luzes. Depois espalhou um pouco de caviar
em uma torradinha e ficou em p, se vendo no espelho gigantesco emoldurado em ouro,
enquanto comia. Na TV atrs dela, "Baby" tentava parecer inocente depois de passar a noite
toda tendo um baita sexo suarento com Patrick Swayze, o professor de dana do resort de
vero onde a famlia dela estava de frias. O pai de Baby ficou to irritado com ela, que
Blair se perguntou fugazmente como o pai dela se sentiria se oubesse que ela havia se
mudado para um quarto de hotel para poder ter alguma privacidade com Nate. No que o
pai gay, que mora num chteau francs e usa meias pastel e culos de sol Gucci azul-beb,
e o pai mdico e responsvel de Baby de Ritmo Quente tivessem alguma coisa em comum.
Blair discou o nmero de Nate de novo e, como ele no atendeu, ela preparou outra
torradinha com caviar e ligou para o pai no sul da Frana, onde ele morava desde que ele e
Eleanor se separaram devido  gayzisse dele dois anos antes.
- Ursinha? Est tudo bem? J teve alguma resposta daqueles otrios de Yale?Voc entrou? -
o pai quis saber assim que ouviu a voz dela.
Blair podia imagin-lo perfeitamente, nu, a no ser por uma samba-cano azul-real de
seda, o amante dormindo Franois ou Eduard ou sei l que nome -, ressonando suavemente
ao lado dele. Harold Waldorf era scio-administrativo de uma importante firma de
advocacia, casado com a socialite Eleanor e morava em uma cobertura com os dois filhos
adorveis, Blair e Tyler. Agora ele engarrafava o prprio vinho dos vinhedos que cercavam
o chteau, comprava em lojas francesas que vendiam exclusivamente para gays bronzeados
e dava braadas na piscina enquanto seus amantes gays e bronzeados lhe entregavam
toalhas secas e taas de conhaque. Era na verdade uma vida luxuosa.
- Adivinha onde estou? - Blair irrompeu no mesmo tom que usara para falar com Serena.
Na verdade, falar com o pai era exatamente como falar com uma das amigas. Ele nem
se importava que fosse quase duas da manh na Frana e ela o tivesse acordado totalmente.
Paris? - perguntou o pai, com esperana.  Vou mandar um carro para te pegar. Voc
chegar aqui em uma hora.
- No, pai - gemeu Blair, embora sinceramente ela no se importasse de estar em Paris...
desde que pudesse levar Nate e sua sute no Plaza com ela. - Estou no Plaza. Agora estou
morando aqui. Em uma sute.
- A, hein, garota! - exclamou o pai. - Parece que a cobertura ficou meio lotada, com o novo
beb e tudo.
Ao fundo, Blair ouviu o som do pai servindo alguma coisa num copo. Ele estava to
encantado com o ltimo lote de vinho branco, que devia manter uma garrafa gelada ao lado
da cama exatamente para ocasies como esta.
Na terra de Ritmo Quente, a irm piranhuda de Baby estava se apresentando em um show
idiota de talentos, usando um suti de biquni que era meio pequeno demais para ela. Blair
colocou a TV no mudo, passou outro naco de caviar em uma torradinha, acendeu um
cigarro e suspirou dramaticamente.
-  s que estou quase me formando e preciso de espao... Sabe como , para fazer o dever
de casa e pensar no ano que vem e...
De repente ela teve uma imagem muito clara dela mesma feito uma espcie de Greta Garbo
reclusa que raras vezes saa do quarto de hotel, comunicando-se com o mundo pelos papis
que decidia interpretar. Os empregados do hotel vasculhariam seu lixo e roubariam suas
roupas, e os turistas ficariam no Central Park South, do outro lado do hotel, s esperando
para ter um vislumbre dela. Ela seria o assunto da cidade.
Como se j no fosse.
- Ah, aposto que voc est trabalhando - zombou o pai entre goles do que quer que
estivesse bebendo. - Aposto que aquele seu namorado gato est massageando seus ps
enquanto conversamos.
Se ao menos fosse assim.
Blair riu e comeu outra torrada com caviar entre tragos do Merit Ultra Light.
- Na verdade, Nate est vindo - admitiu ela. Ela olhou a garrafa de champanhe que tinha
pedido, ainda gelada no balde de prata. Nate no ia se importar se ela abrisse a garrafa
e tomasse uma tacinha antes dele chegar, ia?
 claro que no.
- Acho que  demais - respondeu o pai com astcia. - Mas voc merece, querida. Voc
merece ter tudo isso.
Como se ela j no soubesse.
Blair pegou a garrafa de champanhe e a segurou entre os joelhos nus, abrindo como uma
especialista o arame da rolha e empurrando-a do gargalo devagar... devagar... at que...
Pop!
- Ah, Meu Deus. Voc est fazendo uma superfesta! - exclamou o pai. - Numa semana de
aula? - acrescentou ele, fingindo ficar apavorado, como se fosse um pai rigoroso que
realmente se importasse com coisas assim. - Me deixa falar com esse seu namorado gato
agora mesmo.
Blair encheu a flte de champanhe, bebeu todo o contedo e a encheu novamente. Na tela,
Patrick Swayze estava cara a cara com o pai de Baby. "Ningum fora a barra com a minha
filha", Blair dublou as palavras, embora a TV estivesse muda. Era o filme mais brega do
mundo, mas ela ainda fantasiava com Nate defendendo-a de uma forma igualmente
determinada e raivosa. Nate ficava seriamente gostoso quando estava irritado, o que
acontecia... nunca.
Era difcil ficar aborrecido quando se est o tempo todo chapado.
- Eu te disse, pai - corrigiu Blair. - Nate ainda no chegou. - Ela trincou os dentes e tomou
outro gole de champanhe. Mas quem sabia o que o estava fazendo se atrasar tanto?
- De qualquer forma - ela fez beicinho para o espelho ou a cmera ou quem quer que a
estivesse espionando por um telescpio do alto das rvores do Central Park -, se eu mereo
ter tudo, ento como  que os idiotas de Yale ainda no me deixaram entrar?
- Ah, ursinha - o pai suspirou naquela voz masculina porm-maternal que levava homens e
mulheres a se apaixonarem por ele imediatamente. Ao telefone, ela ouviu algum murmurar
alguma coisa em um francs sonolento.
- Olha, ursinha,  tarde. Tenho que ir. - O pai falou junto com o murmrio. - Voc est
bem, no ? Ento divirta-se.
Blair olhou desconfiada para a garrafa meio vazia de champanhe e os farelos de caviar
espalhados no prato de porcelana branco. Ritmo Quente tinha terminado.
- Boa noite, pai - respondeu ela, sentindo-se meio triste. Ela desligou e tentou o celular de
Nate de novo. Nenhuma resposta. Ela ligou para a casa dele. Nenhuma resposta, s o
nervoso do pai almirante na secretria eletrnica, lendo as instrues que vinham com a
mquina e que nenhuma pessoa normal jamais usava: "Voc ligou para a residncia dos
Archibald. Por favor, deixe uma breve mensagem e retornaremos sua chamada assim que
for possvel."
Ia comear Um bonde chamado desejo, com Marlon Brando e Vivien Leigh. Outro de seus
filmes antigos favoritos. Blair colocou o roupo branco novamente e afofou os travesseiros
da cama gigantesca. Depois ligou para o servio de quarto de novo.
- Um sundae com calda quente, por favor. E um mao de Merit Ultra Light.
Ela afundou nos travesseiros e fechou os olhos. Quando saiu da casa dele, Nate estava
numa farra com um bando de doides, inclusive uma hippie irritante e francesa chamada
Lexique. Aquele babaca idiota e preguioso que no merece ir para Yale nem deve ter
percebido que Blair tinha sado. Lgrimas escorreram de suas plpebras fechadas. Nate no
tinha mudado. Nada mudou - a no ser o status de sua virgindade. Ela mordeu o lbio e
lutou com um choro irritado. Bom, e da? N ate no merecia ter sexo. Alm disso, comer
um sundae com calda em uma cama do Plaza enquanto tramava sua vingana contra o
babaca-do-man-que-logo-seria-ex-namorado era ainda melhor do que sexo.
Muito melhor.

k e i levam seu trabalho muito a srio

Prezados veteranos,
Estamos muito animadas com a prxima sexta-feira que, como vocs sabem,  o Dia de
Matar Aula, agora conhecido como o primeiro dia do FIM DE SEMANA DE SPA DOS
VETERANOS!!!! Sim,  um dia de aula. Infelizmente, estaremos ocupadas demais nos
preparando para nossas massagens faciais com pedra quente e banhos de algas marinhas
para nos lembrarmos de aparecer! Por favor, no se preocupem com os problemas que
podem ter - no que vocs realmente tero algum. O Dia de Matar Aula  uma antiga
tradio da Constance Billard School, e ningum nunca foi expulso nem castigado por isso.
Ento, aqui est o que vai acontecer:
Na quinta-feira, s 18h30, vamos embarcar no grande veleiro da famlia Archibald, que est
ancorado em Battery Park City. Os Archibald vo fazer seu cruzeiro anual aos Hamptons e
gentilmente ofereceram uma carona. Assim que ancorarmos em Sag Harbor, seremos pegas
por uma frota de limusines, que nos levaro para a casa de praia totalmente maravilhosa de
Isabel Coates, onde vai acontecer a maior e melhor festa de pijama s para meninas. 
PROIBIDA A ENTRADA DE MENINOS. De manh, tomaremos o caf na piscina,
servido pela... (estamos tentando conseguir o chef que ajudou Julia Roberts a perder todo
aquele peso depois de ter gmeos). Depois disso, um dia de tratamento que a Origins vai
levar para ns. E todo mundo vai receber uma bolsa de brinde da Origins, avaliada em 300
dlares, para levar para casa, com o novo eu totalmente revitalizado e renovado!
Traje: resort casual. Sero fornecidos toalhas, secadores de cabelo, roupa de banho e
produtos de beleza. Nada de ces, por favor, mesmo que sejam pequenos. E NADA DE
MENINOS!
Vamos nessa para um fim de semana maravilhoso de unio com as mulheres!

Beijo!
Suas colegas de turma Kati Farkas e Isabel Coates

P.S.: Colocamos uma caixa de sugestes na rea de estar das veteranas, assim suas idias
so bem-vindas, apesar de j termos planejado o dia mais perfeito do mundo!

P.P.S.: S mais um ms at nossa formatura!!!


Gossipgirl.net
___________________________________________________________________
temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

ALGUMAS OBSERVAES RECENTES

Os nufragos

Sinceramente no sei o que deu num certo grupo de pessoas ultimamente. Quer dizer, ser
que est tudo bem em s, tipo assim, sumir??? Ao que parece, um bando de meninos que
todos conhecemos e adoramos (pelo menos na maior parte do tempo) raptou um veleiro
muito grande e bem equipado e saiu pelo Atlntico. Pode ser s outra brincadeira de
veteranos, s que metade dos meninos no barco era de calouros.  uma hora meio estranha
para sumir, em especial quando todas ns, meninas, podemos nos divertir um pouco. Quem
eles pensam que so? Cristvo Colombo?
Foi aqui que voc soube

Elas tm sua preferncia por homens, mas, por um motivo qualquer, as modelos no se
cansam de homens com guitarras. H boatos de que o casal mais recente do momento 
uma certa veterana loura que mora na Quinta Avenida e o guitarrista dos Raves. Como,
quando e onde eles se conheceram  um mistrio completo, mas isso que  casal perfeito!

De Gap ou no de Gap?

Nem tente fingir que era outra pessoa: eu vi voc entrando de fininho na Gap da rua 86 com
a Madison e realmente experimentar um casaco de capuz atoalhado imitao de Juicy
Couture e cor de ameixa na seo infantil. l legal, eu sou uma cretina bisbilhoteira. Mas o
motivo de eu ficar na sua cola  que eu experimentei o mesmssimo casaco e, ao contrrio
de voc (embora eu saiba que voc queria), comprei trs deles! Por que no? Eles so
bonitinhos, e vamos precisar de muita coisa atoalhada para vestir aprs la piscina neste
vero. Alm disso, provavelmente vamos derramar Campari ou crme de
menthe ou alguma coisa igualmente devastadora na gente, ento vamos precisar de mais de
um. E, depois, atoalhados so atoalhados, e que melhor maneira de mostrar nosso novo
biquni branco de Jacquard Gucci do que com um casaco de capuz cor de ameixa? Pense
nisso como um carto de libertao da cadeia: voc ainda no pode comprar seus jeans l
Deus me livre -, mas agora tem minha permisso para comprar alguns objetos necessrios
na Gap.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Vai contar pra gente para que faculdade vc vai no ano que vem? J se decidiu?
- qrs

R: Cara qrs,
Isso  coisa que eu sei e voc deve descobrir. Mas me deixa te fazer uma pergunta - eu
pareo ser do tipo indeciso?
- GG

P: Cara GG,
Eu soube que o Damian Polk, dos Raves, morava no mesmo prdio daquela modelo loura
de quem voc est sempre falando. Eles se conhecem desde que eram bebs e costumavam
se agarrar no elevador no meio da noite, enquanto o porteiro estava dormindo.
- ob-v-us

R: Cara ob-v-us,
 uma tima histria, mas eu soube que a famlia de Damian morava na Irlanda at ele ter
13 anos. Da o sotaque engraado dele e o motivo para ele sempre parecer meio de porre.
- GG

P: Cara GG,
Controlo a tripulao de um veleiro que pertence a uma proeminente famlia de Nova York.
O filho, que eu soube que j se meteu em um monte de problemas antes, pegou
o veleiro ontem  noite e no voltou. Acho que o bicho vai pegar quando ele voltar, porque
o pai dele  meio duro.
- capito

R: Caro capito,
O bicho j est pegando para ele, por mais motivos do que isso!
- GG

Flagras

S e um gato louro no identificado - talvez o irmo dela ou possivelmente o guitarrista dos
Raves - no Zoolgico do Central Park, dando a sobra de sushi do almoo no Nicole's para
os lees marinhos. B comprando duas camisolas La Perla na Barneys. Ela parece ter
criado um vcio em lingerie, mas que outra coisa se pode usar sozinha em uma sute do
Plaza Hotel, esperando que o namorado aparea? D na Yellow Rat Bastard na baixa
Broadway, experimentando todos os bons da loja. V comprando uma nova argola para o
lbio - ai! - em uma loja de piercing em Williamsburg. J na Barneys Co-op
experimentando cada par de Jeans Seven da loja e ignorando a sugesto da vendedora de
que ela teria mais sorte se comprasse jeans no departamento infantil da Bloomingdale's. K
e I no Jackson Hole de novo, tramando de novo. N - no. Onde diabos N est, afinal?

No se preocupem. Eu o encontrarei.

Pra voc que me ama,
gossip girl

as modelos que namoram astros do rock

- Como  possvel que, no importa o que eu vista, sempre fique parecendo um
personagem de desenho animado?  reclamou Jenny  amiga e colega de turma da
Constance Billard School, Elise Wells. Era sbado  noite e elas estavam se arrumando
para o show de Dan com os Raves na Funktion, uma nova casa de msica em um antigo
quartel dos bombeiros reformado, na Orchard Street. Jenny olhou para Elise.  E voc
sempre fica to normal.
As duas meninas olharam seus reflexos no espelho de corpo inteiro atrs da porta do
armrio de Jenny. Ela vestia um top vermelho stretch com manguinhas curtas e uma blusa
com gola em U que deixava seus peitos gargantuescos. Ela mal tinha um metro e meio de
altura, e seu primeiro par de jeans Seven tinha ficado muito comprido quando ela os
comprou na Bloomingdale's, ento ela pediu  mulher da lavagem a seco na Broadway com
a 98 para encurt-lo uns 25 centmetros. Agora ela percebeu que as manchas pretensamente
"antigas" em cada perna, onde deviam estar seus joelhos, estavam no meio da canela. A
nica parte aceitvel do corpo de Jenny era a cabea. Ela gostava dos grandes olhos
castanhos e bem separados, a pele branca, os lbios vermelhos e o cabelo cacheado
castanho com uma franja reta na testa. Como Serena disse-lhe uma vez, ela parecia uma
modelo da Prada  com prteses gigantes nos peitos e uns tocos de perna, embora Serena
nunca tenha falado nessa parte.
O corpo de Elise era o extremo oposto. Ela era vinte centmetros mais alta do que Jenny,
tinha pernas longas e magras, braos compridos e magros e um peito achatado. Nada ficava
apertado demais nela, a no ser, talvez, na regio da barriga, que tinha uma espcie de
donut em volta. Mas isso se escondia facilmente por baixo de uma blusa. No havia
realmente nada em que Jenny pudesse esconder os peitos. E Elise era coberta de sardas -
havia sardas at nas plpebras - e tinha um cabelo ruivo na altura do queixo que era to
grosso e to espesso que ela mal conseguia prender com um elstico.
Bom, ningum  perfeito. A no ser, quem sabe, algumas das eleitas entre ns.
- Vamos trocar de top - sugeriu Elise. Ela tirou a camiseta preta de gola em V e passou a
Jenny.
- Tudo bem - respondeu Jenny na dvida, e tirou o top vermelho. A blusa de Elise era da
Express e a de Jenny era da Anthropologie, que era ligeiramente mais legal, mas Jenny no
queria ferir os sentimentos de Elise fazendo qualquer comentrio. Alm disso, o resultado
foi espetacular. O peito de Jenny parecia quase modesto no top preto, e o top vermelho fez
o cabelo de Elise brilhar com luzes cor de morango que nenhuma das duas sabia que
existiam.
Aposto que Serena van der Woodsen nem se olha antes de sair - declarou Jenny. Ela se
ajoelhou e comeou a engatinhar pelo quarto. -Ela nem deve precisar vestir nada, a no ser
os sapatos.
Elise ps a mo na boca.
- O que est fazendo?
- Surrando os joelhos da minha cala  respondeu Jenny, ainda engatinhando. - J soube de
Serena e Damian dos Raves?
Elise assentiu. Todo mundo j sabia.
Jenny engatinhou pelo carpete rosa at o armrio para escolher um par de sapatos.  claro
que Serena nunca precisava engatinhar como um cachorro para tentar fazer com que seus
jeans parecessem normais.
- No sei como Serena consegue. - Ela pegou suas novas sandlias Michael Kors douradas
e as calou. O pai dela disse que as sandlias pareciam com as de uma danarina do ventre,
mas ela as conseguiu de graa na sesso de fotos da W e eram os sapatos mais bonitos que
tinha.
Que estranho que ela tivesse esse momentozinho de estrelato - aquela seo de fotos com
Serena - e agora estivesse de volta  velha ela mesma, uma menina de 14-para-15-anos com
grandes ambies e um peito ainda maior. No  que sua ambio na vida fosse largar a
escola aos 14 anos e se tornar supermodelo, mas teria sido meio legal se algum lhe tivesse
feito essa proposta.
Jenny se levantou e esfregou os joelhos dos jeans. Estavam total e decepcionantemente
nada desbotados e, a no ser pelo local errado da parte maltratada do brim, completamente
desinteressantes - como tudo no armrio dela. As roupas de Serena sempre eram to
perfeitamente pudas. desbotadas e surradas, desmentindo a histria colorida e misteriosa
de sua dona. Jenny no pde deixar de se perguntar se suas prprias
roupas tambm desbotariam e passariam a ter estilo se ela fosse expulsa da Constance e
mandada para um internato.
- J pensou em ir para um colgio interno? - perguntou-se Jenny em voz alta.
Elise fez uma careta.
- Comer comida de escola nas trs refeies e morar com os professores? De jeito nenhum.
Jenny franziu a testa. No era assim que ela imaginava o internato. Em sua mente, internato
significava liberdade: do irmo, o Sr. Poeta Deus do Rock manaco-depressivo, do pai
superprotetor e constrangedoramente desleixado, dos uniformes horrorosos da Constance
Billard, de seu velho quarto poeirento e do tdio dirio de fazer a mesma coisa sempre,
agora e pelos prximos trs anos. Tambm significava oportunidade: de viver e ir para a
escola com meninos, meninos, meninos, e de ser a garota que ela sempre aspirou a ser
aquela de que ningum consegue parar de falar.
Rufus enfiou a cabea pela porta, sem sequer considerar que Jenny no tinha mais cinco
anos e podia estar completamente nua ou coisa assim. Seu cabelo desordenado estava preso
em um rabo-de-cavalo com um pedao do saco plstico azul-vivo no qual entregavam o
New York Times toda manh.
- Querem que eu pea um txi para vocs?  perguntou ele com uma preocupao animada.
Jenny podia dizer que o pai estava morrendo de vontade de ir ao show de Dan com elas,
mas esta noite haveria o workshop mensal de escritores anarquistas - a nica coisa que ele
levava com a mesma seriedade de criar os filhos, embora nenhum de seus escritos tenha
sido publicado na vida.
- Est tudo bem, pai -Jenny sorriu com doura, desafiando-o a dizer alguma grosseria sobre
suas sandlias douradas e sensuais. - Pronta? - perguntou a Elise.
Elise passava uma camada a mais do brilho labial preferido de Jenny, MAC Ice, nos lbios
j brilhantes.
- Pronta - respondeu ela.
- Vocs duas esto to... - Rufus futucou a barba espigada,procurando pelo adjetivo certo. -
Adultas - disse ele por fim.
, mas no somos exatamente matria-prima para modelos-que-namoram-astros-do-rock,
pensou Jenny enquanto as duas se olhavam no espelho. Elise estava com brilho labial
demais e Jenny meio que queria que as sandlias Kors no fossem totalmente
planas, assim ela pelo menos ia parecer mais alta. Afinal, ela no queria ir ao show para ver
Dan. Ela queria conhecer Damian Polk e o resto da banda e queria impressionar. Jenny
ficou na ponta dos ps e depois relaxou os calcanhares nos sapatos novamente.
- Que sorte que estamos na lista de convidados  suspirou ela -, ou nunca deixariam a gente
entrar.
Na verdade, com um peito daqueles, ela devia entrar em qualquer lugar. Mas  melhor
deixar que ela descubra isso sozinha.

v s vezes pode ser uma mulherzinha

- Que porra  essa? - perguntou Vanessa. Ela no fazia idia de como no os vira todos
esses anos. Vanessa girou a cabea e olhou seu reflexo no espelho do banheiro novamente.
L estavam eles, quatro grandes sinais marrons, todos alinhados no pescoo, por trs da
orelha, como uma espcie de constelao horrorosa. Ela se sentiu como uma mulher em um
comercial de Clearasil, entrando em pnico porque tinha uma espinha pouco antes de ir a
um encontro. Mas as espinhas eram temporrias. Os sinais estavam ali para ficar. Quem em
seu juzo perfeito manteria a cabea raspada com sinais como aqueles no pescoo?
Ela escancarou a gaveta embaixo da pia do banheiro, procurando, para cobrir os sinais, por
alguma porcaria de cor da pele que a irm Ruby passava embaixo dos olhos quando ficava
acordada a noite toda. Encontrou um tubo de uma coisa chamada Peekaboo, que era um
pouco mais rosado que seu tom de pele natural, mas servia. Ela deu uma pincelada sobre os
sinais, esfregou e examinou o resultado. Agora parecia que estava com intoxicao por hera
venenosa, ou com o pescoo envenenado. Ela pensou em colocar um Band-Aid, mas no
tinha um grande o bastante para cobrir os quatro sinais, e um Band-Aid s chamaria a
ateno para o problema. Ela limpou o creme e vasculhou a gaveta, procurando por algo
que pudesse distrair Beverly das horrendas deformidades em seu
pescoo.
Como se o piercing no lbio superior que ainda estava cicatrizando j no fosse distrao
suficiente. Beverly foi educado o bastante para no mencionar isso antes, mas agora que
eles iam se conhecer, ele podia perguntar se a crosta de ferida embaixo da argola de prata
em D realmente doa.
E por que Beverly ia querer olhar o pescoo dela? Eles s iam juntos ao show dos Raves -
s sair para ver se podiam coabitar, como colegas de apartamento, e no como amantes que
olham para o pescoo um do outro. Alm disso, Beverly era um artista. Ele podia achar os
sinais legais.
Um frasco de amostra de um perfume chamado Certainty rolou pelo fundo da gaveta de
maquiagem bagunada. Parecia nome de tampo ou de teste de gravidez, mas assim mesmo
Vanessa abriu o frasco e passou um pouco do perfume nos pulsos e nas tmporas. Certainty
tinha um cheiro forte de almscar e podia distrair tanto que Beverly nem perceberia a
configurao revoltante dos sinais no pescoo; talvez at funcionasse como uma espcie de
magia. Ela entraria no clube onde Dan e os Raves estavam tocando; Dan ficaria roxo de um
misto de desejo, arrependimento e cime louco; e Beverly teria uma certeza imediata de
querer morar com ela. Como amigo,  claro.
 claro.

 um saco quando seu estado de esprito e suas roupas no combinam

- Tem certeza de que voc est bem, cara?  perguntou Damian, pela segunda vez, atravs
da porta fechada do banheiro.
- Tenho - gritou Dan do outro lado da porta, rezando para que Damian e o resto da banda
pensassem que era s seu comportamento habitual pr-show e voltassem a jogar pquer
e beber Stoli ou sei l o que fizessem nos bastidores.
- T legal, ento. A gente se v daqui a pouco - respondeu Damian. - Cadaro legal do tnis
- acrescentou, antes de sair do banheiro.
Empoleirado na tampa da privada, Dan encarava aflito os tnis novos e as pernas
absurdamente largas da cala que quase os cobriam. Ontem ele vagou pela 555 Soul on
Broadway no SoHo e deixou que o vendedor o convencesse a ter um guarda-roupa de show
totalmente novo. Camiseta grandona amarela e preta, cala baggy insanamente larga, cinza
e parando nos quadris, coberta de ilhoses, pinos e bolsos, tnis de lona
preta All Star com cadaros amarelos e um bon cqui de caminhoneiro com a inscrio
YIELD em amarelo. O bon mantinha sob controle o cabelo desgrenhado e revelava a nuca
raspada, deixando-o mais ameaador do que ele achou possvel. Na realidade, com as
roupas novas, ele meio que parecia um Eminem mais baixo e mais magro. O que no era
bem o visual que ele queria.
Nenhum dos rapazes da banda comentou as roupas quando ele apareceu. Mas ele no lhes
deu tempo nenhum. Uma olhada na fila enorme que se formava na calada do clube e
nos instrumentos e microfones montados no palco fez com que ele disparasse para dentro
do banheiro para vomitar at as tripas. Ele estava trancado no reservado desde ento.
Se ao menos tivesse um talism, como uma fivela de cinto de prata feita  mo ou um colar
de dente de tubaro, que os vocalistas mais lendrios do rock provavelmente tinham. Ele
colocaria seu sei-l-o-qu da sorte, o nervosismo desapareceria e ele se apresentaria com
total naturalidade, levando a multido  loucura. Em vez disso, ele s ficou sentado na
privada verde-pra do banheiro masculino do clube e fumou seus Camels da sorte - uns
quarenta - sentindo-se cada vez mais doente.
De repente a porta do banheiro dos homens se abriu e a ponta das botas pretas e rotas de
Damian apareceram mais uma vez por baixo da porta do reservado.
- Bebe isso aqui e voc vai ficar bem - aconselhou ele, passando uma garrafa fechada de
Stoli por baixo da porta.
Dan pegou a garrafa. Se ia se apresentar esta noite, ele precisava se sentir to leve como a
roupa que vestia. Ele abriu a garrafa e tomou um gole. Sua barriga parecia sem fundo e
interminvel, era como despejar uma colher de vodca em um poo vazio. Ele tomou outro
gole e limpou a boca nas costas da mo.
- Te vejo daqui a pouco, t legal? - disse Damian novamente. - Mas acho que voc vai
querer perder o bon - acrescentou ele com gentileza antes de sair do banheiro masculino.
Os Raves praticamente no tinham visual nenhum, e nem tentavam ter. A maioria ainda
usava as roupas que as mes compravam para eles na escola preparatria - camisas plo
Lacoste, cquis da Brooks Brothers - combinadas com alguma coisa legal e absurdamente
cara, como um casaco de pelica feito sob medida de Dolce & Gabbana. Mas a me de Dan
fugira para a Repblica Tcheca com um conde careca e cheio de fogo antes de Dan entrar
no ensino mdio, ento ele no tinha nenhuma camisa plo nem cquis, s as roupas que
ele escolhia e ele mesmo pagava com a mesada inadequada que Rufus lhe dava para
comprar roupas. Ele podia sentir o pnico crescendo. Quem ia querer ouvir um estudante do
ensino mdio magricela e doentio de nuca raspada que usava uns sapatos amarelos e pretos
que eram um desastre da moda?
Voc ia se surpreender.

voc  linda e a sua me te d umas roupas engraadas

Saia, blusa, suti, sapatos, relgio, gargantilha de prolas, brinco de prolas - Serena olhou
as roupas que a me colocara na ponta da cama de baldaquino. Tudo que a me escolheu
era cinza ou azul-marinho, que por acaso eram as cores da Universidade de Yale.
, monguice! Ser que ela precisa mesmo que a me escolha as roupas para ela? Que idade
ela tem, afinal... 5?
Os pais de Serena estavam na ala de dormir, arrumando-se para a festa Yale Ama Nova
York, da Universidade de Yale, para os futuros calouros de Nova York no apartamento de
Stanford Parris III, na Park Avenue com a rua 84. Para eles, era s outro coquetel- uma
oportunidade de se entrosar com os pais e os filhos que tinham ido  escola, aulas de tnis e
preparao para o teste SAT durante a maior parte da vida. Ningum se conhecia
intimamente, mas todo mundo conhecia todo mundo. Pessoas como os Van der Woodsen
achavam que todos de seu crculo eram amigos ntimos, mas que intimidade realmente se
pode querer ter com algum como Stanford Parris III?
- J est quase pronta, querida? - Serena ouviu a me perguntar a ela.
- J - gritou ela em resposta, sentindo-se teimosa, amuada e irritada. Afinal, ela podia estar
no show dos Raves agora, em vez de ir a outra festa chata e intil com seus pais.
Ignorando a roupa que a me escolhera, Serena sentou-se diante do iMac e ligou o
computador. Muitos dos e-mails eram de casas de moda, como a Burberry e a Missoni,
anunciando liquidaes de mostrurio ou festas para lanar uma fragrncia ou sapato
assinado, mas uma nova mensagem de algum da Brown encimava a lista, seguida de uma
mensagem de Harvard e outra de Princeton.

Para: SvW@vanderWoodsen.com
De: apainter@brown.edu

Carina Serena
Antigamente eu pintava anjos sem rosto e mos sem corpo. Antigamente eu estava morto.
Agora minha arte tem um rosto, e ter voc aqui na Brown no ano que vem - oh, morando,
respirando, musa! - seria minha ressurreio.
Ajoelho-me a seus ps.
Christian
P. S.: H um boato de que voc est namorando o guitarrista maluco dos Raves. Meu amor,
rezo para que seja s um boato.

Para: SvW@vanderWoodsen.com
De: bboy@harvarduniversity.edu

Querida Serena,
Sei que voc e eu somos feitos de moldes diferentes, por assim dizer - eu sou um caipira
da roa e voc  uma deusa de Nova York -, mas para citar um verso de uma antiga cano,
no consigo tirar voc da minha cabea. Quando penso em voc, as janelas de
meu Jeep enchem-se de vapor e no consigo respirar. Vou ser reprovado nas provas finais
por causa de voc. No acho que eles nos faam repetir o ano quando perde um perodo na
faculdade, como fazem no ensino mdio, mas eu no me importaria se fizessem, porque
ento ficaramos juntos por mais tempo. Sei que isso  meio maluco de se dizer, mas voc 
a minha gata, ento  melhor vir para Harvard no ano que vem. E l vamos ns pelos
prximos quatro anos e para sempre.
Com amor,
Wade (seu guia em Harvard e colega de quarto - lembra de mim?)

Para: SvW@vanderWoodsen.com
De: Sheri@PrincetonTRiDs.org

Cara Serena,
Eu s queria que voc soubesse que NO conseguimos parar de falar de como voc e
Damian, dos Raves, so tipo assim o casal perfeito!! Estamos TO empolgadas para
conhecer o Damian, mas primeiro temos que tirar todas as fotos dele que esto coladas em
toda a nossa casa -  TO constrangedor! D um beijo no Damian por ns e diga a ele que
ns o amamos tambm (embora NUNCA fssemos tentar roubar seu namorado) .
Com amor,
Suas irms, as Tri Deltas de Princeton
Serena pestanejou e deletou do computador as trs mensagens de assdio, esperando deletar
a ltima de seu crebro. No havia nada pior do que um bando de meninas fingindo ser suas
melhores amigas quando voc nem as conhecia, todas fofocando sobre voc e seu novo
namorado astro do rock que voc nem conhecia. Que jeito de conseguir que ela no v para
a universidade!!
Ela desligou o computador sem ler o resto dos e-mails e puxou o luxuriante cabelo para trs
em um rabo-de-cavalo desgrenhado com um elstico simples. Depois passou Vaselina nos
lbios e abriu a porta do quarto para ver os pais.
Os Van der Woodsen mais velhos tinham sua prpria ala de dormir, que consistia em um
grande quarto com uma imensa cama de baldaquino, dois quartos de vestir com enormes
armrios em que se podia entrar, dois banheiros completos e um lounge com um bar que
nunca usavam, uma tev de plasma que nunca viam e uma biblioteca cheia de livros raros
que nunca liam, porque eles estavam sempre fora, em jantares de caridade, na pera ou
vendo partidas de plo em Connecticut. Podia ser um apartamento independente, mas
tomava s um quarto de todo o lar dos Van der Woodsen na Quinta Avenida.
- No viu as roupas que separei para voc?  perguntou a me, encarando a filha com um
desespero nos olhos azul-escuros. A Sra.Van der Woodsen era alta e magra como Serena,
com os mesmos traos simtricos, que ficaram orgulhosamente bonitos com a idade. -Jeans
com buracos no traseiro no so aceitveis para esse tipo de ocasio, no concorda,
querida?
- No  uma cala velha qualquer - disse Serena, olhando os jeans desbotados. -  a minha
preferida.
Na verdade, Serena tinha umas 12 calas jeans, mas esta em particular, da Blue Cults, era a
no-posso-viver-sem-ela da semana.
- A saia e a blusa que escolhi para voc so perfeitas insistiu a me. Ela abotoou o casaco
do terninho Chanel dourado e olhou o relgio Cartier platinado antigo que adornava pulso
magro e bronzeado de Santo Domingo. - Vamos sair daqui a cinco minutos. Seu pai e eu
vamos ler os jornais no estdio. No dificulte as coisas, querida.  s uma festa. Voc gosta
de festas.
- No desse tipo de festa - grunhiu Serena. A me ergueu as sobrancelhas finas e louro-
acinzentadas com tanta ferocidade que ela decidiu no falar que preferia ver os Raves
tocarem do que falar besteira com um bando de crianas e seus pais, todos se regozijando
com o ingresso em uma das universidades mais difceis do mundo.
Serena voltou ao quarto, tirou os jeans de m vontade e vestiu a saia pregueada cinza Marc
Jacobs que estava na cama, combinando-a com uma camiseta azul-clara com contas e os
tamancos Miu Miu laranja, em vez da blusa chata azul-marinho e os sapatos de camura
azul-beb Tod que, a me tinha escolhido.
E as prolas? Desculpe, me.
Sua ltima tentativa foi desfazer o rabo-de-cavalo e passar os dedos pelo cabelo louro-
claro. Depois, sem sequer dar uma olhada no espelho, ela saiu do quarto e foi para o hall de
entrada.
Se ao menos todas ns tivssemos certeza de nossa extraordinria beleza.
- Me! Pai! Estou pronta! - gritou ela, tentando parecer animada. Ela daria cinco ou dez
minutos para a festa, tempo suficiente para que os pais se envolvessem em alguma conversa
extremamente chata com Stanford Parris III ou comum dos ex-alunos velhos e obtusos de
Yale que iam a essas festas h sculos, e depois ela escaparia e seguiria para o show dos
Raves.
Afinal, se ia passar os prximos quatro anos sendo intelectual, ela precisava se divertir
enquanto podia. Como se ela no se divertisse sempre.

navegando, navegando pelo mar azul!

Jeremy, Charles e Anthony no pararam de falar nas Bermudas, ento, quando subiram a
bordo do Charlotte, batizado com o nome da falecida av paterna de Nate, ele fez uma
busca por portos nas Bermudas no computador do barco e programou a baa de Horseshoe
no sistema de navegao. Ele fixou o motor em 0,5 milha por hora. Isso significava que
eles iam chegar s Bermudas muito devagar. Na verdade, embora eles
tivessem deixado as docas de lower Manhattan quase vinte horas antes, s haviam acabado
de passar de Coney Island, no Brooklyn.
A noite de sexta-feira escoou na noite de sbado, e o sol estava baixo por sobre Staten
Island enquanto o veleiro seguia a motor, lentamente, para o sul. O ar estava mais frio do
que em terra e tinha cheiro de cachorro molhado. Nate e todos os outros a bordo
continuavam chapados, esparramados no convs, com os olhos entreabertos e a boca
preguiosamente escancarada, ou vagando descalos languidamente pelo convs para
refazer o estoque de cerveja e salgadinhos.
S h pouco caira a ficha de que Blair no estava a bordo. Nate se lembrou de que ela ligou
para ele do Plaza na noite anterior, e que ele meio que deu um bolo nela.  claro que ele
teria que ligar para ela, mas o celular sumira e, quando ele tentou usar o telefone de Jeremy,
descobriu que s usava a discagem rpida para Blair a partir da lista de contatos e ele
sequer sabia seu nmero. E quando voc fica chapado por quase 24 horas, fazer algo como
ligar para o servio de informaes para descobrir o nmero de sua namorada parece
impossivelmente complicado.
, patetice!
Nate e o pai construram eles mesmos o Charlotte na propriedade dos Archibald em Mt.
Desert Island, no Maine. Era uma chalupa de 110 ps, enorme o bastante para levar
confortavelmente mais de cem passageiros de Battery Park City aos Hamptons, ou 17
estudantes s Bermudas. Na preparao para o iminente cruzeiro aos Hamptons, a cozinha
foi totalmente abastecida com queijos artesanais, biscoitos Carrs, ostras defumadas, cerveja
belga, champanhe Veuve Clicquot e usque. Os quatro banheiros foram equipados com
gua quente, toalhas Frette azul-marinho e mini-sabonetes em forma de concha feitos  mo
com CHARLOTTE impresso em ouro. A cabine era equipada com o mais recente sistema
computadorizado de mapeamento e comunicaes, e havia sistemas de som de ltima
gerao no convs e nas cobertas inferiores.
Depois de um jantar de cerveja, Brie e batatas chips, Nate comeou outra sesso de
cachimbo com os amigos e subiu ao cesto de gvea no mais alto dos dois mastros do barco.
Ele se sentou e abraou os joelhos, contemplando a situao de cima. Como s estavam 
deriva, ele tinha certeza absoluta de que, at segunda-feira, no iriam muito mais longe do
que a costa de Nova Jersey, o que para ele estava timo, Ele tambm tinha
certeza absoluta de que ia perder aquela festa de Yale a que devia ir com os pais. E ele
provavelmente perdeu um monte de telefonemas irritados, aborrecidos e talvez at
preocupados de Blair.
Talvez.
Nate tinha a sensao ranheta de que esta pequena incurso a bordo do Charlotte era uma
espcie de erro. A tripulao ficaria frentica ao descobrir que o barco desaparecera, e seu
pai ficaria puto da vida. Mas desde que voltassem a tempo para comear o cruzeiro aos
Hamptons, no tinha nenhum mal, tinha? Ele levantou a camiseta preta surrada e olhou para
ver se o chupo que Blair lhe deixara na barriga na vspera ainda estava ali. Um pouco
mais claro, mas sim, ainda estava. S pensar em Blair j aquietou sua mente. Mesmo que
ela estivesse chateada com ele em 80% do tempo, eles ficariam juntos para sempre, e com
sorte at iriam para Yale juntos. Que bom que era, pensou ele, como s um garoto doido
pode pensar, saber que tem a mo de algum para segurar quando se
est prestes a entrar no desconhecido grande e mau.
- Paz, cara! - uma voz de mulher gritou para ele do convs. -Alors, descobri uns Oreos para
nossa sobremesa!
Nate espiou Lexie embaixo. De onde estava sentado, ela parecia muito pequena e de olhos
brilhantes, como uma garotinha. Em todo o convs, grupos de meninos e algumas meninas
estavam fumando e bebendo cerveja belga clara em copos de cristal. Na popa do barco, a
msica preguiosa de um dos CDs de jazz francs da me de Nate flutuava dos alto-falantes
Bose  prova d'gua.
- Quer um? - perguntou Lexie. - Posso subir a.
Por um momento, Nate no respondeu. Ele desviou os olhos para a roda-gigante iluminada
de Coney Island, girando devagar por sobre a gua marrom-esverdeada e cintilante. Nate
tinha certeza absoluta de que no queria que Lexie se juntasse a ele na gvea. Primeiro, mal
havia espao ali para uma pessoa; segundo, se ela subisse, o bvio a fazer seria beij-la,
porque ela era bonita e tinha aquela tatuagem sexy, e porque ela to obviamente estava
dando mole para ele. Mas ultimamente ele no tinha vontade de beijar ningum a no ser
Blair. Afinal, ele e Blair deviam ir para a universidade juntos e se
casar. Eles iam passar toda a vida juntos.
Pera. Ser que ele est vivendo, tipo assim, uma espcie de manifestao divina?
Nate se levantou e comeou a descer do cesto da gvea. No podia ficar sentado ali a noite
toda, esperando que o barco votasse sozinho. No quando Blair estava esperando por ele,
no quando ele tinha todo um futuro pela frente.
Ele pulou da escada e Lexie lhe passou um Oreo.
- A gua faz com que eu me sinta to livre  declarou ela, oscilando ligeiramente enquanto
o Charlotte vagava por um trecho de mar revolto. O vestido tingido tinha se afrouxado um
pouco ou se rasgou, e as mangas caam pelo alto dos braos, revelando os ombros
bronzeados e mostrando a maior parte da tatuagem de sol, lua e estrelas.
Nate pegou um Oreo, separou as duas metades e lambeu o recheio branco. Sim, ele tinha
todo um futuro pela frente, mas s vezes  importante curtir as coisas simples da vida.

a ilha de b

- Vai jantar aqui hoje ou devemos mandar sua comida para seu quarto no Plaza, senhorita? -
perguntou Aaron no melhor tom de mordomo ingls arrogante que pde.
Blair encarou a irritante cabea de trancinhas que tinha se enfiado pela porta de seu suposto
quarto.
- Na verdade, vou sair - respondeu ela, tirando do armrio um vestido de cetim azul-
marinho Calvin Klein que nunca usara. Nate ainda estava desaparecido em ao e ela
acabara de passar pela experincia humilhante de pegar um txi do Plaza para casa com o
uniforme da escola, embora fosse sbado e no tivesse aula.
As meninas que devem usar uniformes para ir  escola se esforam ao mximo para no
serem vistas de uniforme fora do horrio de aula, e especialmente nos fins de semana.
Mais cedo, naquela tarde, ela recebeu uma cala jeans Earl no quarto do Plaza, diretamente
da Barneys Co-op, mas quando os jeans chegaram eram de um estilo totalmente diferente
do que ela estava acostumada a usar - reto como um lpis e com o cs to baixo que
ficavam aparecendo pelo menos 15 centmetros de bunda. Blair mal os conseguiu trazer at
os joelhos. E, com apenas o uniforme da escola, a calcinha La Perla e um roupo atoalhado
branco do Plaza Hotel para vestir, e nada a fazer a no ser ver tev por 16 horas seguidas,
ela aos poucos foi enlouquecendo. A festa de Yale que Serena mencionou seria uma
vlvula de escape bem-vinda, assim como lhe daria uma oportunidade para se vingar de
Nate.
Liguem a cmera.
Ela chegaria na festa em uma nuvem de perfume e fumaa de cigarro, como uma espcie de
gnio da lmpada, usando algo to adoravelmente irresistvel que todos os futuros
calouros e at os ex-alunos indigestos de Yale na festa atirariam seus usques para trs e
cairiam de joelhos a seus ps imaculadamente cuidados. Ela teria um caso trrido e digno
de nota com o mais bonito e mais influente do grupo, certificando-se de que Nate soubesse
de tudo, e depois exigiria que os mencionados ex-alunos garantissem sua aceitao em
Yale. Depois ela diria a Nate para ir se foder na Brown ou em outro lugar
ainda mais distante, porque ela sinceramente nunca mais queria ver a cara dele de novo.
- A me do Nate ligou. Ela est meio irritada. Disse que gostaria que voc e Nate
aparecessem na festa Yale Ama Nova York esta noite - informou-lhe Aaron.
Hein?
Blair franziu a testa com o vestido nas mos. Era um tom adorvel de azul Yale, mas no
to insinuante como gostaria Blair. A no ser que ela usasse um par ultrajantemente sensual
de sandlias de salto alto - o que Blair tinha aos montes.
- Pensei que essa festa fosse s para as pessoas que definitivamente vo para Yale no
outono - insistiu Aaron, abelhudo. - Voc no entrou ainda, n?
Ignorando-o, Blair pegou no armrio um daqueles mini-ponchos que ela nem lembrava de
ter comprado. Era meio listrado de cinza e azul, uma das ltimas modas Missoni. Ela o
colocou junto ao vestido para ver se ficaria bom, e ficou, mas no era exatamente o visual
sedutor voc-sabe-que-me-quer que ela precisava para fazer flutuar aqueles coraes de
Yale.
Ela deu para Aaron uma encarada gelada de d-o-fora-daqui-porra-estou-tentando-me-
vestir.
- Para sua informao, no, eu no entrei... ainda. Mas estou confiante de que vou acabar
entrando, ento no vejo por que no deva ir a essa festa. - Ela foi at a porta e pegou a
maaneta, preparando-se para bater a porta na cara de Aaron. Ele tinha entrado cedo para
Harvard. Por que ligava para isso, droga?
Aaron recuou, erguendo as mos para mostrar que no queria causar nenhum mal.
- No precisa ficar to nervosa.
Nada deixa uma garota mais nervosa do que ser acusada de ser nervosa.
Blair bateu a porta. Alguns minutos depois, abriu-a novamente, dentro do vestido azul-
marinho e um par de sandlias Manolo prateadas salto 9. Foi na ponta dos ps pelo corredor
at o antigo quarto. A beb Yale tinha o acessrio perfeito de me-olha para a roupa dela. Se
Blair conseguisse entrar de mansinho no quarto sem ningum ver...
O quarto de Yale era decorado em tons de amarelo-claro e pra, e estava cheio de
brinquedos de pelcia e miniaturas de mveis de madeira. O bero estava coberto por um
mosquiteiro importado da ndia, de modo que era impossvel ver se Yale estava dormindo
ou no, mas havia um silncio no quarto que sugeria que estava. Tambm sugeria que a
nenm ainda estava de quarentena.
Epa.
Blair foi na ponta dos ps at o armrio antigo amarelo-manteiga, abriu a primeira gaveta e
retirou uma caixinha de jias de veludo branco. Depois fechou a porta e foi at o bero,
ainda na ponta dos ps.
- Eu prometo que devolvo - sussurrou ela para o beb enrolado no lenol, pacificamente
deitado ali. Ela ergueu o mosquiteiro e deu um beijo no rosto rosado e macio de Yale,
concentrada demais em seu prmio para perceber que a nenm usava luvinhas nas mos
para evitar que coasse o corpo rosado e cheio de brotoejas.
Em geral  a irm mais nova que rouba coisas do quarto da mais velha, mas, como a nenm
Yale um dia ia descobrir, Blair no  exatamente uma irm mais velha comum.

e por falar em irms mais novas...

O Lower East Side era um daqueles bairros de Nova York com a sorte de ser eternamente
cool, mas era fora de mo e sujo demais para continuar livre de turistas e Starbucks, e
resistir a se tornar o bairro da moda, como aconteceu com o Meatpacking District. Uma fila
de meninas de top e minissaia pregueada e meninos de jeans e camisa plo com a gola
virada para cima se formara na frente do Funktion, o clube na Orchard Street onde os Raves
iam se apresentar.
Jenny pegou o cotovelo de Elise, deleitando-se intimamente em como era legal no ter de
esperar na fila com os outros, preocupados se o porteiro ia deix-los entrar ou no. Ela disse
o nome e a corda de veludo se abriu, e elas entraram.
Tan-nan! Virou cool de uma hora para outra.
Por dentro, o Funktion era menor do que Jenny tinha imaginado e, embora fosse novo,
parecia velho. O piso do clube era preto, e as paredes eram de blocos de concreto pintados
de vermelho. Estava abarrotado e, em vez de se sentarem s mesas pretas e brancas, as
pessoas se espremiam perto do pala, de p, com cerveja na mo. A coisa mais legal e piegas
no clube era o poste de bombeiro de quando era um quartel e que ainda estava l. O poste
descia do teto at o meio do palco, proporcionando uma entrada dramtica a quem quer que
estivesse se apresentando.
Jenny se perguntou se elas deviam se aventurar ao bar e pedir bebidas, ou se teriam mais
sorte se apenas se sentassem, parecendo entediadas e sofisticadas at que uma garonete
viesse e anotasse os pedidos. Talvez nem precisassem beber. Toda menina com idade entre
9 e 29 anos era apaixonada pelos Raves. S estar no mesmo ambiente deles, ao vivo, j
seria embriagador.
Ela puxou a tira da bolsa de strass preto Banana Republic de Elise e seguiu at os fundos do
clube, para que pudessem se sentar e se concentrar em parecer mortas de tdio, como as
modelos sempre pareciam naqueles flagras fotogrficos na primeira pgina da revista New
York.
O baterista e o baixista dos Raves j estavam no palco, mexendo nos instrumentos e
testando os microfones.
- A, B, C, D, E, F, G - cantarolou o baterista no microfone dele, os olhos fechados e a cara
sria, como se estivesse cantando a msica mais emocionante j composta. - Me diz o que
pensa de miiiim.
- Ele  um gato! - cochichou Jenny no ouvido de Elise.
- Quem? - perguntou Elise, olhando o palco.  O baterista? Mas ele tem, tipo assim, uns 25
anos!
E da?
- E da? - retorquiu Jenny. -Todos eles no tm 25?
- Mas ele est de macaco. - Elise franziu, de nojo, o nariz sardento. - O guitarrista, como 
que se chama mesmo... Damon... no, Damian... aquele namorado da Serena? Ele sim  um
gato - insistiu ela. - Ele tem sardas como eu, e aquele sotaque! - disse ela animada. - E no
se esquea do seu irmo. Ele no tem 25 anos.
Jenny revirou os olhos. Tudo bem, ento o baterista estava mesmo de macaco branco de
pintor, com uma camisa plo listrada de verde e rosa e tnis brancos novos Tretorn. Era
uma roupa estranhamente inocente e mauricinha para algum famoso por quebrar as
baquetas na testa durante os shows. Mas isso fazia parte de seu apelo, parte do apelo de
toda a banda. Os Raves eram uma mistura perfeita de serial killer psictico com filhinho da
mame mimadinho, tipo um cruzamento de Marylin Manson com o espantalho de O
mgico de Oz.
- Eu gosto dele - insistiu Jenny. Ela ajeitou a cadeira para poder olhar diretamente para o
baterista. Ele pestanejou na direo dela e ela deu uma risadinha, corando furiosamente.
- Tem muita garota bonita aqui hoje - disse o baterista com a voz arrastada no microfone e
depois sorriu para Jenny. Ele tinha dentes brancos e retos e uma boca larga, como do Gato
de Cheshire, e o cabelo escuro era curto e bem penteados, como se ele tivesse acabado de
sair da barbearia na Rua 83 com a Lexington, onde todos os garotinhos do Upper East Side
iam com os pais para cortar o cabelo.
- Ele me lembra o cara gordo daquele filme - observou Elise, como se algum entendesse
do que ela estava falando.
- Ele no  gordo - rebateu Jenny.
Elise pegou um mao fechado de Marlboro Lights na bolsa cintilante e o atirou na mesa.
- No se pode dizer se algum  gordo antes que ele esteja nu.
Jenny pensou nisso enquanto olhava o baterista. Ela nem sabia o nome do cara, mas j
gostava dele. Gostava mesmo. E ela no teria se importado em v-lo nu. Afinal, o nmero
total de meninos que ela vira completamente pelados na vida somava o qu... zero?
O clube estava enchendo, Jenny chegou a reconhecer algumas pessoas da fila que
finalmente conseguiram entrar. De repente as luzes se apagaram, a no ser por uma nica
lmpada que iluminava um poste, como aqueles de quartel de bombeiro. Jenny pegou a
mo de Elise por baixo da mesa e a apertou com fora, mal conseguindo conter a
empolgao. Em seguida Damian, o primeiro guitarrista dos Raves, desceu deslizando
pelo poste, o cabelo louro-avermelhado espetado como se ele tivesse dormido por cima
dele. Vestia uma camiseta branca bsica com um grande R maisculo na frente - a nova
camiseta promocional dos Raves, com design dele mesmo.
Se  que se pode chamar aquilo de design.
O caso  que os Raves podiam sair usando o que quisessem ou fazer o que gostassem
porque eles eram verdadeiros Puros-sangues - bons rapazes de boas famlias do Upper East
Side que foram para o colgio interno juntos e depois formaram uma banda em vez de ir
para uma faculdade. Alguns meses antes, a Rolling Stone at publicou um artigo
descrevendo como cada integrante dos Raves tinha entrado para Princeton e que, em uma
noite de maio fatdica, antes de se formarem no internato, quando estavam se apresentando
em uma cafeteria em Deerfield, um garoto na platia por acaso estava ao telefone com o
pai, executivo de gravadora, que fechou com eles de imediato. Os quatro rapazes decidiram
no ir para a universidade, porque, que melhor maneira de agradecer aos pais por darem
tudo o que voc sempre quis do que comprar o prprio carro e a casa prpria antes dos
vinte anos? No final, ser astro de rock seria muito mas lucrativo do que conseguir um
diploma universitrio em algo totalmente intil, como filosofia. Alm disso, o mesmo
executivo de gravadora por acaso era casado com a diretora de uma agncia de modelos
francesa, o que significava que a banda podia sair com lindas modelos francesas o tempo
todo - uma prerrogativa bem decente.
Jenny olhava ansiosa enquanto Dan descia pelo poste depois de Damian, pousando
dolorosamente de joelhos. A cara dele estava verde, o cabelo grudado de suor e os olhos
estavam meio que girando na cabea. Ele tambm estava vestido de Sr. Quero Ser Hip-
Hop, o que formava um contraste total com as roupas de meninos-criados-em-escolas-
preparatrias dos outros Raves.
- Qual  o problema das calas? - perguntou Elise, alarmada, como se no conseguisse
acreditar que um dia deixou que Dan a beijasse. - E com o cabelo?
Jenny deu de ombros. Tinha de admitir que Dan estava meio esquisito, mas ela preferia
trocar olhares melosos com o baterista dos Raves do que tentar entender por que o irmo
de repente estava tentando parecer o Eminem. O baterista sorriu para ela de novo e ela
piscou os olhinhos, desejando que os clios fossem mais longos ou que ela estivesse com
mais maquiagem. Ela tambm queria ter coragem para ir at o bar e pedir ao bartender para
entregar uma bebida ao baterista ou coisa assim. Parecia o tipo de coisa que Serena faria. Se
ao menos Serena estivesse aqui. Ou talvez fosse melhor que no estivesse. Afinal, o
baterista estava sorrindo para ela. Se Serena estivesse aqui, Jenny podia passar
despercebida.
A multido agora era ruidosa e parecia ter dobrado de tamanho. Elise acendeu um cigarro e
o passou a Jenny. Ningum chegou a lhes oferecer bebidas, mas fumar em um salo cheio
de adultos legais quando s se tem 14 anos tambm era legal.
Damian vibrou a guitarra e o baterista tocou um dos tambores. O baixista anorxico de
cabelo escuro estalou os dedos. Dan deu um pigarro direto no microfone, um som nojento e
cheio de catarro.
Mas que coisa vulgar.
- Acho que devo comear a cantar - murmurou ele de forma quase incoerente. A multido
riu. Jenny pensou que Dan parecia exatamente como estava na manh em que acordou
e descobriu que eles estavam sem caf instantneo e ele ficou to fraco que vomitou. Jenny
teve que correr at a deli, e foram necessrias quatro canecas para ele ressuscitar. Ela
tombou a cabea de lado, deu um trago e soltou uma longa faixa de fumaa no ar. Talvez
ele s estivesse fingindo estar distante, para que todos se surpreendessem quando ele
comeasse a pirar, como fizera na festa de aniversrio de Vanessa.
Ou talvez no.

nem v consegue ver aquele desastre
Beverly estava esperando por Vanessa do lado de fora do clube, vestido nas mesmas calas
pretas e largas e chinelos laranja do dia anterior. O cabelo preto estava repartido ao meio, e
os olhos azuis-claros se ocultavam por trs de culos de sol pequenos e espelhados. Uma
mistura de John Lennon com Keanu Reeves.
- Oi - Vanessa o cumprimentou, esperando no parecer excitada demais em v-lo
novamente. - culos legais.
Adorei a argola no lbio. Voc tem um cheiro incrvel, era o que ela queria que ele
respondesse. E, sem dvida nenhuma decidi morar com voc.
- Devemos entrar? - foi s o que ele perguntou, em vez disso.
A banda j comeara a tocar e a fila na calada do clube tinha minguado. Vanessa foi direto
para a frente.
- Abrams. Estou na lista de convidados - disse ela ao porteiro. De repente ocorreu a ela que
Dan estava prestes a v-la com outro cara pela primeirssima vez. Se ao menos ela
tivesse coragem para agarrar Beverly e dar uns amassos nele bem na frente do palco.
Como se Dan fosse notar alguma coisa.
O porteiro olhou os dois rapidamente e soltou a corda de veludo vermelho. Vanessa podia
ouvir as pessoas na fila gemendo de inveja enquanto eles entravam. Beverly no disse
nada, como se coisas legais como essa acontecessem com ele todo dia.
O Funktion estava barulhento, apinhado, enfumaado e quente, exatamente como os clubes
devem ser. Os Raves tocavam com a fanfarronada de sempre, mas o pblico parecia cantar
mais alto do que Dan. Vanessa ainda nem conseguira v-lo, mas quase parecia que Dan
estava sufocando ou coisa assim.

Me quebra feito um ovo!
Queime um buraco no meu dedo at que eu me veja
Me veja sem voc!
Sem voc e com saudades
Com saudades de como voc me chutou!

Caraca, essa msica no seria autobiogrfica, seria?
Era uma msica nova, que Dan escrevera na semana anterior. De algum jeito, os fs mais
loucos dos Raves tinham pirateado uma verso de uma das sesses de ensaio e j tinham
decorado a letra. Agora estavam gritando a msica, o que era bom, porque mal se ouvia a
voz de Dan.
Vanessa abriu caminho entre a multido apertada at os fundos do clube. A irm mais nova
de Dan, Jenny, e a amiga Elise estavam sentadas a uma mesa no canto, fumando e
balanando o queixo para a msica com um tdio to estudado que era quase bvio que
andaram praticando na frente do espelho.
Beverly apontou para uma mesa perto da sada de incndio, onde havia um lugar livre.
- Vai nessa - disse ele a Vanessa. Ele se empoleirou na mesa e indicou que ela devia se
sentar. - No tenho certeza do quanto mais dessa coisa posso suportar.
Vanessa apertou os lbios e se sentou. O que isso queria dizer? Que ele no gostava dela?
Que ele no queria morar com ela? No foi assim que ela imaginou. Eles deviam se sentar
juntos em um cantinho ntimo, esbarrando os joelhos e toando cotovelos por acidente e se
aproximando cada vez mais um do outro, o tempo todo fingindo ouvir Dan cantar.
Mas talvez isso fosse parte do problema. Dan no estava cantando nada, s a platia
cantava.
Sente minha falta? Sinto sua falta?
Eu sei, eu sei,
No se trata dessa merda.
ramos como aparar grama...
Parece bom, cheira bem
Mas que dor no rabo!

Dan comprimiu a barriga, arfando no microfone, que ele apertava, os ns dos dedos
brancos, os olhos cercados de vermelho e a boca aflita escancarada como um peixe
moribundo. Um peixe vestido como o rei do MTV Raps, naquela calas baggy esquisitas e
tnis feios, o cabelo todo suado e desgrenhado, e a nuca raspada de forma desigual.
Olha s o que acontece com voc quando a gente termina, pensou Vanessa por um
momento fugaz e triunfante. Mas Dan parecia to ridculo que para ela era quase
constrangedor admitir que o conhecia. Ela olhou para Beverly. Ele estava roendo as
cutculas e batendo o p como quem espera o nibus.
De repente o som distinto de vmito veio  superfcie pelos alto-falantes, e Dan cambaleou
para fora do palco, levando o microfone com ele. A banda continuou a tocar, mais alto
ainda, com Dan vomitando como um infeliz nos bastidores.
Mas que vulgar!
Vanessa tocou o cotovelo de Beverly.
- Talvez seja melhor a gente ir - props, num tom de desculpas. Era meio errado deixar Dan
vomitando nos bastidores quando eles foram to ntimos, mas foi ele quem quis
ser um astro do rock. Alm disso, naquele exato momento, devia haver uma gangue de
tietes louras dos Raves passando uma toalha fria e molhada na cabea de Dan e lhe dando
gua mineral de colher. Ele no precisava mais dela.
Beverly assentiu e desceu da mesa.
- Tem uma festa que meus amigos da Pratt esto dando desde maro. Vamos dar uma
olhada.
Ele pegou a mo dela e pela primeira vez Vanessa percebeu que faltava o ltimo pedao do
dedo mdio da mo esquerda dele.
Eca?!
Ela procurou no olhar e deixou que ele a puxasse e a colocasse de p. Se ao menos Dan
voltasse para o palco por tempo suficiente para v-la saindo com outro cara. Mas o clube
estava abarrotado demais para flagras em ex-namoradas, e alm disso Dan estava bastante
ocupado.
Novamente o som do vmito de Dan chegou aos alto-falantes, quase abafando a msica.
Um pequeno conselho, cara: todos ns sabemos o quanto voc  apegado a esse microfone,
mas da prxima vez que vomitar, por favor, deixe-o para trs!

traduzido  melhor

Para sorte de Dan, Damian e os outros membros da banda tinham confiana e senso de
humor suficientes para no ficarem totalmente irritados com o fato de o novo vocalista estar
botando as tripas para fora a pouca distncia do palco. Eles tocaram em todo o pequeno
episdio de Dan, cortando sutilmente o som do microfone dele, e depois passaram a uma
antiga msica dos Raves que Dan nunca ouvira antes:
Meu docinho, por voc meus olhos gritam
Lamba as gotas e joga a casquinha foraaaaaa

No surpreende que eles procurassem por um letrista.
O pblico estava enlouquecendo, cantando as palavras com mais paixo do que nunca. Dan
continuava nos bastidores com a cabea entre os joelhos, tentando se lembrar de como
conseguiu entrar nessa situao. Como diabos tinha passado de poeta recluso do ensino
mdio a vocalista com calas baggy de uma banda famosa quando, to obviamente, lhe
faltava o perfil para isso?
Antes do show comear, ele fez o que Damian sugeriu e bebeu um pouco de vodca. T
legal - ele bebeu metade da garrafa, mas em vez de relaxar e lhe dar coragem para a
apresentao, a vodca o deixou totalmente intoxicado, em especial quando combinada com
todo um mao de cigarros.
No digaaaa!
A luz era fraca nos bastidores, e o piso de madeira estava pegajoso de cerveja derramada e
cinzas de cigarro. Dan trincou os dentes quando foi assaltado por outra onda de nusea,
mas apertou os olhos com fora e lutou para melhorar. De repente algum lhe deu um
tapinha no ombro.
- T tudo bem, mon cher. Tome um gole de tonique et voil... fica bem melhorr, nan?
Dan olhou para cima e viu uma garota linda, em seus vinte anos, de p diante dele com uma
garrafinha de tnica Schweppes e um copo com gelo nas mos. Ela serviu a tnica
por cima do gelo e se agachou ao lado dele.
- Toma. Sem limon, t?
Dan no sabia o que dizer. Nunca tinha tomado gua tnica sem vodca, mas a essa altura
tentaria qualquer coisa. A garota tinha os cabelos compridos tingidos de mel e era bem
bronzeada. Vestia um top branco apertado e uma cara saia verde que mal cobria a parte
superior das coxas bronzeadas. Os olhos eram verde-oliva, e a garota tinha cheiro de pinho.
Ele pegou o copo e o colocou na boca, tomando um golinho mnimo, para experimentar.
Seria bem tpico dele se o gole voltasse, espirrando em todo o lindo cabelo da menina. Por
milagre, porm, isso no aconteceu. Ele tomou outro gole, e depois outro,
e a cada gole a cabea dele clareava, mesmo que ligeiramente.
- Chega disso - disse-lhe a garota com firmeza, e pegou o copo. Ela colocou o copo e a
garrafa vazia em cima de um amplificador que no estava sendo usado e se virou para Dan.
- Quando os meninos terminarrem, vo dar uma festa - continuou ela, os olhos verde-oliva
sonolentos e confiantes. - E aflors ns vamos conversar.
Dan assentiu obediente, como se entendesse perfeitamente o que ela dizia. Ele tinha certeza
de que a garota era francesa, e quando ela disse, "E aflors ns vamos conversar", quase
parecia que tinha em mente mais do que um papinho educado. Mas como ela podia ach-lo
atraente naquele estado? Talvez a apresentao dele tenha sido melhor traduzida em outra
lngua.
A garota se levantou, vendo a banda acabar a msica.
- Eles vo tocar mais duas msicas et puis finis, non?  declarou ela.
Dan assentiu novamente. Isso parecia certo. Uma tatuagem circulava o tornozelo bronzeado
da garota.  primeira vista, Dan pensou que a tatuagem era de uma cobra; depois percebeu
que era uma raposa, enroscada na perna, dormindo.
Ah, os poemas que ele podia escrever sobre a raposa se ao menos tivesse uma caneta, um
caderno e um vidro grande de Advil extraforte!
Ele limpou a garganta maltratada pelo cigarro.
- Meu nome  Dan - grasnou ele, estendendo a mo, mas sem ousar se levantar.
A garota sorriu, uma aberturinha sexy aparecendo entre os dentes da frente. Depois ela se
aproximou, pegou a mo mida dele e se curvou para dar um beijo no rosto molhado.
- Eu sei quem voc  - murmurou ela na orelha dele. - Et je m'appele Monique.
Hmmm, murmurou Dan como um bbado. Havia alguma palavra em francs para gostosa?

yale ama nova York

Stanford Parris III morava em uma cobertura no nmero 1.000 da Park Avenue, no
Carnegie Hill, um dos prdios mais elegantes e mais antigos do Upper East Side. Mas o
mobilirio Chippendale, a tapearia medieval e a coleo de escultura britnica do sculo
XVIII do Sr. Parris no foram percebidas pela maioria dos convidados, inclusive os Van
der Woodsen.
Eles estavam acostumados com tal elegncia, e isso s os fazia se sentir mais  vontade.
- Meu neto queria fazer a festa em um hotel - confidenciou Stanford Parris III ao Sr.
Van der Woodsen, enquanto trocavam um aperto de mos. - Ou no Iate Clube. - Ele piscou
para a me de Serena. - Mas eu no ia deixar passar a oportunidade de receber tantas
mulheres bonitas em minha prpria casa!
A me de Serena deu seu gracioso sorriso de pode-me-dizer-o-que-quiser-seu-velho-
pervertido-que-eu-nunca-vou-perder-a-pose, e Serena riu. Talvez o velho Stan Parris
no fosse afinal to ruim. Ela apertou a mo do idoso aristocrata da Nova Inglaterra e
depois ficou na ponta dos ps e deu um beijo de flerte na bochecha velha e enrugada dele,
s para irritar os pais.
-  como eu digo - exclamou o Sr. Parris. - Yale certamente sabe o que est fazendo!
- Calma, vov - alertou um louro alto com uma covinha adorvel no queixo e mas do
rosto maravilhosas. Lembre-se de que tem um corao fraco - ralhou o rapaz como av.
- No  com o meu corao que me preocupo - disse o Sr. Parris, amuado. Ele segurou o
rapaz pelo ombro com a mo enrugada. - Srta. Serena van der Woodsen, este  meu neto,
Stanford Parris V.
Como se algum ligasse para quantos Stanford Parris existem.
Serena esperava que o rapaz ficasse corado de to sem-graa e murmurasse alguma coisa
do tipo s "Stan" seria timo, mas ele no fez nada disso. Obviamente ele achava que seu
ttulo era a melhor coisa do mundo. Do que o chamavam na escola?, perguntou-se ela.
Nmero Cinco? Stan 5?
- Aqui est seu crach, querida. - A Sra.Vander Woodsen colou nos peitos de Serena uma
etiqueta do tamanho de um pra-choque com Serena van der Woodsen, ingresso no outono
em marcador azul, feito um suti sem alas horrendo com adesivo no verso.
Serena fingiu no se importar.
- Obrigada, me - disse ela, colocando as mos em concha sobre o peito para suavizar o
crach. Todos os homens presentes soltaram um pequeno arfar, todos loucos para ir para
os alojamentos coletivos de Yale no ano seguinte.
Eles chegaram cedo e a festa ainda estava fraca. Meninos de terno e gravata Hugo Boss e
meninas de saias longas Tocca e blusas abotoadas escondiam-se ao lado dos pais, sorrindo
com desconforto e bebendo champanhe. Toda a cena fez Serena se sentir como se fosse o
primeiro dia de baile da escola, nos tempos da 5a srie.
Algum colocou a mo no ombro de Serena e ela se virou. Era a Sra. Archibald, a me
francesa, dramtica e meio louca de Nate. O cabelo tingido de mbar tinha sido disposto em
uma massa de cachos em cascata, e os lbios finos estavam pintados num vermelho feroz
de carro de bombeiro. Em torno do pescoo, havia seis filas de prolas cor-de-rosa, e
prolas da mesma cor adornavam cada orelha. Apesar dos saltos 9 Christian Louboutin, ela
era surpreendentemente baixa, vestida em um tomara-que-caia longo Oscar de la Renda de
seda cor de estanho e portando uma bolsinha dourada e binculos de ouro para pera -
obviamente s deu uma parada na festa a caminho do teatro. Ela beijou Serena rapidamente
no rosto.
- Voc viu meu filho? - sussurrou no ouvido de Serena, os olhos verdes faiscando.
Serena sacudiu a cabea.
- No. Mas a Blair... - Ela parou de repente, perguntando-se se a Sra. Archibald realmente
queria saber que Blair e Nate estavamjuntos numa sute do Plaza Hotel, transando pra
caramba. - J tentou o celular dele? - perguntou ela em vez disso.
A Sra. Archibald bateu as pestanas e acenou os binculos de pera no ar.
- Deixe para l, querida - suspirou ela, antes de se afastar para encontrar o marido, o
almirante.
Stan 5 ainda estava parado ali como se fosse bvio que o louro bonito e a mais linda loura
da sala devessem conversar. Uma mulher de uniforme preto do buf entregou a Serena
uma flte de champanhe.
- Onde est o seu crach? - perguntou Serena a Stan 5, olhando a camisa preta que foi
deixada desabotoada e sem gravata.
Como ele  rebelde.
Ele sorriu e deu um pigarro.
- No acho que precise de um.
Ah, mas ento como  que todo mundo vai saber quem voc ?
Serena j estava para sair da festa - ela apareceu e ficou dez minutos, o que mais os pais
dela queriam? Mas o velho Sr. Parris veio se arrastando para falar com ela novamente, e
ela no quis ser rude.
- Sua me acaba de me contar que atriz maravilhosa voc  - irrompeu ele em seu incrvel
sotaque da Nova Inglaterra. Ele ajeitou a gravata-borboleta vinho e azul-marinho. Sabe
de uma coisa, eu protagonizei 19 produes quando estava em Yale. Naquela poca, a
universidade era s para homens. Tenho umas fotos antigas, se quiser dar uma olhada.
- Francamente, vov - interferiu Stan 5 num esforo para calar a boca do av.
- Na verdade, eu adoraria - respondeu Serena com um interesse autntico. No havia nada
que ela gostasse mais do que ver fotos antigas. Ela adorava as roupas elaboradas, os
penteados bufantes dramticos, como todo mundo usava chapu e luvas, e bolsas que
combinavam com os sapatos.
Stan 5 franziu a testa confuso, como se no acreditasse que Serena estava prestes a troc-lo
pelo av enrugado. Ela sorriu para ele do mesmo jeito gracioso que a me sorrira para o av
dele, e depois seguiu o velho Sr. Parris pelo apartamento e por um corredor estreito at a
biblioteca. A perna direita dele parecia estar criando dificuldades, fazendo com que ele
capengasse para a esquerda, e ela segurou o cotovelo do blazer de listras cinza por medo de
que ele casse.
A biblioteca de Parris era decorada em marrom chocolate com toques de azul-marinho e
flor-de-lis dourada. Candelabros de cristal pendiam do teto e quatro poltronas de couro
marrom chocolate estavam em torno de uma mesa de carteado antiga com uma pintura
ornamental.
- Aqui sou eu em Hamlet - apontou o Sr. Parris para uma grande foto em preto-e-branco
pendurada acima do consolo da lareira. Serena esperava ver um jovem Sr. Parris numa
armadura completa, parecendo feroz e altivo. Em vez disso, uma bela jovem com um rosto
fino e comprido e uma fenda distinta no queixo estava deitada de olhos fechados, as
pestanas longas e as mos cruzadas no peito, um colar de margaridas adornando o cabelo
solto.
-  o senhor? - perguntou Serena, surpresa.
O velho riu.
- Eu era muito garoto na poca. Eles me obrigaram a interpretar Oflia.
Serena encarou a fotografia.
- O senhor era meio gata.
O Sr. Parris deu um tapinha na mo dela.
- Tambm penso assim.E eu era muito melhor morrendo do que os outros colegas. - Ele foi
at o bar no canto, encheu dois copos de cristal com usque e os colocou na mesa
de carteado. Depois puxou da estante um lbum com capa de couro verde surrado. Ele
folheou as pginas do lbum e apontou para uma das poltronas de couro. - Tenho centenas
de fotografias - alertou ele a Serena.
Serena se sentou e tomou um gole do usque. Depois se recostou na poltrona, enfiou os ps
sob o corpo e pegou o lbum. Ela se sentia  vontade, aconchegada e genuinamente
interessada em ver as velhas fotos em Yale de Stanford Parris III. E,  medida que passava
as pginas lentamente, examinando as maravilhosas imagens em preto-e-branco de um
jovem Sr. Parris e seus lindos colegas de Yale ensaiando no palco, Serena percebeu que no
tinha pensado em atuar na universidade. Ela podia at se imaginar interpretando Oflia,
como fizera o Sr. Parris, tremulando os olhos fechados e murchando como uma flor na hora
de morrer.
- Aqui sou eu em Kiss Me Kate. - O Sr. Parris apontou uma foto da mesma beleza de rosto
comprido fitando a cmera, os olhos escuros faiscando, a covinha no queixo erguendo-se de
desdm. - Essa Kate era uma bruxa.
Serena analisou a fotografia. O Sr. Parris de Kate a fazia se lembrar de algum que ela
conhecia, mas ela no conseguia situar.
Vamos dar uma dica. O nome comea com B.
Ela continuou a folhear as fotos, a mente disparando. Yale era a nica universidade que no
a havia assediado com e-mails atrevidos e correspondncia de fs excessivamente
ciumentos. At os Whiffenpoofs - o grupo de cantores a capella exclusivamente masculino
de Yale, com quem ela se encontrara no ms passado, teve a decncia de no mandar
nenhum e-mail para ela todo dia perguntando quando ela pretendia chegar ao
campus para que eles a ajudassem com a bagagem ou a levassem para tomar um caf ou o
que fosse. E eles certamente no perguntaram a ela sobre Damian, dos Raves, que ela nem
conhecia.
O Sr. Parris deu um tapinha no joelho de Serena.
- Voc tem o rosto de uma protagonista  acrescentou ele. - Yale sabe o que est fazendo.
- O senhor acha? - respondeu Serena entusiasmada. De repente, sair da festa de Yale para
ver o show dos Raves parecia totalmente desnecessrio. E, em respeito ao velho Sr. Parris,
ela quase queria ter usado mesmo a roupa azul e cinza que a me colocara sobre sua cama.
Ela seria a maior protagonista de teatro da Universidade de Yale desde Stanford Parris III.
New Haven ficava to perto de Nova York que ela ainda podia
trabalhar como modelo e, com um pouco mais de experincia como atriz, podia at
conseguir um papel num filme! Blair ficaria totalmente emocionada se elas fossem para a
universidade juntas - no que ela fosse dizer alguma coisa at que Blair descobrisse que
tinha sado da lista de espera de Yale. Blair podia ser meio irracional quando Serena tinha
algo que ela prpria queria.
Meio?!

penetra de festa encontra um irmo espiritual

- Uma alma corajosa. - Um louro alto de camisa preta aberta na gola recebeu Blair
enquanto ela saa do elevador sozinha e entrava no country clube do apartamento de
Stanford Parris III. - Todos os outros foram arrastados para c pelos pais. Um cara at
furou, ento os pais dele tiveram de vir sozinhos.
Adivinha quem foi?
- A propsito, eu sou Stanford Parris V. - O rapaz estendeu a mo e abriu um sorriso
orgulhoso que parecia dizer, "Como se voc no soubesse disso".
Blair retribuiu o sorriso. Ela adorava homens com ttulos, em especial louros altos com
lindas covinhas no queixo, ainda mais os que iam para Yale no ano que vem.
- Blair Waldorf- disse ela, apertando a mo dele. Ela mexeu no pingente Cartier gravado no
pescoo -, aquele que tinha roubado da irm mais nova. Era uma simples plaquinha
com um nome, s a palavra Yale em itlico dourado, presa com uma fita de cetim azul no
pescoo de Blair. - E onde esto seus pais? - perguntou ela.
- Na Esccia. Temos um castelo l - vangloriou-se Stan 5 casualmente.
Blair riu.
- Ns tambm! Minha tia mora l.
Ai, no  lindo? Se eles se casassem e passassem a lua-de-mel na Esccia, podiam brincar
de castelinho!
- Alis, esta festa  do meu av. S estou aqui para... Stan 5 se interrompeu e deu um
pigarro, como se momentaneamente tivesse se esquecido do motivo para estar ali. Ou
talvez ele estivesse bbado demais de usque. - Para deixar nossa turma animada para o ano
que vem - explicou ele por fim.
Blair apertou os lbios com brilho. O neto de Stanford Parris. Ela esbarrou no membro mais
novo de uma das famlias mais influentes de ex-alunos de Yale sem sequer tentar!
Se algum podia tir-la da lista de espera e coloc-la em Yale, era ele.
Stan 5 apontou o pingente de Yale no pescoo de Blair.
- Isso  incomum - observou ele. - Acho que voc est mesmo animada para o ano que vem,
no ?
 uma maneira de dizer.
Blair corou. Havia se preparado para esse tipo de pergunta. "Meus pais fizeram para mim
depois que eu soube que tinha entrado", era o que planejava dizer. Mas agora ela optou
pela verdade. Blair ficou na ponta dos ps e ps a mo em concha na orelha aristocrtica de
Stan 5.
- Na verdade no entrei ainda - cochichou ela.  Fiquei na lista de espera.
- Bom, vamos ver o que podemos fazer a respeito disso disse Stan 5, com um sorriso
simptico. Ele pegou duas fltes de champanhe de uma bandeja que passava e deu uma
a Blair. Eles brindaram e um arrepiozinho percorreu a coluna dela. Ia ter sorte, ela sabia
disso.
De vrias maneiras!
De repente houve um rufar de tule e a me de Nate a envolveu em um abrao saturado de
Chanel N 5.
- Querida, onde est Nate?- perguntou a Sra. Archibald em seu dramtico sotaque anglo-
francs.
Boa pergunta.
Blair no queria ter que explicar a Stan 5 quem era Nate e no queria que a me de Nate
pensasse que ela no conseguia manter o namorado sob controle. Mas tambm no queria
que ela desconfiasse de que estava escondendo alguma coisa. Afinal, ela tambm estava
morrendo de vontade de saber onde Nate estava - assim ela podia soltar os cachorros nele.
- Estou hospedada no Plaza, ento no tive oportunidade de ver meus recados em casa -
respondeu ela. - Talvez o celular dele tenha quebrado ou coisa assim, porque ele nunca
atende.
- Eu sei. -A Sra. Archibald apertou com fora os lbios vermelhos. - O jardineiro encontrou
o celular dele no terrao. - Ela ergueu com desconfiana as sobrancelhas severamente
maquiadas. - Tem certeza de que ele no est no Plaza com voc?
Blair olhou sem-graa para Stan 5 e depois balanou a cabea, recusando-se a responder 
pergunta em voz alta. Que coisa constrangedora ter de admitir  me do namorado que na
verdade no, voc no conseguiu tranc-lo em um quarto de hotel para ter dias de um sexo
selvagem e apaixonado. Na verdade, este plano tinha furado totalmente.
- Bem, que seja. - A Sra. Archibald deu dois beijos no rosto de Blair e sorriu duro como
quem diz, "Eu no acredito em uma palavra do que est dizendo, mas estou atrasada para
a pera, ento, c'est ta vie". - Se voc o encontrar, querida, diga-lhe que a me e o pai dele
esto aborrecidos com ele e que fomos ver La Boheme.
Blair cruzou as mos nas costas e assentiu devidamente. Onde estava Nate, porra? Ela viu o
pai de Nate ajudar a Sra. Archibald com o capelet de seda Oscar de la Renta e depois
acompanh-la at o elevador. Ela pensou em ir at l para cumpriment-lo, mas o almirante
Archibald era famoso pelo mau humor e, se estava irritado com Nate, provavelmente era
melhor ficar longe dele.
Alm disso, Blair tinha coisas mais importantes para fazer. Tipo paquerar o Sr. Eu-posso-
colocar-voc-em-Yale V.
Blair percebeu que ele estava usando o que parecia um anel antigo com a insgnia de Yale.
-  do meu av - explicou Stan 5. - Ele me deu quando entrei. Yale  tipo a vida do meu
av. Vou te apresentar a ele, mas ele sumiu no estdio com uma loura linda e s Deus
sabe quando vo sair. No que ele seja um pervertido nem nada disso. Provavelmente s
est matando a garota de chatice com as histrias dele de Yale.
Os olhos de Blair varreram a sala.A "loura linda" parecia suspeitamente Serena. O velho Sr.
Parris era na verdade um provedor de Yale e muito mais influente do que o neto. Era
tpico de Serena monopolizar a nica pessoa na casa que podia coloc-la em Yale de uma
vez por todas.
Um homem de uniforme de buf pegou as taas de champanhe vazias e lhes entregou novas
taas.
- A Yale - disse Stan 5, antes de brindar com ela.
Blair remexeu no pingente no pescoo e tomou a bebida, perguntando-se se devia pedir
para ser apresentada ao av dele. Stan 5 deu um passo na direo dela e baixou o queixo
aristocrtico.
- No se preocupe - murmurou ele tranqilizador, como se lesse os pensamentos dela. -
Vov e eu somos muito prximos.
Blair agarrou a haste da flte e bateu as pestanas, desejando que seu rosto no ficasse
vermelho-retardada. Que sorte ela teve de pegar o Stanford Parris mais novo e mais gato
enquanto Serena estava presa com o velho mofado!
- Eu dei um beijo no meu entrevistador de Yale  confidenciou ela antes que conseguisse se
deter. No era exatamente uma coisa de que ela se orgulhasse. Mas ela queria que Stan 5
soubesse os problemas que podia enfrentar.
Stan 5 sorriu de prazer.
- O vov reserva um quarto para mim ali no corredor. Tenho toda a coleo de catlogos de
Yale ali. Quer dar uma olhada?
Blair deu uma risadinha irrefletida. Que maravilha conhecer um cara que era to
loucamente entusiasmado por Yale quanto ela prpria. Ansiosamente, ela seguiu Stan at o
quarto dele. Estava doida para beijar esses catlogos.
Beijar?
Por que no, quando Blair tinha mais em comum com Stanford Parris V do que com
qualquer outro garoto que j conhecera, inclusive o babaca sumido do namorado, que de
qualquer forma j estava em Yale e no tinha solidariedade nem utilidade nenhuma?
Bom, que seja. Acho que, afinal de contas, ela quis mesmo dizer beijar.

n abandona o barco

- Epa, acho que estou ganhando. - Lexie deu uma risadinha, colocou outra metade de Oreo
na boca.
- Essa foi boa - respondeu Nate, sem sequer tentar afastar a boca achocolatada de Lexie.
Foi idia de Lexie fumar outro baseado ejogar xadrez com Oreos, ento ela estabeleceu as
regras: toda vez que pegasse uma metade branca de Oreo com os Oreos inteiros dela, ela
comia a metade do Oreo e dava um beijo na boca de Nate.
Nate na verdade no ligava para o jogo, o que significava que ele estava meio que deixando
Lexie vencer, mas beij-la no convs, onde todo mundo estava zanzando, parecia mais
seguro do que ficar sentado sozinho com ela no cesto de gvea, onde uma coisa podia levar
a outra e...
At parece que ele realmente teria deixado alguma coisa grande acontecer. N?
Como sempre, Nate estava sofrendo da Maldio de Blair. Sempre que ficava com outra
garota, s podia pensar em Blair e em ficar com Blair, o que o deixava meio culpado e
excitado ao mesmo tempo, o que tornava a situao simultaneamente difcil de pegar e
difcil de largar.
Ele ficou de olhos abertos enquanto Lexie o beijava, fazendo contato visual com Jeremy do
outro lado do convs, que estava beijando uma menina de cabelo castanho comprido
e braos gordos que Nate nunca vira na vida. De repente Nate sentiu como se estivesse na
quinta srie, em uma daquelas festas onde todo mundo s ficava por ali se beijando porque
achava que era o que devia fazer, embora fosse meio nojento chupar a lngua de uma
menina por, tipo assim, uma hora, sem um copo de gua nem nada. Exceto por aquela vez
com Blair no armrio de Serena em uma festa da sexta srie - ou foi na quarta? Eles se
beijaram e conversaram por tanto tempo que Serena teve que arrast-los para fora ou eles
perderiam a festa toda. Se ao menos Blair de repente aparecesse ao lado do Charlotte num
bote pequeno e gritasse para ele ir se foder naquele tom sexy e meio piranha que ela usava
quando s estava meio furiosa com ele. Onde Blair estava, afinal?, perguntou-se ele numa
confuso de chapado e insone. Por que no estava com ele?
Oi-! Algum em casa? Acorda!!
Lexie tinha os olhos fechados e a respirao pesada enquanto chupava os lbios dele. A
lngua dela tinha gosto de chocolate e cerveja, o que no era uma combinao muito boa.
Nate estava louco para empurr-la do colo e descer o convs para tomar uns copos de gua.
Ele mal podia esperar para contar a Blair que, apesar desse pequeno interldio turbulento,
tudo ia ficar bem depois que ele voltasse das Bermudas, ou de Nova Jersey, ou sei l de que
merda aonde tinham ido.
O olhar dele passou para estibordo. O sol estava baixando e eles finalmente entravam no
oceano. A gua escura estava tranqila e alguns barcos de pesca cintilavam no horizonte.
Nate no verificava o sistema de navegao do barco h horas. O Charlotte estava
navegando no piloto automtico desde que eles tinham partido, mas uma vez que ele era o
nico que sabia como navegar e era meio responsvel pela segurana de todos a bordo, ele
pensou que talvez fosse melhor dar uma olhada.
, talvez.
Ele empurrou Lexie e sussurrou numa voz rouca no ouvido dela.
- Tenho que pilotar o barco.
Ela deslizou do colo dele, colocou outro Oreo na boca e deu um belisco no bceps de Nate.
- Que garanho. Sabe de uma coisa, eu sempre quis ir para as Ber-muuudas.
Nate foi at a cabine do capito, pulando os companheiros de viagem prostrado, chapados,
bbados e meio adormecidos. Um garoto de sua turma de religio estava usando um dos
coletes salva-vidas laranja do Charlotte enquanto tocava uma gaita e cantava uma msica
antiga de Neil Young:
Helpless, helpless, helpless, helpless.
Nate lembrou-se com um arrepio do filme Titanic  que Blair o fez ver no uma, mas
quatro vezes - pouco antes do navio afundar.
Charlie e Anthony tinham se trancado na cabine e estavam sentados de pernas cruzadas no
cho, dividindo um cachimbo de haxixe. Tinham tirado a camisa e tentavam ver quem
podia projetar mais a barriga - um concurso ridculo, uma vez que suas barrigas eram to
achatadas que quase chegavam a ser cncavas.
- E a - Anthony recebeu Nate. - A gente estava se perguntando... Tem surfe nas Bermudas?
- Porque a gente devia ter trazido nossas pranchas acrescentou Charlie.
Nate sacudiu a cabea, ignorando-os. O ar na cabine estava to enfumaado que ele mal
podia ler os monitores. Pelo que podia saber, porm, estavam quase em Cape May, o que
significava que, se viajassem a uma velocidade de cruzeiro normal em vez de a 0,5 milha
por hora, s levariam pouco mais de trs horas para voltar ao porto de Nova York. Ele
ancoraria o barco e iria direto para o Plaza.
Com apenas um dia inteiro de atraso.
Nate verificou a tela onde o Charlotte recebia mensagens de texto  principalmente
comunicaes de outros barcos ou portos. Havia 37 mensagens de texto de AdArch
nextel.net, o celular do pai.
NATHANIEL, SUA ME E EU ESTAMOS NA PERA.
NATHANIEL, VOLTE COM O BARCO.
ALERTEI A GUARDA COSTEIRA E ELES FORAM INSTRUDOS A PREND-LO.
NATHANIEL, SUA ME EST MUITO ABORRECIDA.
VOLTE COM O BARCO, FILHO.
E assim por diante.
- Merda. - Nate podia imaginar a me derramando lgrimas em todo o traje preto de noite
no camarote da famlia no Metropolitan Opera enquanto o pai golpeava furiosamente o
celular. Mas a me sempre chorava na pera; fazia parte de todo o ato de princesa-francesa-
dramtica dela.
Todas as mensagens foram enviadas nas ltimas duas horas, ento os pais no estavam
pirando h muito tempo. Normalmente o tom carrancudo do pai o teria apavorado, mas ele
estava mesmo procurando uma desculpa para abortar a misso e voltar para Blair. Agora
havia uma.
Ele voltou  tela de navegao e entrou com os pontos de longitude e latitude do porto em
Battery Park City, escritos no quadro-negro na parede da cabine em giz amarelo. Ele
apertou "enter" e imediatamente o motor do barco passou para ponto morto. Depois a proa
imergiu e girou at que o barco deu uma guinada completa de 180graus, voltando para o
porto de Nova York. Ele digitou o comando para aumentar a velocidade para 30 milhas por
hora e olhou o relgio: 20h29. Estaria na cama com Blair por volta da meia-noite.
- Ei, o que  que t pegando, cara? - perguntou Anthony de seu lugar no cho da cabine. -
Est fazendo o dever de casa ou o qu?
Nate sorriu e sacudiu a cabea, desfrutando do prazer de ser fumante passivo. Blair ficaria
to emocionada em v-lo novamente que o perdoaria. E ele no teria nenhum problema
para faz-la perdoar.
Supondo-se que ela estivesse esperando por ele. E supondo-se que estivesse sozinha...

irmzinha desvirtuada

- Tirem os sapatos! Tirem os sapatos! Tiiii-reeem os saaaa-paaatooos! - Damian guinchou
no microfone. Era o ltimo refro de "Restaurante japons", o mais recente single de
sucesso escrito por Dan Humphrey e a ltima msica no repertrio do show dos Raves.
- Se a gente sair de fininho agora - murmurou Elise -, deve conseguir um txi antes dos
outros.
- Quem falou em sair?
Jenny acendeu outro cigarro, ignorando-a. Ela queria ficar ali at que a multido diminusse
e dar uma olhada melhor em Damian. Ver se o cabelo louro-arruivado ficava eriado
sozinho ou se estava emplastrado de gel. Ver se os dentes dele eram mesmo to
perfeitamente brancos e retos como pareciam de onde ela estava sentada. Ouvir o sotaque
irlands que lhe conferia tanta fama. E aqueles msculos dos braos! O baterista dos Raves
ainda era bonitinho, mas Jenny tinha de admitir que Damian era totalmente gato. Ele tinha
uma energia incrvel, como se fosse uma corda retesada. Se ela ficasse, talvez Dan at os
apresentasse, ela podia deixar passar que era amiga de Serena e descobrir se eles realmente
estavam juntos ou no.
Isto , se Dan ainda estivesse vivo.
Zoing! Damian puxou a ltima corda da guitarra e atirou o instrumento para a multido,
como todos sabiam que ele fazia. Depois ele subiu pelo poste usando s as mos,
flexionando aqueles msculos fantsticos dos braos, e desapareceu.
- Acabou o show - zombou o baterista. Ele se levantou todo rgido, pegou uma garrafa de
cerveja de baixo da bateria e bebeu. Depois baixou a garrafa e esticou o pescoo, como se
estivesse procurando por algum no pblico.
A pele de Jenny formigou. Ela?
Pera, ela j no o havia superado?
- A gente tem que ir - repetiu Elise. Ela se levantou e pegou a blusa de Jenny. - Todo
mundo vai ficar brigando pelos txis.
O baixista comeou a desplugar as coisas e desmontar o equipamento. O baterista arrotou
com irreverncia em um dos microfones.
Que vulgar.
Jenny deu uma risadinha como se esta fosse a coisa mais linda e adorvel que ouvira na
vida.
- Pode ir, se quiser, mas eu no vou embora - disse  amiga. Ela devia passar o resto do fim
de semana na casa de Elise, mas oportunidades como essa no apareciam com muita
freqncia.
Oportunidades de conhecer astros famosos do rock, ou oportunidades de ser desagradvel
ao mximo?
A multido comeou a se dispersar. Alguns foram ao banheiro; outros saram pelas portas e
foram para a rua. Elise adejava ao lado da mesa, insegura. Jenny deu outro trago
desajeitado no cigarro e balanou o p. E depois, de repente, l estava ele, na frente dela - o
baterista.
Ele no era Damian, mas era quase to bom.
- Oi, meu nome  Lloyd. - Os ns dos dedos estavam enrolados em esparadrapo pudo,
como um boxeador, e o cabelo preto e curto e a camisa Lacoste verde e rosa de, mauricinho
estavam ensopados de suor. - Voc  a irm do Dan, no ? Jennifer?
Jenny assentiu. Ela adorava quando as pessoas a chamavam de Jennifer. Embora ela
preferisse que ele tivesse dito, "Voc  Jennifer, aquela modelo estonteante que saiu na W
deste ms, no ?"
- Como voc sabe? - perguntou ela, embora soubesse a resposta. Apesar do fato de ela se
vestir melhor do que Dan e ser quase 20 centmetros mais baixa e ter um peito muito maior,
eles eram quase gmeos fraternos.
S que ela tambm era trs anos mais nova do que Dan. No que ela fosse contar isso ao Sr.
Baterista.
- Seu irmo disse que a linda irm dele estaria aqui respondeu Lloyd com uma expresso
sincera. Ele olhou para Elise, que ainda estava de p ali, remexendo no zper da bolsa
Banana Republic como uma nerd total. - Sabe o Marc, nosso baixista? Ele tem tara em
hotis antigos e grandes  continuou Lloyd. - Mas a, ele reservou uma sute no Plaza hotel.
Vamos nos reunir l, se quiser vir.
Jenny deixou o cigarro cair no cho. Ela quase tinha se esquecido de que o segurava.
- Total! - exclamou ela com mais entusiasmo do que pretendia. - Quer dizer, meu irmo vai,
no ? - No que ela realmente ligasse se Dan iria. Ela s no queria parecer o tipo
de garota que entra em quartos de hotel com caras estranhos de bandas de rock o tempo
todo.
Ah, t.
- Faltam dez minutos para o toque de recolher. Eu tenho que ir para casa - insistiu Elise. Ela
olhou para Jenny como quem diz, "esta  sua ltima chance".
- Tudo bem. Bom, eu te ligo amanh  respondeu Jenny. Ela estendeu o mao de cigarros a
Elise, mas Elise o rejeitou.
- Voc pode precisar deles - disse ela, antes de se virar e partir.
Jenny sabia que devia sentir uma pontada de culpa por no ir embora com a amiga, mas
como poderia desperdiar uma oportunidade dessas? A pior coisa que podia acontecer era o
pai dela descobrir, mas ele nunca era muito bom nos castigos e, alm disso, Elise jamais
contaria. Ela juntou os joelhos com fora e sorriu para Lloyd com uma empolgao
nervosa. Ele estendeu a mo enfaixada e a colocou de p, puxando-a.
O clube tinha voltado ao estado de normalidade. As pessoas batiam papo em voz baixa,
com suas cervejas, enquanto o novo disco de Franz Ferdinand tocava no sistema de som.
Dan agora estava sentado na beira do palco, ao lado de uma garota bronzeada muito bonita
com cabelos cor de mel, aninhando uma garrafa de gua tnica Shweppes. Ele parecia
totalmente abatido, mas a garota estava falando, rindo e sorrindo como se Dan fosse o cara
mais interessante que conhecera na vida.
- Mas que porra, a Yoko voltou - sibilou Lloyd  medida que eles se aproximavam.
- Quem? - perguntou Jenny, curiosa. A garota vestia uma minissaia verde jade supercurta e
suas pernas nuas eram luxuriantemente longas e bronzeadas, como as de uma modelo
de protetor solar Bain de Soleil.
Um enorme sorriso falso se espalhou pela cara de Lloyd.
- Deixa pra l - respondeu ele entre os dentes brancos brilhantes. - Voc vai ver.
A garota bronzeada saiu do palco saltitando e deu dois beijos no rosto de Jenny.
- Dan dit que voc  a irrrm mais nova dele  disse ela, com um forte sotaque francs. -
Tenho tanta inveja dos seus peitos liiiindos! - Ela estendeu as duas mos e deu um aperto
forte em cada um dos peites de Jenny.
Fon-fon!
-  to de mulherrr, non?
- Monique, eu no... - Dan comeou a alert-la.
- Obrigada - interrompeu Jenny, surpreendendo a todos, inclusive a si mesma. Ela sempre
foi extremamente sensvel com relao aos peitos, com bons motivos, mas a pequena
exploso de Monique parecia um autntico elogio francs. Alm disso, ela no se
importava realmente que Damian e Lloyd agora tivessem cincia de que seus peites eram
os maiores do ambiente.
- Jennifer, esta  Monique. Monique, Jennifer. Lloyd fez as apresentaes. - Monique  a
mul...
- De visita de St. Tropez - interrompeu-o Monique, os olhos ardendo com um jeito que
dizia, "cala a boca, idiota!". - Voc vai no Plaza Hotel com a gente?  perguntou ela a
Jenny.
- No, ela tem que ir para casa- balbuciou Dan.  Est tarde. -Ele deu uma olhada no clube
com os olhos toldados. -No est?
Bom, a roupa dele definitivamente estava cansada.
Lio nmero dois da irm mais nova: nem pense em dizer a ela o que fazer.
- De jeito nenhum - Jenny corrigiu o irmo. - Eu vou tambm.
Damian desceu pelo poste e se juntou a eles. Ele trocou de roupa e agora usava um abrigo
verde-oliva com os dizeres ME ESPREME no traseiro da cala branca.
- Todo mundo pronto para aprontar, n?  perguntou ele, dando tapinhas nas costas de Dan
e Lloyd.
Monique abriu para ele um sorriso doce de s-suporto-voc-porque--famoso e enganchou
o brao possessivamente no de Dan.
Lloyd pegou Jenny e a apertou numa espcie de abrao de urso triplo com Damian.
- Damian, essa  a Jennifer. Jennifer, esse  o Damian.
Jenny estava to empolgada que era bom que Lloyd a estivesse abraando com tanta fora,
ou ela teria desmaiado. Damian arfou exageradamente de deleite, um gay assumido
descobrindo a mais linda capinha de chuva para ces que vira lia vida. Depois ele deu um
beijo na ponta do nariz de Jenny.
Ento talvez ele no fosse namorado de Serena.
- Por que Danny e Monique no pegam a limo? O resto de ns pode se espremer num txi -
props Damian.
- Eu posso me sentar no colo de algum - ofereceu-se Jenny.
-  claro que pode - disse Lloyd.
-  claro que pode - concordou Damian.
 claro que ela pode.

no h ningum aqui a no ser ns, os bobalhes

- Fiz mais cursos avanados do que qualquer pessoa na minha turma e minha mdia  A -
queixou-se Blair.
- Ento voc devia ter se candidatado  admisso antecipada - aconselhou Stan 5.
- Mas eu no entendo. Eu dei um beijo no meu entrevistador - Blair sussurrou alto,
parecendo um disco arranhado.  Minha conselheira acadmica disse que no havia como
eles aceitarem antes.
Stan 5 deu de ombros.
- Um grupo menor de candidatos. Mais chances de brilhar.
Blair trincou os dentes para reprimir uma saraivada de imprecaes. Ela pretendia se
candidatar  admisso antecipada de Yale desde que tinha 13 anos. Por que deu ouvidos 
sem-noo da Srta. Glos com aquela peruca e nariz sangrando dela, e no confiou em seus
instintos? E por que no conheceu Stan 5, tipo assim, h um ano, quando ele podia
realmente ter sido til?
Eles estavam deitados de bruos na cama de casal no quarto que o av de Stan 5 mantinha
para ele, e j haviam folheado cada catlogo de Yale desde 1947, rindo das roupas das
pessoas e das frases bregas nas legendas das fotos. Coisas como, "Estamos
vendo voc, garoto!" e "No h ningum aqui a no ser bobalhes!" O quarto era decorado
com parafernlia de Yale: galhardetes da equipe de natao, diploma de bacharelado em
ingls e artes cnicas de Stan III, um artigo de jornal de New Haven mostrando Stan III
como um dos jovens atores mais talentos os de Yale e um carto amarelo da administrao
da Universidade de Yale relacionando cada semestre em que o
velho Stan III fora recebido pelo reitor.
- Parece que Yale  a vida do seu av - observou Blair. Os sapatos dela estavam meio para
fora dos ps e ela os balanava na ponta dos dedos.
Stan 5 rolou e olhou o teto.
-  - respondeu ele de forma vaga.
Blair no sabia o motivo para ele ficar to amuado. Afinal, Yale era a vida dela tambm,
mas ela ainda estava presa na lista de espera.
Stan 5 estendeu a mo e torceu uma mecha do cabelo escuro de Blair no dedo.
- A gente devia parar de falar nisso - disse-lhe ele, soltando o cacho - ou vamos ficar
seriamente deprimidos.
- Mas... - comeou Blair. Exatamente quando eles iam preparar um plano para ela entrar
para Yale?
Stan 5 rolou na cama e pegou os braos dela, puxando-a para ele.
- Vamos parar de falar e ponto final - disse ele, os olhos procurando ansiosos pelo rosto
dela. - Como eu disse, meu av e eu somos mesmo prximos. Ento no se preocupe com
seu ingresso, t legal?
Esta era a parte do filme em que a msica devia ficar mais lenta, as cabeas deviam se
encontrar, e homem e mulher deviam se beijar to apaixonadamente que suas roupas
formariam uma pilha no cho enquanto as janelas se enchiam de vapor. Stan 5 ia coloc-la
em Yale! Mas por algum motivo - talvez fosse a quantidade de parafernlia de Yale nas
paredes e em todo o cho, ou talvez fosse porque ela estava bbada com as quatro taas de
champanhe que bebera na festa para a qual nem sequer fora convidada, ou talvez fosse
porque beijar qualquer um que no fosse Nate parecesse verdadeiramente imprprio  Blair
simplesmente no conseguia fechar os olhos e beijar Stanford Parris V. S o que pde fazer
foi bufar e rir como uma menina de 12 anos.
Ela o afastou, bufando e rindo tanto que perdeu o flego.
- Que foi? - perguntou Stan 5, apoiando-se nos cotovelos. O cabelo louro caa nos olhos e
ele o afastou.
Blair bufou novamente. Sentia-se tonta e confusa e precisava muito de uma conversa de
mulher para mulher com Serena.
- No sei. - Ela se levantou e calou os sapatos. - Hmmm, tenho que encontrar uma pessoa.
A gente se v mais tarde?
Stan 5 pareceu gostar de como Blair era gostosa e preocupada. Ele deu um sorriso torto
para ela e ergueu as sobrancelhas louras.
- Talvez.
Enquanto saa do quarto, Blair tentou se recompor.
Talvez, no. Definitivamente.

as mulheres so mais inteligentes

- Nunca pensei realmente em Hamlet como trgico  Serena viu-se dizendo a Stanford
Parris III. Ela s deu uma lida rpida em Hamlet quando teve que escrever um trabalho para
a aula de ingls, mas sempre foi uma excelente artista da embromao. Mesmo sem ler todo
o texto, percebeu que Hamlet a lembrava de Dan Humphrey, com quem ela ficou no incio
do outono. To aflito e neurtico. - Quer dizer, ele s precisava de um pouco de Zoloft ou
qualquer coisa e provavelmente teria conquistado toda a Escandinvia e teria, tipo assim,
uma esposa em cada pas.
Bom, ol, Srta. Eu-Sei-Tudo-Sobre-Shakespeare.
O Sr. Parris assentiu.
- Wellbutrin.  o que eu tomo.
Como se ela precisasse saber disso.
- Eu gosto de ler - prosseguiu Serena, totalmente bestificada com o que lhe saa pela boca. -
Desde que eu no tenha mais nada para fazer - corrigiu-se ela.
O que significava quase nunca.
- Acho que vou ter problemas para escolher uma especializao. Eu no ia conseguir
decidir entre ingls e teatro. - Ela sorriu e puxou a saia recatadamente por sobre os joelhos.
Desde quando a maior baladeira da cidade se preocupava com a especializao?
- Elementar, minha cara. Por isso eles inventaram a especializao dupla! -. O Sr. Parris
estalou os suspensrios, obviamente deliciado com a oportunidade de transmitir sua vasta
sabedoria a uma garota de beleza e inteligncia to extraordinrias.
De repente Blair irrompeu na sala com uma roupa meio sexy demais para uma reunio
acadmica e usando o pingente de Yale que a me tinha encomendado na Cartier para a
beb Yale. Serena nunca vira a melhor amiga to estranha.
- Graas a Deus te encontrei! - tagarelou Blair sem flego. Ela olhou para o Sr. Parris. -
Desculpe interromper, senhor, mas isto  uma emergncia!
Serena sempre sabia quando Blair estava aprontando alguma ou s estava pirando, porque
as narinas dela abanavam como as de um animal selvagem e ela se esquecia de piscar.
Naquele exato momento, ela parecia um esquilo com hidrofobia. Serena se levantou e
apertou a mo do Sr. Parris.
- Foi um verdadeiro prazer conversar com o senhor, Sr. Parris.
O Sr. Parris se curvou e beijou a mo dela.
- O prazer foi todo meu.
Blair tossiu.  claro que Serena tinha encantado completamente o velho, o que era
totalmente injusto, porque era Blair quem precisava encant-lo.
- Isto  mesmo uma emergncia - revelou Blair com impacincia.
No era exatamente encantadora.
- Tudo bem, estou indo - murmurou Serena. Ela passou o brao pelo de Blair e Blair a
arrastou para o hall da frente apertou o boto do elevador.
- Para onde estamos indo, alis? - perguntou Serena, enquanto as portas do elevador se
abriam.
- Para o Plaza! - guinchou Blair, arrastando-a para dentro.
E acho que podemos dizer com segurana que elas no iam discutir Shakespeare depois que
chegassem l.

e a gente pensava que andy warhol estava morto

Vanessa e Beverly subiram uma rampa cercada que levava ao depsito em Williamsburgh
onde acontecia a festa dos amigos de Beverly. Vanessa podia ouvir a msica vindo l de
dentro - alguma coisa etrea e ritmada que podia ser Bjork, embora ela no tivesse certeza.
Uma mulher abriu a porta de metal preto no alto da rampa e passou por eles com uma
bandana amarela na cabea, meias trs-quartos pretas e tamancos amarelos fluorescentes.
Ela parecia estar chorando e aninhava a mo esquerda no peito.
- Oi, Bethene - disse Beverly, enquanto ela passava.
- O que  aquilo? - Vanessa espiou um balde do que ela esperava que fossem animais de
pelcia muito bem produzidos, colocado no cho na metade da rampa.
- Gatinhos - respondeu Beverly, como se no fosse necessria nenhuma explicao.
A rampa parecia ter sido preparada como uma espcie de vitrine, e havia objetos de arte
aleatoriamente espalhados por ela. Alm do balde de gatinhos, havia uma figura de cera em
tamanho natural de Papai Noel levando um enorme saco plstico transparente cheio de
bonecas Barbie nuas e sem cabea. Aos ps de Papai Noel, havia uma lava lamp com
globos oculares que pareciam reais flutuando por dentro. A rampa era uma espcie de casa
mal-assombrada, s que um pouco mais perturbadora do que isso.
Um pouco?
- Todo mundo aqui  artista - declarou Beverly  e esto dando essa festa desde maro.
Vanessa assentiu, embora no tivesse muita certeza do que ele quis dizer "dando essa
festa". Parecia um pouco com os "happenings" de arte na factory de Andy Warhol na
dcada de 1960 - muita gente legal e artstica colaborando para fazer uma arte estranha que
ningum entendia e que nem era assim to boa.
Quando eles chegaram ao alto da rampa, Beverly empurrou a porta e os dois entraram. O
espao era um enorme depsito, frio e escuro, a no ser pela luz de quatro lava lamps
gigantescas iguais  que eles viram na entrada. Ningum os recebeu, e Vanessa ficou
surpresa em s encontrar umas trinta pessoas ali. Elas estavam sentadas de pernas cruzadas
no cho em pequenos grupos, pintando com os dedos as pginas de velhas enciclopdias e
parecendo totalmente avoadas, como se no dormissem desde que a festa comeou, em
maro. Ningum estava bebendo nada, nem comendo nada, nem falando
nada. Era uma espcie de festa antifesta.
Vanessa viu uma mulher de roupo de banho vermelho felpudo e galochas vermelhas de
borracha cortando um punhado dos cabelos compridos e escuros e largando-os em uma
panela enorme colocada sobre uma placa de aquecimento no cho. Um cara alto, branco e
magrelo, vestindo apenas um bon preto e cueca samba-cano preta, foi at a panela e a
mexeu com uma vareta de madeira.
- Bruce - Beverly cumprimentou o cara com um aceno de cabea. - Esta  Vanessa. Ela faz
filmes.
Bruce concordou com a cabea e continuou concordando por mais tempo do que o normal
enquanto mexia a panela. Vanessa queria desesperadamente ter trazido a cmera de vdeo.
Ela nunca viu nada nem de longe parecido com isso.
- Est aqui para fazer uma doao? - perguntou Bruce.
Vanessa no sabia com quem ele estava falando. Na realidade, pela primeira vez na vida ela
se sentiu completamente perdida. Toda festa a que ia era previsvel a ponto de ser
desesperadamente entediante. Ela sorriu, indagativa, para Beverly. Era meio legal ficar
surpresa.
A msica de repente mudou para a trilha de Shrek 2, e Vanessa se sentiu mais perdida do
que nunca. Ela deu um passo  frente e espiou a panela de Bruce.
- O que  isso?
Bruce ergueu a mo esquerda e agitou os dedos. Faltava a ponta do dedo mdio da mo
esquerda, assim como em Beverly.
- Estou trabalhando em um projeto de regenerao disse Bruce, como se isso explicasse
tudo.
Beverly ergueu a mo esquerda e esticou os dedos feito um leque. No, Vanessa no estava
louca. O dedo mdio dele realmente estava sem a ponta.
- A maioria de ns contribuiu. Mas no tem presso nem nada.
Bom, no  um alvio?
Vanessa no se assustava com facilidade, mas isso estava ficando assustador.
- E o que vocs fazem com os... pedaos e essas coisas... na panela... depois que so, tipo
assim, cozidos ou sei l o qu?
Bruce sorriu e veias azuis se projetaram do pescoo branco. Ele parecia no comer h
meses.
- No se trata de fazer; trata-se de mexer - respondeu ele.
Beverly assentiu daquele mesmo jeito estranho e prolongado que Bruce usara antes.
- Vanessa tem um espao timo - disse ele, a propsito de nada. - Estou pensando em ficar
l por um tempo. Vai ser timo para uma coisa assim - acrescentou ele, ainda assentindo.
De repente Vanessa percebeu que usar a internet para procurar por colegas de apartamento
no devia ser uma idia muito boa. Beverly parecera interessante em princpio, mas ela
quase preferia morar com Dan, apesar de todos os defeitos dele, ou com uma das colegas de
turma mimadas, fteis e obcecadas com moda do que chegar em casa e encontrar uma
panela cheia de dedos e quem sabe mais o que fervendo no fogo. Uma coisa era fazer arte
que as pessoas pensavam que era chocante e bizarra sem realmente tentar ser chocante e
bizarro. Beverly e os amigos estavam na faculdade - ser que no aprenderam nada?
- Est com sede? - perguntou Beverly a ela.  Quer uma gua?
Vanessa percebeu que essa foi a coisa mais legal que ele disse a ela a noite toda. Ela nem
acreditava que tinha se preocupado com os sinais no pescoo, ou que realmente colocou
perfume s para ele. Ela bocejou e olhou o espao enorme em volta.
- No tenho certeza do quanto mais dessa coisa posso suportar - respondeu ela,
reproduzindo o que Beverly havia dito sobre Dan cantando no club. - Vou para casa.
Beverly mordeu o lbio.
- Mas est dando certo. Quer dizer... At agora, no ? - perguntou ele.
- Na verdade, no est, no. - Vanessa imitou o sorriso doce e falso da colega de turma
Blair Waldorf, dizendo telepaticamente ao professor para ir comer merda e morrer quando
estava tentando encontrar uma,desculpa para sair da aula cedo e ir a uma liquidao da
Manolo Blahnik.
- Tem certeza de que no quer fazer uma doao?  perguntou Bruce, ainda mexendo a
panela.
Vanessa abriu a argola do lbio e atirou nela.
- Boa sorte com isso - disse-lhes, virando-se para ir embora.
Beverly e Bruce comearam a concordar com a cabea.
E, pelo que sabemos, esto fazendo isso at agora.

o que as meninas realmente fazem a portas fechadas em quartos de hotel

- Lembra de quando estvamos na 5a srie e a gente praticava beijo nos travesseiros? -
Serena enterrou a cara em um dos travesseiros fofos de penas de ganso e comeou a
namorar com ele. - Ah,gato - piou ela. - Sua boca  to maravilhosa.
Blair atirou um travesseiro na nuca de Serena.
- Voc ouviu o que eu disse? - perguntou ela.  Eu disse que quase beijei Stanford Parris V!
Serena virou a cabea para o lado e soprou o cabelo da cara. Estava sem a saia, e a calcinha
de algodo branco na metade do traseiro magro.
- E por que no beijou?
- No sei. - Blair soltou do pescoo o pingente de ouro Cartier de Yale e o atirou na mesa-
de-cabeceira. Depois puxou o vestido pela cabea, ficando s de calcinha. Ela pegou um
dos roupes brancos do Plaza e abriu uma lata de Coca. - Eu queria, mas no conseguia
parar de rir. Depois me senti uma idiota e fui embora.
Serena rolou na cama e comeou a futucar a gordura inexistente da barriga.
- No acha estranho que a gente seja amiga e tenha atrao por homens to diferentes? Quer
dizer, pensei que ele fosse totalmente metidinho.
Atradas por homens to diferentes? Ento foi por isso que as duas perderam a virgindade
com o mesmo homem? No que nenhuma delas quisesse estragar sua amizade de novo
trazendo esse assunto  tona.
Blair arrotou alto.
- Voc acha todo mundo metidinho. E, na verdade, acho que ele estava meio sem-graa de
ter entrado para Yale depois que eu disse que estava na lista de espera. Ele s foi, tipo
assim, um aluno C em Andover. Ele nem fez nenhum curso avanado. Ele s entrou graas
ao av dele.
Os olhos de Serena se arregalaram. Ela era uma aluna B+ e tambm no fez nenhum curso
avanado, mas tinha entrado. E enquanto conversava com o Sr. Parris, ela basicamente
decidira de uma vez por todas que Yale era a universidade certa para ela. Ser que ela
ousaria contar a Blair e arruinar um momento perfeitamente bom das duas juntas no quarto
de hotel?
Blair arrotou de novo e Serena roou no colcho as unhas dos ps pintadas de cor-de-rosa,
pensando. No, decidiu ela. Alm disso, ela desconfiava de que o nico motivo para Blair
ficar to animada com Stan 5 era porque ela achava que ele podia ajud-la a entrar para
Yale.
Esse  o problema das grandes amigas. s vezes elas nos conhecem melhor do que ns
mesmas.
- Vamos passar uns trotes! - gritou Serena, desesperada para mudar de assunto. Ela se
sentou e pegou o telefone, martelando animada o teclado.
- Al? Recepo? Podem mandar um encanador ao quarto 448? Tem um... er... problema
horrvel com a privada. Entendeu o que eu disse? timo. Obrigada. - Ela discou outro
nmero. - Senhor?  do quarto 448? Sim, aqui  da recepo. S queria que o senhor
soubesse que o acompanhante que o senhor pediu est subindo. - Depois ela discou para
uma das sutes no mesmo corredor. - Papai, no consigo dormir - disse ela com voz de
beb. - Canta uma msica pra mim. - O cara do outro lado comeou a cantar a msica dos
Raves, "Sorvete". Ele parecia exatamente o Damian.
Hmmmm, adivinha por qu?
- Puxa, voc  bom mesmo - Serena disse na voz de beb. - Eu te amo, papai - piou ela e
depois desligou. Ela virou-se para Blair. - T legal, foi uma idiotice.
Blair no disse nada. Ela ainda no conseguia acreditar que tinha fugido de Stan 5. Era s
um beijo, e Nate no tinha que se importar que ela beijasse algum, porque ele parecia ter
se esquecido totalmente dela.
De repente houve uma batida na porta.
- Merda! - guinchou Serena, mergulhando sob as cobertas. -  da recepo!
Blair apertou o cinto do roupo e foi at a porta.
- Quem ? - gritou ela, tocando a porta com dedos nervosos.
- Sou eu - respondeu a voz de Nate.
Blair deu um pulo para trs como se tivesse sido eletrocutada. Ela apertou o cinto do
roupo novamente.
- Quem? - perguntou ela irritada, embora soubesse muito bem quem era.
- Sou eu, Nate - gritou ele pela porta fechada.  Posso entrar?
- Pssst! - Serena sussurrou da cama. - Finge que eu sou Stan 5!
Blair se virou e viu Serena esparramada de cara para baixo debaixo do edredom, as pernas
compridas arreganhadas, o cabelo escondido discretamente debaixo de um travesseiro e os
ps grandes apontando para fora da cama. Ela passava totalmente
por um homem. At a saia cinza amarrotada no cho podia passar facilmente por uma cueca
samba-cano.
Serena levantou a cabea e deu um sorriso diablico. Blair deu uma risadinha e acenou para
que ela voltasse ao lugar. Depois abriu a porta, mas s alguns centmetros.
- No  uma boa hora - sussurrou ela misteriosamente.
Nate estava desgrenhado e cansado. Na verdade, Blair tinha certeza absoluta de que ele
vestia exatamente a mesma camiseta preta desbotada e cquis que usava quando ela saiu
da casa dele na tarde anterior, e o cabelo dele definitivamente estava sujo, porque no havia
luzes douradas. S estava marrom. E tambm havia uma porcaria marrom-escura entre os
dentes dele, como farelos de brownie.
Ou Oreos mastigados.
- Preciso tomar um banho - disse Nate com um bocejo.
- Bom, voc no pode tomar aqui - insistiu Blair. Ela arrumou novamente o roupo para
insinuar que estava nua por baixo. Depois deu uma passo para trs para que Nate visse o
interior do quarto. - Estou ocupada.
Ela observou enquanto o olhar de Nate viajava das portas douradas e brancas para o carpete
bege-dourado e ia at a cama. Duas noites atrs, ela o teria agarrado pelo pescoo e se
enroscado com ele em cima das cobertas para que pudesse se apoderar do corpo
ridiculamente gostoso dele e ele pudesse se apoderar do dela, como andavam fazendo desde
que ela decidiu fazer tudo. Mas Nate no telefonava para ela h dois dias inteiros, e ele
realmente precisava escovar os dentes. Nate tinha perdido sua chance.
De baixo das cobertas, Serena imitou o melhor que pde longo ronco ps-sexo. Blair
trincou os dentes para impedir um sorriso. Na verdade, ela no tinha muita vontade de
sorrir. Estava irritada demais com Nate.
Nate colocou as palmas das mos no rosto como se estivesse tentando manter a cara no
lugar. Ele contava com ficar com Blair esta noite, a) porque ela estava em um quarto de
hotel e seria demais tomar um banho quente, transar muito, tomar um banho de espuma,
pedir toneladas de servio de quarto e ver filmes at que eles dormissem nos braos um do
outro; b) porque ele realmente no queria ir para casa e suportar a ira do almirante
Archibald. Ele definitivamente ficaria de castigo, o que significava que no poderia sair
pelo resto da vida e provavelmente nunca mais veria Blair; e c) porque, enquanto estava se
agarrando com Lexie, ele percebeu que no queria beijar ningum a no ser Blair.
Bom, talvez ele devesse ter pensado nisso, tipo assim, ontem.
Serena deu um chute e rugiu pelo nariz como um elefante dormindo.
Que porra  essa afinal?, Nate estava morrendo de vontade de perguntar, mas a idia de
saber quem era o fez apertar as mos no rosto com uma fora ainda maior. Seu olhar voltou
para Blair, que parecia que j estava entediada com o jogo que estava fazendo.
- Eu estava no barco - ele comeou a explicar.  Perdi meu telefone. - Depois ele percebeu
que isso no explicava nada.
s vezes  um saco voc ser voc, no ?
- Vai para casa, Nate - Blair o dispensou. - Seus pais esto procurando por voc.
Nate soltou o rosto, enfiou as mos nos bolsos e deu alguns passos na direo do elevador.
Um pedao de chocolate do Oreo tinha sujado a virilha das calas. Ele estava um porco.
- Voc ainda no soube de Yale, no ? - perguntou ele, em um esforo idiota de encontrar
um terreno em comum.
- No - respondeu ela friamente.
Nate esperou que ela dissesse mais alguma coisa, mas ela no falou nada. Em vez disso,
Blair se espreguiou e bocejou preguiosamente, como se tivesse passado por tanto sexo na
cama com o homem grandalho, gostoso e garanho que nem podia falar.
- Por que no me mandou um e-mail ou coisa assim? - disse ela a Nate, e pegou a
maaneta.
At parece que ela e Nate se comunicaram algum dia por e-mail. Quando se via algum
pelado todo dia por horas depois da aula, no era necessrio mandar e-mails para ele.
Os cantos da boca de Nate se curvaram para baixo como se ele estivesse a ponto de chorar.
Blair no estava terminando oficialmente com ele - ela nunca fazia isso, e era esse o motivo
para eles terem terminado e voltado tantas vezes nos ltimos trs anos. Mas isso foi antes
de eles se tornarem to ntimos como se pode ser com algum, e agora havia um cara
qualquer na cama de Blair.
- Tudo bem. Tenha um bom dia na escola amanh.
- A gente se v - Blair fechou a porta e se apoiou nela. - Ele foi embora - sussurrou ela.
Serena levantou a cabea e o cabelo louro-claro caiu em cascata por toda a cama.
- Foi engraado - observou ela, mas, pelo modo como falou, mais parecia uma pergunta.
Blair se aproximou e sentou-se na ponta da cama.
- Muito engraado - concordou ela numa voz inexpressiva. Os olhos das meninas se
encontraram. Nenhuma delas estava sorrindo.
Depois Serena riu.
- Acho que teria sido mais divertido se eu realmente fosse o Stan 5.
Blair no disse nada. Ela basicamente tinha terminado com Nate - de novo - depois de
desperdiar uma oportunidade perfeita de ficar com um cara que podia muito bem t-la
colocado em Yale. Bom, uma coisa era certa: ela no ia deixar Stan 5 escapar.
Serena se cobriu novamente e pegou na mesa-de-cabeceira o cardpio com capa de couro
do servio de quarto.
- Vamos pedir filet mignon, fritas e cerveja e ver filmes antigos!
Ela sempre era uma especialista em mudar de assunto.
Blair colocou os ps embaixo do corpo e pegou o controle remoto. Podia haver um filme
com Audrey Hepburn na TCM ou na AMC. Ela zapeou pelos canais com esperana. Arr!
My fair lady. Bom, j era alguma coisa.
Serena acendeu um Merit Ultra Light, deu um trago e depois colocou o cigarro na boca de
Blair. Em seguida pegou o telefone, massageando os ombros de Blair enquanto pedia
quase tudo do cardpio do servio de quarto do Plaza Hotel.
Talvez a vida fosse um saco para algumas pessoas, mas Serena no ia deixar que fosse um
saco para as duas.

duas portas adiante, um quarto fica um lixo

N mesmo corredor, em uma sute ainda maior, Dan, Jenny, dois membros dos Raves e uma
francesa muito bronzeada estavam recostados, fumando charutos que tinham sido
mandados por FedEx de Cuba para o quarto. Todo o quarto estava cheio de caixas abertas
de FedEx: pras da Georgia, velas da Frana, vodca da Finlndia, cerveja escura e forte da
Irlanda; biscoitos-palito da Itlia, sabonete lquido de Los Angeles e queijo cheddar picante
de Vermont.
At parece que no se podia comprar todas essas coisas na idade que tem tudo.
Lloyd pediu  recepo para mandar mais roupes e, um por um, eles tiraram as roupas e os
vestiram. Jenny no sabia que fazer com a cala e a blusa, e era quase impossvel esconder
o suti, porque o roupo tinha o hbito perturbador de se abrir na rea dos seios. Ela decidiu
enfiar as roupas no armrio dourado e branco embaixo da pia do banheiro e apertou o cinto
do roupo ao mximo antes de entrar novamente no quarto.
- Toma uma pra - ofereceu Damian com seu sotaque irlands adorvel. Ele pegou uma das
frutas perfeitamente maduras da caixa e estendeu para ela. Ele tinha vestido o roupo
e Jenny se perguntou se ele ainda estava de cueca. A idia fez seu rosto ficar vermelho e o
roupo se abriu mais uma vez. Damian deu uns tapinhas na almofada do sof de dois
lugares ouro-damasco em que estava sentado. - Vem, senta aqui. Come uma dessas e depois
me mostra se pode me detonar no Terminator.
Jenny olhou a seleo de jogos para PlayStation em cima da mesa de centro. Detonar
Damian? Ela jamais pegou num videogame na vida.
- Ou prefere alguma coisa mais refinada, como um fino biscoito italiano? - perguntou Lloyd
do sof do outro lado da mesa de centro. Ele batia duas baquetas nos joelhos.  Fica
excelente com cerveja preta.  s molhar-explicou ele, mergulhando um palito inteiro em
uma garrafa de cerveja irlandesa - E comer. - Depois ele deu uns tapinhas no lugar ao lado
dele como Damian havia feito. - Experimenta.
Incapaz de decidir qual dos dois era mais gato,Jenny pegou uma fatia fina de cheddar no
enorme tijolo na mesa de centro e se ajoelhou no cho. Monique tambm estava sentada no
cho, fumando um cigarro enrolado  mo, lendo uma revista de moda francesa e
parecendo entediada porque Dan tinha ido ao banheiro tomar um banho antes de vestir o
roupo.
- Uh-l-l, acabo de saber quem voc !  guinchou Monique, deixando cair a cinza no
cho de to animada. Voc  a modelo nessa W fantastique. Adorro esas fotos. E esa
lourra... tao linda, non?
- Bom, voc  mais bonita - respondeu Jenny timidamente, emocionada por ter sido
reconhecida. Ela queria ter um sotaque francs legal como o de Monique. Tudo parecia
muito mais bacana com sotaque.
Dan saiu do banheiro com as roupas de hip-hop enroladas debaixo do brao. Agora que
tinha vomitado tudo e estava um pouco sbrio, ele ficou tentado a atirar as roupas pela
janela.
- E a, cara, voc nunca contou pra gente que a sua irm era uma maldita modelo - disse
Damian.
- Se a maldita da Monique est impressionada, ela deve ser das grandes - concordou Lloyd.
Meninos. D-lhes uma cerveja irlandesa forte e de repente todos falam como britnicos.
Dan estava to envergonhado de sua apresentao naquela noite que mal conseguia olhar os
companheiros de banda.
- Ela fez um trabalho de modelo - murmurou ele.
Marc, o baixista do Raves, abriu a porta do quarto, voltando com a cadela bernesa, Trish.
Ela era enorme e preta e tinha uma doce cara marrom e branca, como de um So Bernardo.
Ele batizou a cadela com o nome da ex-namorada - o amor da vida dele, que terminou com
ele no 1 ano - e ele nunca ia a lugar algum sem ela.
Que fofo. E que apavorante.
Dan se sentou no cho ao lado da irm. Trish se deitou ao lado dele e ps a cabea no colo
de Dan. Ela estava com um bafo horrvel, como se tivesse comido peixe enlatado e leite
azedo.
- A, Marc. Saca s como a Jenny  tipo assim, uma modelo superfamosa - anunciou Lloyd.
Marc olhou timidamente para Jenny, depois pegou um dos roupes do Plaza da pilha e
vestiu por sobre as roupas. Ele parecia um vampiro dos tempos modernos, com o cabelo
crespo e preto, a pele branca e os olhos quase pretos.
Jenny deu uma risadinha, divertindo-se com toda a ateno. Era uma da manh, e ela estava
no Plaza Hotel, vestida s de roupo e roupa de baixo, com os membros da banda mais cool
da histria! Era meio estranho estar ali com o irmo, mas tambm era meio tranqilizador.
Monique se colocou de joelhos e afagou as orelhas de Trish. Depois desceu a mo pelas
costas do roupo de Dan.
- Vem parra o quarto - murmurou ela no ouvido dele.
Jenny pde ouvir cada palavra que Monique disse  no que ela realmente quisesse ouvir.
Com ousadia, ela se levantou e foi para o sof se sentar ao lado de Lloyd. Afinal, ela era
uma modelo famosa - podia se sentar onde preferisse.
Lloyd lhe passou um palito.
- No sul da Itlia, elas so consideradas afrodisacas.
- Mentira! - Damian atirou uma pra madura e suculenta na cabea de Lloyd. Ele errou, e a
pra se esparramou em toda a parede branqussima atrs dele.
No se  um astro do rock de verdade a no ser que voc saiba como acabar com um quarto
de hotel.
- No d ouvidos a esse bundo, ele  cheio dessas coisas - alertou Damian, de repente
perdendo o sotaque irlands. Ele arrastou trs joysticks de PlayStation pelo sof e se
sentou, de modo que Jenny ficou espremida entre ele e Lloyd.
Como se ela se incomodasse com isso.
Os ps de Jenny estavam formigando e os ouvidos zumbiam. No dia seguinte teria aula e
ela era uma supermodelo em um quarto de hotel com trs astros famosos do rock. Se ao
menos Serena pudesse v-la agora.
Monique arrastou Dan para que ele se colocasse de p. O p de Damian voou e chutou o
traseiro dela, mas Monique fingiu no perceber. Ela puxou Dan para o quarto adjacente,
batendo a porta depois de entrar.
- No faam muito barulho! - gritou Damian para eles.
Marc se deitou onde Dan e Monique estiveram sentados e pousou a cabea na cadela, Trish
lambeu seu rosto branco e passou uma pata enorme pelo pescoo dele.
Ai. Que casalzinho lindo.
Jenny nunca se sentiu to famosa na vida, e ela devia tudo isso ao irmo. Ele merecia se
agarrar com uma francesa qualquer. E ela merecia estar espremida entre os dois caras mais
lindinhos que tiveram a graa de aparecer na capa da Rolling Stone. Se ao menos um
reprter batesse na porta e tirasse uma roto. Ela meio que queria que o mundo soubesse
disso  era bom demais para que no soubessem, mesmo que ela entrasse numa encrenca
daquelas.
No se preocupe, meu bem - o mundo tem um jeito engraado de descobrir praticamente
tudo.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

E VOC QUE PENSAVA QUE TRIBECA STAR ERA TO LEGAL

O Plaza hotel est passando por um revival. e dos grandes. Algumas de nossas pessoas
favoritas puseram um quarto do Plaza abaixo ontem  noite. Aconteceu tambm tarde
demais para aparecer nos jornais de hoje, mas entre na Page Six do New York Times online,
e est tudo l. Toda uma fotomontagem da adoravelzinha J recebendo um beijo de
despedida na boca do guitarrista dos Raves bem nos degraus acarpetados de vermelho do
Plaza e levando umas baquetadas na bunda dadas pelo baterista antes de a envolver em
um abrao de urso. Ela at usava o roupo do Plaza Hotel quando foi para casa, deixando
cuidadosamente suas roupas para trs, e mandava beijos do txi, feito uma Marilyn Monroe
dos dias de hoje.
J no foi a nica modelo emergente a ficar com o guitarrista dos Raves. Um funcionrio do
hotel na verdade o gravou cantando para S por um telefone do Plaza. S terminou o
telefonema dizendo, "Eu te amo, papai". Ah, ela fez mesmo isso?

Mas e o casamento dele com uma francesa misteriosa mais ou menos h um ano, em uma
cerimnia exclusiva em St. Barts? Se voc analisar a fotografia dele beijando J, ele est
mesmo usando uma aliana de ouro no dedo anular da mo esquerda... e havia mesmo uma
linda francesa na cena, embora ela estivesse totalmente preocupada com D, o novo
vocalista furioso da banda. A estria dele na verdade foi meio constrangedora, mas, como
uma tpica francesa, ela deve ser foguenta demais para se importar.

A parte desnorteante  que S estava com B no quarto dela, o que nos faz lembrar de todas
aquelas velhas histrias de S e B juntas na banheira, envolvendo-se no que  melhor
descrito como um pequeno rala-rala. Como se as coisas j no fossem bastante picantes e
complicadas!

TEM ALGUMA COISA NESSAS FRANCESAS

Eu sei que j tagarelei sobre isso antes, mas por qu as garotas que vo  L'cole Franaise
parecem ter 25 anos quando s tm 14? E como todos os caras que conhecemos
esto a fim delas, em segredo ou no? E como  positivamente enfurecedor ouvir um grupo
de meninas da L'cole falando com voc de uma festa - em frangls, porque assim
voc mal consegue entender uma palavra do que elas dizem. Elas s se alimentam de
chocolate quente e batatas fritas, fumam feito chamins e voc nunca as v correndo ou
jogando hquei no Central Park. E, no entanto, nenhuma delas  gorda nem cheia de
espinhas.  como se as mres e grandmres delas as tivesse apresentado a Lancme e
Chanel quando elas eram s bebs, e os cidos hidroxialfas ou sei l o qu tenham
permanecido no sistema delas, deixando-as com a pele perfeita, o corpo perfeito e ps que
ficam mais confortveis em saltos 9. A escola delas at deixa usar saltos  ao contrrio das
escolas das outras meninas no Upper East Side -, o que basicamente prova
minha tese. Quando se trata de educar meninas, os franceses parecem seguir um currculo
totalmente diferente. No que estejamos com inveja nem nada disso.
OUTROS FLAGRAS

A me de B no consulado italiano acenando o talo de cheques - o que exatamente ela est
aprontando agora? K e I fazendo depilao com cera na Maria Bonita, um minsculo
salo NoLita, convenientemente localizado perto da Sigerson Morrison, que, por acaso, tem
uma liquidao. C (que saiu do radar por um tempo, depois de ter sido rejeitado em cada
universidade a que se candidatou) levando a macaca para ser... er... consertada ... em uma
clnica discreta de Chelsea. Parece que a macaca herdou a tendncia  pegao do dono e se
atirava em cada cachorro, gato e furo que passava.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu sei que foi voc quem fez o filme que est empolgando todo mundo em Cannes. O que
est esperando? Tira sua bunda da e vai pegar seu prmio!
- mogl

R: Caro mogl,
Voc pode achar que quem muito desdenha quer comprar, mas vou dizer isso pela ltima
vez: eu no tenho a p... da menor idia do que voc est falando! Aproveite Cannes.
- GG

P: Querida GG,
O que a gente deve fazer com o resto do ano, agora que sabemos para que universidade
vamos?
- bord

R: Cara bord,
Por favor - no era o que estvamos todos esperando? Tempo para fazer compras, beber,
comer e ser feliz? Tempo para fazer tudo o que quisermos? Se voc no tem sua prpria
piscina e no pode ir na piscina do terrao da SoHo House, adote a misso de fazer amizade
com algum que tenha acesso a uma piscina e passe o resto de maio alternando biqunis
Eres!
- GG

P: Querida GG,
Se voc realmente gosta de uma garota, mas ela continua te ignorando, o que deve fazer?
- 2bummed

R: Caro 2bummed,
Primeiro, mude seu nick para algo mais animado e atraente do que "superhot". Segundo,
certifique-se de que seu desodorante funciona e que suas roupas no sejam de desesperar.
Depois convide-a para sair, de preferncia para onde vo outras pessoas que ela conhece e
onde ela se sinta  vontade, para que ela possa se divertir mesmo se concluir que voc  um
man retrado e que ela no est interessada. Boa sorte!
- GG
 segunda-feira, o comeo da semana de aula - eu sei: bocejo. Mas, para sermos realistas,
depois de um fim de semana como esse, at que ponto as coisas podem ser um tdio? Como
lobos em pele de cordeiro, todos parecemos muito inocentes em nossos uniformes
escolares, mas este fim de semana no passou sem repercusses.

Eu serei a primeira a contar quando a merda se espalhar!

Pra voc que me ama,
gossip girl

j, b e s so totalmente escorraadas

- Ouvi dizer que aquela caloura galinha fazia, tipo assim, sexo grupal com todos os
membros da banda... At com o vocalista novo, que , tipo assim, irmo dela - cochichou
Kati Farkas com a melhor amiga e co-planejadora do Spa de Fim de Semana da Constance
Billard School, Isabel Coates. Kati repartia o cabelo louro-arruivado comprido com um
pente cor-de-rosa de tartaruga, alisando-o com as mos. - J viu aquelas fotos dela no Post
online? Ela nem se incomodou em se vestir antes de sair do hotel!
As duas meninas estavam espiando pelas janelas do terceiro andar da biblioteca da
Constance Billard School, fingindo decorar as falas para a pardia meninas-de-biquni-e-
mscara-de-lodo que deviam encenar no estar das veteranas amanh para promover o Fim
de Semana de Spa das Veteranas. No que precisassem de promoo. Todo mundo levaria
para casa bolsas de brinde cheias dos fabulosos novos produtos da Origins, e sua pele
brilharia absolutamente at a formatura. Seria o Dia de Matar Aula mais legal da histria.
Isabel pegou o pente da mo de Kati e penteou o cabelo escuro e liso em um rabo-de-
cavalo.
- Eu soube que Nate e os amigos dele quase morreram em um naufrgio, mas a Blair estava
ocupada demais se agarrando com Serena de novo e nem percebeu. D pra imaginar como 
descobrir que sua namorada est te traindo com, tipo assim, outra garota?
Kati fez uma careta e deu de ombros, concordando.
- Que coisa vulgar.
Isabel apertou o nariz de pug na janela.
- Olha!
Blair e Serena estavam andando apressadamente pela rua 93, de braos entrelaados,
sorrindo timidamente como se tivessem acabado de partilhar o segredo mais divertido do
mundo. Em vez da altura no meio das coxas, o que era socialmente aceitvel, o uniforme de
Blair cobria completamente os joelhos. Era totalmente bvio que ela havia pego o uniforme
de Serena emprestado.
Olha, olha.
Assim que as meninas entraram pelas grandes portas azuis da Constance Billard School, um
txi amarelo encostou, e Jenny Humphrey saiu, comendo um biscoito-palito. Ela havia
trocado o roupo do Plaza Hotel pelo uniforme de primavera de listras azuis e brancas. Ela
tambm estava usando um par de sandlias plataforma Jimmy Choo rosa-choque muito
legais que no tinham nada a ver com o uniforme, e enormes culos de tartaruga cor-de-
rosa Jackie O.
Opa, no olhe agora, mas algum acha que  uma gata.
- Onde foi que ela conseguiu essas sandlias? - sussurrou Kati em descrena. - A lista de
espera para elas tem tipo um quilmetro.
- Devem ser falsas; daqui no d para saber  responde Isabel.
Nenhuma das duas queria admitir o que realmente estavam pensando - que Damian ou
Lloyd dos Raves provavelmente deram as sandlias e os culos a Jenny - porque ter
inveja de uma caloura no era nada cool.

Serena, Blair e Jenny tinham acabado de passar pelas portas quando foram abordadas pela
Sra. M, a formidvel diretora da Constance Billard.
- Meninas - ordenou a Sra. M. - Gostaria de falar com as trs em minha sala, por favor.
Seus pais esto a caminho.
Hein?, perguntaram-se as trs em unssono.
Isso ia ser engraado.
O rosto da Sra. M era pastoso e mole, e o cabelo era tingido de ruivo Raggedy Ann com
pequenos cachos de permanente, dando-lhe uma aparncia doce de vovozinha. Mas as
aparncias enganam; ela no era nada doce. Na realidade, ela era uma sapatona velha e
cruel que tinha uma namorada motorista de trator em sua casa no interior e uma tatuagem
na coxa que dizia, "Me Monta, Vonda".
- Sentem-se, meninas - ordenou ela, ajeitando a bunda coberta pelas calas azuis Talbot na
cadeira atrs da gigantesca mesa de mogno. A sala da Sra. M era toda decorada em
vermelho, branco e azul, e as meninas da Constance no sabiam se ela realmente pensava
que era o presidente ou se s era extremamente patriota.
Em um aturdimento de obedincia, Serena, Blair e Jenny se plantaram no sof azul rgido
de dois lugares do outro lado da mesa da Sra. M. O sof ficou meio apertado com as trs
sentadas ali, mas a proximidade era reconfortante.
- Duas de vocs devem se formar no ms que vem, e depois no sero mais
responsabilidade minha - comeou a Sra. M. - Mas uma de vocs acabou de comear o
Ensino Mdio e j est indo na direo errada, e no  assim graas s duas veteranas aqui.
- Ela colocou uns culos de leitura no nariz e remexeu uma pilha de arquivos na mesa. - As
trs esto em uma situao muito precria.
Blair abriu a boca para falar, mas a fechou quando a me apareceu  porta da sala da Sra.
M, usando roupas brancas de tnis e portando um baby sling da Burberry, levando uma
agitada e inquieta Yale. O sling no estava bem ajustado e batia em seus quadris como um
saco de carga desajeitado.
- Estou experimentando uma novidade chamada "criao por ligao" - explicou Eleanor
sem flego. - Deve fazer com que os filhos fiquem ligados a voc, o que aumenta a
confiana deles. - Ela riu e engatou o sling no ombro, sem jeito. - Acho que eu devia andar
por a com isso o dia todo, mas quem tem tempo para isso? Tenho tnis no Y, almoo no
Daniel e uma limpeza facial no Arden, e Cyrus e eu vamos a Bridgehampton no final da
semana. Meia hora s segundas e quartas-feiras  todo o tempo de ligao que eu tenho!
Ainda assim, ela via sentido em tentar.
- Ah, e Blair, querida, tem uma liquidao de mostrurio da Dior que pensei que te
interessaria. Vai ser ao meio-dia. Voc pode me encontrar l.
A Sra. M ergueu uma sobrancelha castanha que ela no limpava. Fazer compras no horrio
de aula - que Deus me perdoe! Porm, se fosse uma liquidao da Talbots, at ela
podia ficar tentada.
- Sra. Rose. - A Sra. M apontou com eficincia para a poltrona ao lado do sof em que as
trs meninas estavam empoleiradas. - Entendo que esteja ocupada, mas queria expressar
minha preocupao com o fato de que sua filha aparentemente est morando em um hotel.
Com a aceitao na Universidade de Yale pesando na balana, no penso que seja
adequado para uma jovem morar em um ambiente to... - ela se interrompeu, procurando
pela palavra certa. - indisciplinado.
Eleanor abriu para a diretora um sorriso de quem no entendeu nada. Ela havia percebido
que Blair passou o fim de semana fora, mas no tinha certeza do lugar e nem percebeu
que Blair no voltara para casa na noite anterior, porque ela e Cyrus tinham ido a um
coquetel para comemorar a inaugurao de um dos prdios novos dele e s voltaram para
casa tarde. Ela se sentou na poltrona  esquerda da mesa da Sra. M e cruzou as pernas,
enfiando Yale embaixo do brao como se fosse a ltima bolsa Herms Birkin. Yale gemeu
em protesto, mas Eleanor continuou sorrindo, como se no soubesse mais
o que fazer.
Blair se remexeu pouco  vontade em seu lugar no sof. Com uma me dessas, ser que a
Sra. M no podia entender por que ela precisava morar em um hotel?
- Blair passou a noite na minha casa ontem  mentiu Serena. Para algum que parecia uma
Barbie do Upper East Side, Serena era extremamente boa em pensar com seus botes, ou
com os saltos dos Manolos, ou com o que ela por acaso estivesse usando no momento. -
Olha, ela at pegou meu uniforme emprestado.
- Ento, por que recebi telefonemas a manh toda de pais de alunas e de possveis alunas
preocupados com as filhas dormindo em quartos de hotel com astros do rock bbados? -
quis saber a Sra. M. -At recebi um telefonema de uma agncia de publicidade para me
informar que, no ano que vem, a Constance Billard ter a honra de figurar no guia de
colgios como uma das cinco melhores escolas para mandar sua filha se quiser que ela seja
uma celebridade ou namore uma.
- Legal- soltou Jenny, e depois imediatamente se arrependeu disso.
A Sra. M dardejou para ela um olhar de nem-comece-com-isso-sua-fedelha. A diretora
parecia incapaz de dar conselhos a Eleanor sobre como criar a filha, o que deve ser um
problema freqente, considerando que a maioria dos pais de meninas da Constance Billard
no cria eles mesmos as filhas. Eles tm ajuda, e muita ajuda.
- Tenho certeza de que, se as meninas estavam juntas, no podiam causar muitos problemas
- comentou Eleanor com mais sensatez do que Blair pensava que ela fosse capaz.
- Nem samos da sute - acrescentou Blair, e depois colocou a mo na boca para fech-la
novamente. Qual era o problema dela, afinal? Serena tinha acabado de dizer que elas
passaram a noite na casa dela.
Depois a me de Serena, Lillian van der Woodsen, e o pai de Jenny, Rufus Humphrey,
apareceram de repente  porta da salada Sra. M. Rufus no estava acostumado a sair de casa
nem a andar antes das 11 da manh e parecia ainda mais desgrenhado e escandaloso do que
o normal. O cabelo comprido e grisalho estava puxado em um coque e preso com uma
enorme fivela cor-de-rosa de plstico que Jenny comprara na quarta srie, e ele usava
calas de moletom cinza que foram cortadas no meio da batata da perna e uma camisa de
flanela vermelha com uma das mangas enroladas e um mao de Camel sem filtro enfiado
no bolso. Quanto aos sapatos, tudo bem  mocassins marrons - s no ficavam to bem
com o mole tom e eram seriamente medonhos sem meias.
A Sra. Van der Woodsen estava em sua pose e roupas habituais, parecendo emanar um odor
de lrios recm-colhidos e sabonete francs. Ela cruzou os braos longos e bronzeados no
peito, arriscando-se a amarrotar o vestido Chanel de linho verde-menta para que nenhuma
parte de seu corpo ficasse prxima demais de Rufus.
- Desculpe termos nos atrasado para a inquisio  rosnou Rufus. Ele olhou para Jenny com
um jeito ameaador. - Eu no perderia isso por nada nesse mundo.
A Sra. Van der Woodsen curvou-se e beijou graciosamente a Sra. M no rosto. Era o tipo de
beijo que benfeitores de caridade esto acostumados a dar em diretoras de organizaes a
que to generosamente doam milhes de dlares.
- Foi minha culpa que as meninas tenham se atrasado para a escola - admitiu ela. - Meu
motorista teve que correr para pegar minha roupa na lavanderia, ento elas foram obrigadas
a vir a p.
Serena olhou para a me com gratido e a me piscou para ela numa compreenso muda.
Agora sabemos de onde Serena tirou a graa que tinha sob presso.
A beb Yale de repente fez o tipo de barulho gastrintestinal que s os bebs podem fazer
em pblico. Eleanor pegou o celular e ligou para a bab.J teve ligao suficiente, muito
obrigada. Ela no ia se arriscar a ter que trocar as fraldas.
- Fique no carro, eu chego logo - orientou ela freneticamente.
A Sra. M de repente pareceu perceber que havia gente demais na sala e que, se no tomasse
alguma providncia, as coisas iam ficar muito esquisitas.
Como se j no estivessem.
A diretora soltou um suspiro pesado, como se seu fim de semana em Woodstock jogando
feno para os cavalos com Vonda tivesse passado muito rpido e talvez fosse melhor
comear a pensar em uma aposentadoria antecipada.
- Serena e Blair. Vocs so veteranas, seus pais so pessoas ocupadas. Vamos deixar isto
assim: vocs podem ser quase adultas, mas prefiro que durmam em suas prprias camas,
principalmente quando tm aula no dia seguinte.
Eleanor assentiu e pegou Yale,que berrava no sling, da melhor maneira que pde,
claramente ansiosa para levar a criana em segurana para as mos capazes da bab. A Sra.
Van der Woodsen sorriu de uma forma pesarosa, como se estivesse confiante de que
qualquer problema que Serena tenha causado podia ser facilmente eliminado com um beijo
democrtico no rosto e a promessa de uma grande doao ao fundo de desenvolvimento da
Constance Billard. E Rufus grunhiu, como se estivesse louco para ficar a ss na sala com
Jenny e a Sra. M para poder repreender as duas.
A sineta tocou, indicando o final do primeiro perodo.
- Podemos ir para a aula agora? - perguntou Blair com doura, como se faltar  aula de
educao fsica realmente fosse atrapalhar todo o seu dia.
- Vocs duas podem - cedeu a Sra. M. Serena e Blair se levantaram, deixando Jenny
sozinha no sof. - Mas lembrem-se, meninas - acrescentou a diretora -, sua aceitao
na universidade pode ser revogada se vocs no mantiverem os padres prometidos em seu
histrico.
- Obrigada pelo aviso - respondeu Serena, assentindo numa espcie de meia-mesura
obediente antes de pegar o cotovelo de Blair e disparar para fora da sala. Elas deram um
beijo nas mes e depois subiram de trs em trs os degraus da escada para o lounge das
veteranas, repetindo sem parar e sem flego, "Que diabos foi isso?!"

- Jennifer - disseram a Sra. M e Rufus, praticamente em unssono.
Jenny cruzou os tornozelos e se sentou sobre as mos, sentindo-se muito pequena e
desprotegida, agora que as duas meninas mais velhas tinham ido embora. O pai se sentou
ao lado dela no sof e ps o brao em seus ombros. Ele tinha cheiro de po de alho e caf
vagabundo. Havia pequenas queimaduras de cigarro em toda a cala de moletom.
- Voc sempre foi uma boa garotinha. - Ele apertou os ombros de Jenny. - Boas notas. Uma
tima artista. L muito.  legal com o seu pai... na maior parte do tempo. - Ele
olhou par a Sra. M com um ar divertido. -Vai me dizer que eu me iludi nesses anos todos?
A Sra. M deu seu primeiro sorriso autntico em semanas. Ela gostava de Rufus Humphrey.
Certamente ele era desgrenhado e inadequado, mas era um pai solteiro que tinha criado dois
filhos sozinho e fez um trabalho decente com eles. O nico problema era que morava do
outro lado do parque e no agia de acordo com as regras do resto do Upper East Side, que
as seguiam desde que comearam no maternal na Brick Church,
em ParkAvenue. Ele nunca deu um centavo de verba para a escola nem comparecia a um
evento de levantamento de fundos. Nunca se ofereceu para construir uma nova biblioteca,
academia ou piscina para a escola, como se isso pudesse garantir a Jenny um lugar em
Harvard depois da formatura. Ele tambm era mais protetor com a filha do que a maioria
dos pais a que ela estava acostumada, principalmente porque ele mesmo tinha trocado as
fraldas dela, ficou com ela quando ela no conseguia dormir e a castigou quando ela fazia
alguma coisa errada, portanto sentia uma certa responsabilidade pessoal pelo
comportamento da filha.
Caramba, mas que idia.
Jenny esperava seriamente que este fosse um dos sonhos estranhos que ela costumava ter
quando exagerava nos donuts de chocolate Entenmann. No que ela tivesse comido algum
donut recentemente. Pelo que podia se lembrar, s o que comera no jantar passado foram
palitos importados da Itlia pela Federal Express e entregues em um determinado quarto do
Plaza Hotel.
Para no falar do stimo, que ela enrolou em uma toalha de rosto que levou de lembrana
com o logotipo em ouro do Plaza Hotel.
- Obrigado por vir o mais rpido possvel, Sr. Humphrey - comeou a Sra. M. - E tenho que
admitir que concordo com o senhor. Jennifer  uma menina inteligente, criativa e em geral
bem comportada. Mas est ganhando uma reputao, de ser... meio rebelde, e os pais das
colegas esto comeando a fazer perguntas.
Rufus remexeu perplexo na barba. Como anarquista auto-proclamado, ele deve ter se
sentido extremamente sem-graa com a sala patrioticamente decorada da Sra. M, tendo de
condescender com uma figura de autoridade com relao ao suposto comportamento
rebelde da filha.
- O que quer dizer com reputao de ser meio rebelde?
A Sra. M tirou os culos e os fechou cuidadosamente diante de si.
- Sr. Humphrey, est ciente de que sua filha no dormiu em casa ontem  noite?
Rufus assentiu.
- Tem algum problema nisso?
Jenny deu uma risadinha e depois colocou a mo na boca.
- Bem, onde o senhor imagina que ela estava?  insistiu a Sra. M, o rosto mole de boneca
de pano tornando-se cada vez mais duro a cada minuto que passava.
Rufus bufou e Jenny pde sentir seu sangue anarquista comeando a ferver.
- Eu no tenho que imaginar onde ela estava. Ela me disse. Ela passou a noite na casa da
amiga Elise. Em algum lugar perto daqui.
- Elise Wells - disse Jenny com a voz rouca. - Ela  da minha turma.
- Sim. Bem. Elise no estava uma hora atrasada esta manh. Na verdade, ela chegou na
escola no horrio, e sozinha. Sua filha, porm, s chegou agora. E isso porque teve que ir
em casa e trocar de roupa. Porque, na verdade, passou a noite em um hotel, em um quarto
de hotel, com um conhecido grupo de rock.
O queixo de Rufus caiu, revelando os dentes tortos e manchados de caf. Pela primeira vez
ele ficou completamente sem fala. Jenny cruzou os braos com fora no peito, mantendo os
olhos fixos no tapete azul-real.
- Este tampouco  o primeiro contratempo dela  continuou a Sra. M. - H alguns meses,
circulou pela internet uma imagem comprometedora dela e de um menino. Depois disso, eu
lhe mandei uma carta,  qual o senhor nunca respondeu sugerindo que Jennifer visse um
terapeuta algumas vezes por semana aqui na escola. E depois, no ms passado, Jennifer
apareceu em uma revista popular para adolescentes usando s um suti de ginstica,
aborrecendo vrios pais de colegas de turma ... Principalmente aqueles que tm meninos
adolescentes.
Rufus passou a mo no rosto.
- Meu Deus, Jenny - murmurou ele.
At Jenny tinha que concordar que a Sra. M a fazia parecer uma puta de primeira, mas ela
no ia sequer tentar se defender. Alm disso, ela havia sido boazinha na maior parte da vida
- era meio excitante ser a bad girl.
- Ento vai suspend-la ou o qu? - perguntou o pai.
Sim, por favor, pensou Jenny com um prazer mudo. E me mande direto para um internato.
A Sra. M sacudiu a cabea.
- Ainda no. Isto  s uma advertncia. Mas se Jennifer continuar a se comportar desse
modo to flagrante, ou de uma forma que aborrea as colegas de turma e os pais, terei de
tomar medidas para garantir que a reputao desta instituio continue intacta.
A terceira sineta tocou, indicando o incio do segundo perodo.
- Estou perdendo a aula de latim  guinchou Jenny. Posso ir?
- No to rpido, mocinha - berrou o pai, aumentando o aperto nos ombros dela. Rufus no
fundo era um doce, mas fazia cena de disciplinador quando ficava irritado.
- Est tudo bem. Os dois esto dispensados  respondeu a Sra. M. Ela empurrou a cadeira e
cruzou os braos, parecendo mais sapato do que nunca.
Jenny pulou de p e correu para fora da sala antes que o pai pudesse alcan-la e dar a
ltima palavra - e antes que a Sra. M pudesse mand-la para casa por estar to totalmente
fora do uniforme.
- O senhor parece cansado, Sr. Humphrey - ela ouviu a Sra. M dizer. - Tenho uma fazenda
maravilhosa em Woodstock. Devia me visitar de vez em quando.
- Woodstock... Eu adoro Woodstock! - exclamou Rufus. - Acampei l em 1974. Morava
numa van com alguns amigos poetas...
Jenny subiu a escada para a aula de latim, estranhamente emocionada com o quanto tinha
chegado perto de ser expulsa da Constance Billard. Quem ligava para a foto dela em
colunas de fofoca como uma baixinha no identificada, de cabelos crespos numa
imoralidade "flagrante"? Um dia seria reconhecida como a garota que sempre saiu com os
Raves. As pessoas perguntariam constantemente se a namorada de Damian era ela, e ela
seria a garota da Page Six, como sempre quis!

a *%@# de debandada pessoal de n
- Uma vitria de Pirro - murmurou o Sr. Knoeder com seu jeito impossvel de acompanhar.
- Archibald. Est me acompanhando?
Nate no tinha feito o dever de casa. Ele nem sabia que dia era. Ele acordou, tomou um
banho e vagou para a escola, esperando por alguma orientao. Agora esse babaca do
professor de histria queria que ele respondesse a uma pergunta idiota sobre a Guerra do
Vietn, que todo mundo sabia que tinha sido uma total debandada de merda.
- Pirro foi um rei grego ou coisa assim que tocou os romanos para fora em uma batalha,
mas houve toneladas de baixas - Nate se ouviu dizendo. No surpreende que eu tenha
entrado para Yale e Brown, ele se parabenizou, sou a porra de um gnio!
- Na verdade, foi a Batalha de Pirro - corrigiu Sr. Knoeder, puxando a ponta da orelha
enquanto escrevia alguma coisa no quadro. Os meninos do St. Jude's tambm o chamavam
de Sr. Sem Pau, porque ele usava as calas muito altas e apertadas, e no era possvel ter
pnis. - Mas a maior parte de sua resposta est certa.
Nate pegou o celular e comeou a digitar uma mensagem para Jeremy, que estava sentado
na mesma fila dele, quatro carteiras alm.
EI OBRIGADO SEM PAU, escreveu ele.
QUER SAIR DPIS?, respondeu Jeremy.
NAUM posso. CASTIGO, respondeu Nate.
SOUBE DE B & O CARA, LAMENTO, escreveu Jeremy.
Nate se curvou na carteira e disparou para o amigo um olhar que dizia, "Explique, por
favor".
CARA DE YALE FESTA Q ELE DEU COM B, esclareceu Jeremy.
Ento era ele que estava na cama de Blair ontem  noite. Nate ficou amuado demais para
responder. Ele deixou Blair sozinha por pouco mais de um dia e ela teve que ficar com
um babaca de uma festa idiota de Yale a que ela nem deve ter sido convidada? Ele devia
ficar furioso. Em vez disso, ele s se sentia deprimido. Devia ter ido quela festa. Ele podia
at ter levado Blair com ele. Eles podiam ter conversado sobre o futuro e depois transariam.
Podia ser romntico. Mas, como sempre, ele estragou tudo.
Bom, agora ele sabe... Pode no ser um saco ser o traidor, mas definitivamente  um saco
ser o trado.
Foda-se, decidiu Nate. Ele ergueu a mo.
- Sr. Knoeder, pode me dar licena? Acho que estou com intoxicao alimentar ou coisa
assim.
Ah, qual . Voc pode fazer melhor.
O Sr. Knoeder nem percebeu. Estava de costas, ocupado em desenhar um mapa detalhado
de Saigon em giz roxo. Nate mandou uma mensagem de TCHAU a Jeremy, pegou suas
coisas e saiu de fininho da sala, deixando o resto da turma na aula de histria americana do
St. Jude's encarando-o e se perguntando por que no tinha coragem para fazer a mesma
coisa.
Nate enfiou os livros no armrio do poro e bateu a porta. Que se foda o dever de casa e
que se foda a escola. Ele j estava na universidade e, agora que estava de castigo, podia
muito bem ficar em casa, comendo brownies e ficando chapado. Ele ia matar o resto do dia
de aula, acender um baseado bem gordo, preencher os formulrios adequados e mandar seu
depsito para Yale.E da que ele tivesse prometido a Blair que s ia para Yale se ela
entrasse? Todas as promessas que eles fizeram um ao outro foram quebradas, e a verdade
era que Yale tinha o melhor time de lacrasse e prometera fazer dele o capito no
segundo ano. Ele queria ir, independentemente de Blair ter entrado ou no.
Com uma determinao implacvel, ele foi para casa, tentando se livrar da imagem daquele
babaca magrelo que roncava e roubava namoradas na cama de hotel de Blair. Mandar o
depsito de Yale pelo correio no seria exatamente uma vitria sem perdas. Blair ia cuspir
fogo quando soubesse.
A no ser que ela no ligasse mais, o que era quase mais apavorante ainda.

d, o futuro do hip-hop

A Riverside Prep localizava-se em uma antiga igreja de tijolos vermelhos do final da
dcada de 1900, a escola mais extica do Upper West Side. A entrada principal da escola
ficava na West End Avenue - uma linda porta vermelha na qual pendia a placa
RIVERSIDE PREPARATORY SCHOOL FOR BOYS, que parecia constrangedoramente
uma espcie de escola de aperfeioamento para moas. Felizmente, os meninos mais velhos
entravam pela porta lateral, uma porta preta normal que dava para a rua 77, o lugar perfeito
para entrar de mansinho com duas horas de atraso.
Dan entrou cambaleando para os ltimos dez minutos de aula de ingls avanado do
primeiro tempo usando as calas de hip-hop e os tnis pretos e amarelos do show dos Raves
na noite anterior, e uma camiseta cinza-escura dada a ele por Monique com MR.
WONDERFUL em letras vermelhas em todo o peito. Na noite passada, ele tomou um porre
homrico, cantou como um doente fodido e depois teve um sexo louco e totalmente
imerecido com a linda francesa em uma cama gigante do quarto do Plaza Hotel. Ser um
astro do rock era na verdade meio excelente.
No diga.
- Ora, se no  meu aluno mais famoso - observou a Srta. Solomon concisamente, enquanto
Dan perambulava para os fundos da sala e desabava atrs de uma carteira. A Srta. Solomon
tinha acabado de se formar e era incrivelmente envergonhada da queda que tinha por Dan.
Em vez de inund-lo de elogios - no havia dvida de que ele era o aluno mais realizado e
mais intelectual da turma - ela ou era sarcstica e crtica, ou o ignorava completamente.
Certa vez, s para test-la, ele at copiou um ensaio sobre os hbitos de escrita de Virginia
Woolf, escrito por um famoso crtico literrio, Harold Bloom, orientador dela em Princeton,
e entregou, fingindo ter redigido ele mesmo. A Srta. Solomon deu a ele um B+, assim como
dava a todos os trabalhos de ingls dele, fossem bons ou ruins.
- A turma e eu estvamos discutindo se devemos ter um trabalho final sobre as tragdias de
Shakespeare em nossa unidade em vez da prova final. Alguma opinio, Dan? - Ela colocou
a mo na boca e acrescentou sarcasticamente.  Peo desculpas... Talvez agora voc tenha
um nome artstico?
Dan fez uma careta para a carteira, onde algum tinha rabiscado as palavras Cara de Puta
com uma esferogrfica verde. Normalmente, ele teria aproveitado a oportunidade de
escrever um artigo em vez de fazer uma prova, mas os trabalhos exigiam pesquisa,
rascunhos e horas de redao, enquanto uma prova exigia um nico aparecimento por duas
horas.
Isto , se voc no tiver a inteno de estudar para ela, coisa que ele no tinha.
Agora que era um astro do rock, ele ia fazer uma turn, gravar vdeos, cantar em discos e
resistir a mulheres e a paparazzi.Definitivamente, era prefervel ter duas horas em um
dia para uma prova idiota de ingls.
A Srta. Solomon era o tipo de magrela de cara chupada que a fazia parecer quarenta anos
mais velha do que provavelmente era, e o cabelo, que ela mantinha puxado para trs em um
rabo-de-cavalo curto, era de um louro-escuro acinzentado que parecia cinza sob as
implacveis luzes fluorescentes da escola. Ela adorava renda e preferia blusas cor-de-creme
com gola de renda e babados nas mangas, combinadas com saias pretas de l at os joelhos,
meias pretas e sapatilhas pretas estranhamente altas e sem saltos. As saias sempre eram
muito apertadas tambm, o que levava os meninos a suspeitarem de que ela devia se achar a
mulher mais sensual do mundo.
Eca.
- Metade da turma quer um trabalho e metade quer a prova. Voc vai dar o voto de Minerva
- explicou ela.
O que significava que, independentemente do que Dan dissesse, metade da turma iria odi-
lo.
Ele deu um pigarro.
- Acho que uma prova seria um indicador melhor do quanto aprendemos durante o ano -
declarou ele, parecendo um mongol total.
- Ah, essa agora? - zombou Chuck Bass a duas carteiras de distncia. O cdigo de
vestimenta da Riverside Prep era de calas cqui lisas, cinto marrom ou preto, camisa
branca ou em tom pastel e sapatos marrons ou pretos com meias escuras. Chuck Bass usava
um macaco Prada preto, aberto para que o peito bronzeado e recm-depilado ficasse
claramente visvel e sandlias de couro branco Camper , que deixavam ver os ps macios e
manicurados. No cho ao lado de sua carteira, a macaca de estimao de Chuck, Sweetie,
enfiou a cabea espigada para fora da bolsa de couro laranja e vermelha Dooney & Bourke
e arreganhou os dentes.
Chuck no merecia estar no curso de ingls avanado. Ele mal conseguia falar, nunca leu
um livro na vida e pensava que Beowulf era um tipo de pele usada para revestir casacos.
Mas, tentando coloc-lo em uma universidade, seus pais insistiram que ele fosse
matriculado em todos os cursos avanados, o que acabou se revelando um erro grosseiro.
Porque Chuck preferia fazer compras e ir a desfiles de moda a ir  escola e fazer o dever de
casa, ele tinha nota D em todas as disciplinas deste semestre, no conseguiu entrar em
nenhuma das universidades a que se candidatou e agora ia para a academia militar.
E ele estava amargurado com isso? Mas  claro.
- A, Mr. Wonderful- sibilou Chuck para Dan.  No olhe agora, mas seus dias de Rave
acabaram.
Hein?
Dan se curvou na cadeira e futucou a mesa com a esferogrfica. Ele era um astro do rock;
no tinha que aturar essa merda. O p de algum cutucou a base de sua coluna.
- Voc est fora - cochichou Bryce James, um dos amigos valentes de Chuck. - A no ser
que a piranha da sua irm possa colocar voc l de volta.
Os plos da nuca de Dan se eriaram. O que a Jenny tinha a ver com isso? Pelo que ele
sabia, Jenny s estava com ele de carona, como sempre fazia, afinal, se seu irmo mais
velho estava em uma banda importante, voc tambm no ia querer sair com ele e os
colegas de banda?
- Eu soube que ela quer ser cantora - disse Bryce. - Por isso ela dormiu com todos eles.
Dan se virou e mostrou o dedo a Bryce simplesmente porque estava com ressaca demais
para pensar em alguma coisa inteligente para dizer. Jenny tinha sado da sute do hotel na
hora em que ele e Monique se levantaram de manh, mas o que exatamente ela andou
aprontando enquanto ele ficou ocupado  noite? E como  que todo mundo j parecia saber
disso?
- Ento ser uma prova - anunciou a Srta. Solomon. Ela rabiscou alguma coisa em um
caderno, depois se levantou e se aproximou da carteira de Dan. - Eu mesma sou meio f
dos Raves - murmurou ela, o rosto ligeiramente ruborizado. - E isso meio que me mata. -
Ela parou diante de Dan, ps as palmas das mos na carteira e se curvou para ele de tal
forma que ele podia sentir o cheiro de cada pozinho com cream cheese com alho-por que
ela comera no caf-da-manh.   verdade que Damian  casado com a namorada dele do
tempo do ensino mdio? Uma francesa? - perguntou ela em voz alta, obviamente pensando
que era totalmente moderninho que uma professora soubesse tudo sobre uma banda cool
como os Raves.
As mos de Dan estavam suando e ele remexeu no mao de Camels sem filtro no bolso de
trs das calas baggy. A Riverside Prep no tinha regras sobre professoras assediando os
alunos?
S restavam dois minutos para terminar a aula. Ainda esperando ouvir a resposta  pergunta
da Srta. Solomon, os outros meninos pegavam em silncio os livros e fechavam as
mochilas.
O ponteiro dos minutos no relgio por cima do quadro-negro se arrastou para a frente e do
lado de fora da sala a sirene acordou. Dan se levantou, passou raspando pela professora
abelhuda e foi para a porta.
Salvo pelo gongo.

um e-mail que merece uma resposta

Naquela tarde, durante o laboratrio de informtica, Serena ficou tentada a mandar um e-
mail ao artista melodramtico da Brown, quelas esquisitas da irmandade de Princeton e ao
caipira apaixonado de Harvard, dizendo a eles que passassem bem, porque de agora em
diante ela seria toda Yale. Em vez disso, ela os deletou permanentemente de sua lixeira. Na
hora do almoo, ela tinha mandado seu depsito pelo correio para Yale, e foi um alvio
finalmente tomar uma deciso  mesmo que no pudesse contar  melhor amiga do mundo
sobre isso. Ela passou de leve pelo resto dos e-mails at que chegou a uma mensagem de
origem desconhecida.

De: dpolk@raver.net
Para: Svdwoodsen@constancebillard.edu
Assunto: no acredite em tudo o que l

Mas a, estamos nas bocas.  tudo muito lisonjeiro. O problema  que no nos conhecemos.
Quer? Um bando de gente vai na minha casa no Village na sexta  noite. Espero que possa
ir.

Damian

Serena riu e se levantou um pouco da cadeira, procurando pela cabea escura e brilhante de
Blair no laboratrio de informtica. Mas Blair estava trabalhando intensamente em seu
computador e no percebeu Serena acenando para ela. O Sr. Schneider, o inspetor do
laboratrio arrogante e com as narinas deformadas, olhou para ela, e Serena voltou ao e-
mail. Ela sabia, pelos vdeos, que o guitarrista dos Raves era extremamente bonito e
talentoso, e no seria uma loucura se eles realmente batessem, transformando mito em
realidade? Ento, e se ela meio que decidisse tomar o caminho da seriedade e ser uma
estudante de tempo integral no ano que vem? Isso seria no ano que vem, e o resto deste ano
era todo de pura diverso. Quem sabe - ela podia at mudar de idia, adiar a admisso,
tornar-se uma tiete dos Raves e sair em turn com a banda pelos prximos cinco anos!
E s um segundo atrs ela estava toda satisfeita consigo mesma por ser to decidida.
Serena roeu as unhas por uns segundos, depois clicou em responder e digitou trs letras
usando s o indicador rodo e parcialmente pintado de esmalte rosa.
S-l-M.

uma combinao improvvel

Blair navegava pela internet, procurando pelos incrveis sapatos Jimmy Choos que ela vira
na W, mas ainda no tinha encontrado seu tamanho. Eles eram feitos de seda verde,
costurados  mo, com coraezinhos de madreprola nos saltos. S distriburam 300 pares
de sapatos em todo o mundo, mas certamente tinha de haver um tamanho 37 que no fora
comprado - na Cidade do Mxico, talvez, ou em Hong Kong, onde os ps tendiam a ser
pequenos.
Ao lado dela, Vanessa Abrams digitava furiosamente, montando alguma pgina feminista
ou coisa assim. Blair olhou para o monitor da vizinha. Procura-se colega de apartamento,
dizia em letras garrafais, S Mulheres.
Blair jamais gostou muito da colega cineasta de cabea raspada que usava preto. Cada
palavra que Vanessa pronunciava em aula tinha um ar de s-estou-falando-com-voc-
porque-voc-me-fez-uma-pergunta, como se ela fosse muito mais inteligente e astuta at do
que os professores. E ela sempre suspeitou que Vanessa preferia mulheres a homens.
- Entrevistei esse cara no fim de semana. Acabou se revelando um pirado completo.
Blair olhou para a vizinha e descobriu que Vanessa estava mesmo falando com ela.
- Decidi que s vou aceitar mulheres  acrescentou Vanessa, batendo o boto "enter" do
teclado para dar nfase.
Blair apertou os lbios e se remexeu na cadeira. Vanessa parecia realmente estar falando
com ela.
- Tambm conheci um cara no fim de semana  confessou ela. Ela mordeu o lbio e
apontou para o monitor de Vanessa. - Por que quer uma colega de apartamento, alis? Eu
daria tudo para morar sozinha.
Vanessa deu de ombros. J era bastante estranho conversar com uma piranhuda como Blair
Waldorf, mas era ainda mais estranho que a pergunta de Blair fosse mesmo digna de
resposta.
- Minha irm est em turn pela Europa. Sei l, acho que me sinto sozinha - admitiu
Vanessa antes que conseguisse se deter. Assim que falou, teve vontade de tapar a boca com
a mo. Por que, de todas as pessoas do mundo, Blair Waldorf ia se importar?
- E o seu namorado... aquele nerd...? - Blair mordeu o lbio e se corrigiu. - Aquele cara do...
caderno.
- A gente terminou.
Blair assentiu, tentada a explicar que tinha acabado de terminar com o namorado e que s
vezes ela tambm se sentia sozinha. Discretamente, ela avaliou Vanessa. Ela meio que
gostou de que Vanessa no se entusiasmasse em falar de um man como o ex-namorado
dela, reclamando dos presentes que ele dera, imitando a forma idiota como ele amarrava os
sapatos e reiterando toda a triste saga. Vanessa era estranha, mas pelo menos no era
previsvel. E todo mundo sabia que s pais de Vanessa moravam em Vermont. Ento, se a
irm estava fora, ela realmente estava por conta prpria.
- E a, isso d certo? - perguntou Blair. - Voc est, tipo assim, entrevistando candidatos?
Vanessa teve de se perguntar onde  que isso ia parar.
- Bom, primeiro eu os entrevisto pelo Messenger e, se eles parecerem normais, entrevisto
pessoalmente. Mas, at agora, no apareceu ningum normal.
Blair no conseguia acreditar que estava pensando em morar com a lsbica, careca,
esquisita e sem amigas da Vanessa, mas ela realmente precisava de um lugar para morar.
Sua casa estava insuportvel e, depois da reunio com a Sra. M esta manh, Blair tinha
certeza absoluta de que no podia morar no Plaza pelo resto do ano letivo sem arruinar
completamente suas chances de entrar para Yale. E se ela precisasse receber... uma visita?
Um apartamento sem pais, babs, empregadas ou cozinheiras era um lugar perfeito, mesmo
que tivesse de ser na suja e nojenta Williamsburgh. Ela podia at convencer Vanessa a
contratar um decorador e colocar alguma cor no apartamento. No que ela realmente
conhecesse a casa de Vanessa, mas depois de ir  escola com ela nos ltimos cem anos, ela
sabia que o lugar deveria ser totalmente preto. Ela podia renovar a
casa completamente, assim como a desmazelada e dada  leitura da Audrey Hepburn foi
transformada numa fabulosa modelo em My fair Lady!
- Me entrevista - sugeriu ela.
- Mas... - respondeu Vanessa. - Eu moro no Brooklyn.
Blair girou o anel de rubi sem parar no dedo anular da mo esquerda.
- Eu sei. - Ela suspirou pesarosamente para os sapatos pretos e fechou os olhos, tentando se
imaginar como uma pessoa artstica e moderninha de Williamsburgh. Ela usaria camisetas
verdes com dizeres irnicos, como WILLIAMSBURG  PARA OS AMANTES. Tomaria
caf preto. Usaria tnis All Star sem meias e teria uma bolsa de plstico roxo. Ela faria
luzes laranja e usaria culos de armao octogonal preta. Ela comeria falafel. Escreveria
poesia. Faria um piercing no lbio e um, tatuagem! Ah, o Nate ia morrer. Um sorriso se
espalhou por seu rosto. - Eu sempre quis morar no Brooklyn. Ah, ento t.
- No, voc... - comeou Vanessa, em uma tentativa de dissuadi-la.
- Voc tem tev a cabo, TiVo e DVD, no tem?  perguntou Blair.
Pera, quem devia estar entrevistando quem?
- Eu preciso ver meus filmes - insistiu Blair, feito uma empregada velha que come comida
congelada e no pode sobreviver sem a dose diria de Regis and Kelly.
- Filmes? - repetiu Vanessa, perguntando-se se Blair tinha perdido completamente o juzo.
Ela se esquecera de que Blair era uma velha tiete de cinema. Em novembro, Blair tinha
entrado em um concurso de cinema na escola. S o que ela fez foi reprisar os primeiros dez
minutos de Bonequinha de luxo sem parar com msicas diferentes, porque, na opinio dela,
eram os primeiros dez minutos perfeitos entre todos os filmes do mundo. Vanessa ganhou o
concurso com a verso que fez de Guerra e paz, estrelado pelo ex-melhor amigo Dan
Humphrey como o moribundo prncipe Andrei. Isso foi antes de eles at terem se beijado -
o que parecia ter acontecido h um sculo.
- Qualquer coisa com a Audrey Hepburn. Ou com Jimmy Stewart. Ou Cary Grant. Ou
Lauren Bacall- esclareceu Blair de um flego s. - E,  claro, ...E o vento levou.
Se havia uma coisa que Vanessa tinha aos montes era equipamento de cinema, tevs, vdeos
e DVDs.
- No se preocupe. Vou fazer cinema na NYU no ano que vem. Tenho tudo - garantiu
Vanessa a ela. - Todos os clssicos.
- E como  que voc vem para a escola?  perguntou Blair, perguntando-se se podia
aprender a dirigir. Sem tirar os olhos do monitor do computador, ela mexia o mouse para
dar a impresso de que estava muito ocupada. - No tem, tipo assim, uma ponte que precisa
atravessar?
Considerando que Manhattan  uma ilha, ento, sim, deve ter alguma ponte metida nisso.
Vanessa decidiu ser indulgente com ela. At parece que Blair Waldorf realmente queria
morar em seu prdio cado e cheio de pichaes no Brooklyn.
- A linha L do trem vai para a Union Square e depois eu passo para a 6.
Hein?
Blair franziu o rosto. Ela estava falando do metr?
- Quando o tempo est bem ruim ou eu estou atrasada, chamo um txi - admitiu Vanessa.
Arr!
- E voc se importa com... Sabe como , visitas?  perguntou Blair.
Tipo visitas homens?
Vanessa riu.
- Se no feder e levar comida.
Blair assentiu, sria. Ela teria seu prprio apartamento em que transaria loucamente com
Stan 5 ou com qualquer outro cara que escolhesse, e ela se transformaria na garota mais
sexy, mais cheia de piercings e tatuagens de Williamsburgh. Nate ficaria absolutamente
maluco de arrependimento.
- Acho que pode dar certo, no ?
Os olhos castanhos de Vanessa tinham parado de piscar.
- Mas ns nos odiamos - disse ela com franqueza.
Blair revirou os olhos e bateu o joelho ossudo e bronzeado no joelho branco de Vanessa.
- Ah, no seja to esnobe - disse ela, ofendida, entrando realmente no novo papel de irm
descolada desaparecida de Vanessa. - Agora, sobre seu problema com o namorado -
continuou ela, como se o assunto j estivesse encerrado.
- O caso  que, sem ofensas, eu aposto que voc s sente atrao por homens que so meio
"alternativos", como voc...
- Blair colocou a mo na boca, enquanto em seu crebro uma lmpada se acendia. No
entendia como no havia pensado nisso antes, mas seu meio-irmo alternativo de trancinhas
Aaron e a careca de preto da Vanessa eram sem dvida nenhuma o casal perfeito! Eles
podiam pintar as unhas um do outro de preto, preparar sushi vegetariano, filmar o cabelo do
outro, ou a falta dele, e se divertir enquanto ela estava ocupada seduzindo o cara que ia
coloc-la em Yale.
Est vendo, talvez Williamsburgh seja mesmo para os amantes!

Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

O ESTRANHO CASAL
Quem teria imaginado? Uma garota que vive agarrada nos Manolos de 800 dlares
experimenta se mudar para a casa de uma colega de turma que nunca usa nada nos ps a
no ser botas Doc Martens com ponta de ao e meias trs-quartos pretas Danskin. Uma
coisa  certa, elas no vo dividir as roupas. Mas como as duas vm de planetas totalmente
diferentes, elas certamente tm muito o que conversar e muito o que aprender. Uma
amostra de conversa:

- Viu a escova do meu p de bronzeamento Stila?

- Ah, est fazendo algum projeto de arte?

Estou recolhendo as apostas para ver quanto tempo vai durar essa maluquice de festinha de
dormir!

QUEL DSASTRE!

Tambm dizem por a que uma certa francesa hippie que usa roupa tingida contou a todo
mundo que ela e nosso jogador preferido de lacrosse e doido no esto s saindo - eles
esto apaixonados. Epa.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Trabalho como voluntria no escritrio de admisso de minha universidade, que por acaso 
uma das Ivies, e eu e minhas amigas passamos muito tempo cantando aquela possvel
caloura porque achamos que ela  uma aluna perfeita para nossa irmandade. Ela  linda,
inteligente e talentosa - exatamente como ns. O caso  que ela no respondeu a nenhum de
nossos e-mails. Sei que parece brega, mas e se a gente mandar para ela um presente ou
coisa assim - voc acha que vai ajudar?
- PrincetonBabe

R: Cara PrincetonBabe,
Detesto decepcion-la, mas no acho no.
- GG

Flagras

C na Tower Records comprando uma verso pirata do ltimo single dos Raves estrelado
por ningum menos do que D, que deve ser a pessoa de quem ele menos gosta no mundo.
O que ser to irresistvel para ele, a msica ou a letra? K e I experimentando produtos
Origins contra acne na loja da Madison Avenue e deixando cair sem querer alguns nas
bolsas Tod's quando a vendedora deu as costas. B e V subornando o entregador do
armazm com uma caixa de trufas Godiva para que ele levasse para elas as sacolas de
compras pelos trs andares at o apartamento das duas. E o que so aquelas cortinas de toile
pretas e brancas com babadinhos que vimos nas janelas? Acho que as duas esto
aprendendo a chegar a um meio-termo!
A CALMARIA ANTES DA TORMENTA

Nesta semana, eu realmente testemunhei minhas colegas de turma na frente da escola,
depois que eu sa, conversando sobre os planos de vero e tomando lattes gelados. Algumas
semanas atrs, estvamos matando aula para tomar banho de sol no parque, ouvindo nossos
MP3 e mal nos falvamos. Agora no sabemos o que fazer com a gente e no conseguimos
ficar sozinhas. Aceitem esse clima nublado, mido e abafado de maio e o fato de que, em
menos de quatro semanas, alguns de ns nunca mais se vero novamente. Tambm estou
convencida de que tem alguma coisa no fogo. Vamos esperar: a sexta-feira vem a e vai ser
o diabo.

Eu estarei l de gongo em punho!

Pra voc que me ama,
gossip girl

s no fica impressionada

Uma herana de bom tamanho do bisav, que esteve envolvido com a inveno do Velero,
e o dinheiro do primeiro disco de sucesso dos Raves, Jimmy and Jane, deram a Damian
Polk, de 23 anos, uma linda casa de quatro andares com venezianas vermelhas na singular
Bedford Street, no West Village. A Bedford Sireet s tinha trs quadras de extenso,
pontilhada de restaurantes intimistas, cafeterias aconchegantes, casas histricas, um bar
famoso e lindos gays que passeavam com seus cachorrinhos. Do lado de fora, a casa
parecia uma casa de bonecas antiga, mas por dentro era um mostrurio de mveis brancos,
modernos e minimalistas. Diziam os boatos que embora vestisse todas as cores no palco,
Damian s usava branco dentro de casa e nunca permitia que seus convidados usassem
nada alm de branco, nem jeans.
Que pssimo que ele tenha se esquecido de contar essa regrinha a certas pessoas.
A porta da frente estava aberta e Serena subiu a escada de mrmore branco para o segundo
andar, vestida com as pantalonas preferidas Blue Cult, uma camiseta rosa-choque curta e
um par maluco de tamancos plataforma rosa-choque Hollywood, que eram um desafio para
o caminhar. Ela podia ouvir uma espcie de jazz psicodlico, o tinir de copos e o murmrio
de vozes.
Jenny Humphrey estava sentada de pernas cruzadas no balco laqueado de branco da ilha
na cozinha aberta e branca de Damian, tomando um copo de leite. O cabelo estava num
rabo-de-cavalo e ela usava uma camiseta branca de algodo e cueca samba-cano branca.
- Ei! - gritou ela, pulando do balco para receber Serena. - Damian disse que voc viria. Ele
est no banho.  Ela ficou na ponta dos ps descalos e apontou o queixo branco para dar
um beijo no rosto de Serena. - Estou to feliz que esteja aqui.
Bom, olha, a anfitrizinha dando o mximo! Que mudana da Jenny que s na semana
passada ficou completamente louca com a oportunidade de ser convidada  casa de Serena.
E ela no foi tipo proibida de sair com os Raves de novo?
At parece que fez alguma diferena.
- Eu fugi - cochichou Jenny. - Meu pai estava vendo um documentrio totalmente chato do
Allen Ginsberg. Ele acha que estou no meu quarto, pintando ou coisa assim.
Ah, pintar. Costumava ser s um passatempo, de quando ela era jovem e inocente.
Serena sorriu para a protegida baixinha de cabelos cacheados, sentindo-se estranhamente
deslocada. Os outros convidados estavam no sof branco de camura na enorme sala de
estar branca adjacente  cozinha, vestidos da cabea aos ps de branco, tomando martnis
gigantescos com ovos cozidos boiando neles. Uma parede da sala era decorada com flocos
de neve de papel, do tipo que a gente faz no jardim de infnia, e outra parede era pintada
para dar a impresso de que tinha estantes cheias de livros brancos.
Porque os livros de verdade so coloridos demais?
Um cara alto e magro estava sentado em um tapete de urso polar, usando apenas um roupo
atoalhado branco. Um enorme cachorro marrom e preto estava deitado ao lado, com a
enorme cabea marrom e preta enterrada no colo dele  a nica coisa com alguma cor em
toda a sala branca.
- Uh-l-l! - exclamou Jenny quando Damian apareceu, ainda molhado do banho e usando
apenas um moletom de cashmere branca. O cabelo louro avermelhado ainda estava
molhado e gotas de gua caam nos recuos da clavcula. Os braos e o peito eram cobertos
de sardas e grandes msculos, e, sim, ele era ainda mais bonito pessoalmente do que nas
capas dos discos.
- Oi - Serena o cumprimentou, sentindo-se deslumbrada, o que no era comum. E como
ningum falou com ela do cdigo de vestir-se s de branco? Ela no devia saber disso?
- Agora sei por que todo mundo diz que eu tinha que conhecer voc - disse ele
automaticamente quando viu Serena.
Serena corou com o elogio, mas no conseguia pensar em nada para dizer. Uma rara
ocasio para ela - os Van der Woodsen eram criados para dizer a coisa certa no momento
certo o tempo todo.
Jenny pegou a mo de Serena e depois a de Damian, parando entre eles como uma dama de
honra peituda em um casamento arranjado.
- Voc tem que mostrar seu quarto a Serena - disse ela a Damian. Ela se virou para Serena.
- O quarto dele  to cool.
Ah, ? E como  que ela sabe?
Damian deu de ombros e comeou a ir para a sala, puxando Jenny e Serena com ele.
- Vem, senta aqui. A Kelly and Ping deve chegar a qualquer momento.
- Legal - respondeu Serena, embora no fizesse idia do que ele estava falando. Kelly and
Ping- seria outra banda? Um nmero de palhaos? DJs?
- Hmmm. Eles fazem o melhor camaro tailands do mundo - disse Jenny, como se tivesse
pedido comida asitica do SoHo a vida toda.
- Hmmm - concordou Serena. O que havia de errado com ela? Ela nem estava com fome.
Jenny se afastou deles e se empoleirou no joelho de um cara. Ele tinha cabelo escuro e rosto
sardento e usava um macaco branco, muito parecido com o baterista dos Raves, Lloyd
Collins.
Porque era exatamente ele.
- Oi, Serena - Lloyd cumprimentou-a naquele seu jeito gozador e convencido. - Sinto que j
somos irms  acrescentou ele, virando a munheca e fingindo ser o irmo gmeo gay
sumido de Damian.
- O Damian acabou de me gravar cantando "Parabns para mim". Ele vai samplear numa
faixa do prximo disco da banda - anunciou Jenny alegremente a todo mundo que estivesse
ouvindo. - Estou louca para o Dan ouvir.
- Ele no est aqui? - perguntou Serena, procurando pela nuvem de fumaa de Camel que
em geral engolfava a cabea de Dan.
- Ainda no - respondeu Damian, e Serena achou ter detectado um toque de malcia na voz
dele.
Dan e Serena tinham ficado juntos no outono, mas durou pouco - assim como todos os
relacionamentos dela - e eles no mantiveram contato. Mas no havia mgoas e podia ser
legal sair e ser amigos, agora que os dois estavam se formando. Ela se perguntou para que
universidade ele ia no ano que vem, ou se ele ia tirar algum tempo para viajar com a banda.
- Charuto? - perguntou Damian, estendendo uma caixa para ela. - Vieram de Cuba ontem 
noite.
- Palitos? - perguntou Lloyd, agitando um palito no ar como se fosse uma de suas baquetas
e pegando-o com os dentes. - So italianos e supercrocantes.
- No, obrigada - respondeu Serena em voz baixa s duas ofertas. Aqui estava ela, uma
baladeira notria no que estava prestes a se tornar uma festa notria, e no entanto ela se
sentia sem inspirao nenhuma. Talvez o fato de que todos pensassem que ela e Damian j
estivessem juntos tenha estragado tudo para ela. Ou talvez ver Jenny, a imagem de si
mesma dois ou trs anos antes, fizesse com que ela percebesse que estava pronta para
experimentar alguma coisa nova. Ou talvez fosse porque estas seriam as ltimas semanas
do terceiro ano, antes do vero e antes de Yale. Ela no ligava tanto para conhecer astros do
rock; ela s queria sair com os amigos.
Blair agora estava no apartamento de Vanessa em Williamsburgh - devia estar colocando
papel de parede no banheiro com botezinhos de rosa ou coisa assim - e no havia outro
lugar para Serena ir.
- Se importa se eu usar o banheiro? - perguntou ela.
Damian a orientou por um grupo de cortinas de veludo branco, depois descendo por um
longo corredor branco at um banheiro de ladrilhos brancos, espelho no teto e uma banheira
de mrmore. Serena fechou a porta, pegou o tubo de brilho labial MAC Cherry Ice do bolso
de trs e passou um pouco. No corredor, do outro lado das cortinas de veludo branco, vinha
o som da campainha tocando e a Kelly and Ping entregando seus petiscos asiticos. Ela
abriu a porta do banheiro novamente e se apressou pelo corredor, passando pelo monte de
comida que chegava e indo mais uma vez para a calada cheia de vapor.
Isso de uma garota famosa por danar em mesas de bar em toda a Frana? Isso da garota
que teve uma parte indizvel do corpo fotografada e colada nas laterais de nibus e metrs
em toda a cidade? Escapulindo de uma festa antes mesmo que comeasse?
Mas no importava realmente se ela ia ficar na festa ou no. O que quer que Serena fizesse,
ia ganhar as manchetes.

o estranho casal

- Ento,  nessa gaveta aqui que a gente guarda os cremes de limpeza, hidratantes,
tonificantes, esfoliantes, maquiagem e removedores de maquiagem. Todo o gel de banho
fica na gaveta de baixo, mais perto da banheira. E t vendo? Esse  um tapete de algodo
egpcio de banheiro para cobrir aquele ladrilho cinza nojento. - Blair apontou para o novo
tapete cor de pra que ela acabara de colocar no banheiro de Vanessa.
Vanessa abriu as gavetas no armrio rachado de cor creme embaixo da pia do banheiro.
Tudo tinha sido colocado em ordem alfabtica e por cdigo de cores, de acordo com as
especificaes de pirao de controle da Blair. No que Vanessa tivesse seus prprios
produtos de beleza. De qualquer modo, era tudo coisa de Blair.
- Pode pegar emprestado o que quiser - ofereceu Blair generosamente. Ela pegou um
pequeno frasco de porcelana de creme para os olhos La Mer e comeou a passar um pouco
embaixo dos olhos. - Esse troo  maravilhoso  declarou ela. - Eu s no queria ficar com
cheiro de hidratante.  Ela estendeu a mo e passou um pouco nos olhos de Vanessa. Uma
aplicao no adiantaria muito, mas, se ela conseguisse que Vanessa usasse uma vez por
dia, em uma semana aquelas bolsas do tamanho de uma berinjela desapareceriam
totalmente. Talvez Vanessa at a deixasse fazer uma maquiagem completa nela. Elas iriam
comprar jeans juntas na Bloomingdale's SoHo e Vanessa podia at comprar uma peruca
legal!
Boa tentativa.
- Onde est meu barbeador? - grunhiu Vanessa, girando o rosto para afast-lo de Blair
como uma criana que odeia que limpem a sua cara. -Tenho que raspar minha cabea tipo
uma vez por semana, sabe como .
- Barbeador? - repetiu Blair sem ter a menor idia. Ela apontou para um saco de lixo
largado na porta do lado de fora do banheiro. - Acho que pode estar ali. - Ela pegou uma
escova de sobrancelha da gaveta recm-organizada e passou no restolho da cabea de
Vanessa. - J pensou em deixar crescer...?
- No! - disse Vanessa a ela, implacvel, afastando a escova de sobrancelha. Ela colocou o
saco de lixo no tapete cor de pra e resgatou o barbeador eltrico, colocando-o na gaveta de
cima, ao lado dos curvadores de clios de Blair.
- Desculpe - concedeu Blair. - Eu devia ter perguntado primeiro.
- Est tudo bem. -Vanessa remexeu nos curvadores de clios com curiosidade. - Que porra 
essa, alis?
Blair os pegou ansiosamente e colocou Vanessa sentada na tampa da privada.
- No feche os olhos. E no se preocupe, isso no di. - Ela segurou os curvadores a uns 3
centmetros de distncia dos clios de Vanessa, semicerrando os olhos. Depois os baixou
novamente. - Sabe de uma coisa? - disse ela  nova colega de apartamento. -Voc no
precisa disso. Seus clios so grossos e curvos. -Ela semicerrou os olhos novamente, como
se no conseguisse acreditar nisso. - Na verdade, eles so totalmente perfeitos.
Vanessa se levantou e examinou os clios no espelho do banheiro, sentindo-se
extremamente lisonjeada, embora nunca fosse admitir isso.
- Podemos ver alguma coisa para comer agora, droga? Ficamos redecorando essa porcaria o
dia todo.
Pela primeira vez Blair ficou to ocupada que nem pensou em comida. Esta noite seria a
primeira no apartamento, e ela passou toda a tarde desfazendo as malas e organizando. O
que Vanessa costumava fazer para o jantar?, perguntou-se ela.
Cozinhar?
As duas meninas saram do banheiro e entraram na cozinha aberta, olhando o apartamento
com as mos nos quadris. O decorador do quarto de beb da casa da me de Blair tinha
mandado sua equipe de pintores na quarta e na quinta-feira, enquanto Vanessa estava na
escola, e todo o apartamento fora refeito em tons de verde-aipo e cinza claro  nada
mulherzinha demais, para no ofender Vanessa. Depois da aula na quinta, Vanessa
descobriu um conjunto de cortinas usadas na Domsey's que podia realmente suportar, s
porque eram pretas e brancas, embora estivessem cobertas de toite com estampa de
pssaros-exticos-e-palmeiras. E esta manh o decorador havia agendado a entrega de seis
cadeiras de madeira modernas do sculo XX, uma pequena mesa oval de jantar, uma mesa
de centro legal de vidro Nogushi em forma de rim e dois pufes de camura cinza, que Blair
e Vanessa ficavam passando de um lado para outro da sala s porque era divertido.
- Nem acredito que estou dizendo isso, mas gostei admitiu Vanessa.
- Mesmo? - perguntou Blair com cautela. Era meio uma grande transformao, e ela no
teria se surpreendido se Vanessa a tivesse expulsado antes mesmo de ela desfazer as malas
Louis Vuitton.
- A gente pode ter uma festinha no jantar - disse Vanessa. Ela foi at a mesa de jantar oval
de btula e rearrumou as seis cadeiras modernas de btula em volta. - S que no tenho
ningum para convidar.
Ningum faz uma festa melhor do que Blair Waldorf. Mesmo que seja s um jantarzinho
chique no Brooklyn bomio.
Blair sacou o celular do bolso dos jeans James e discou o nmero de Serena.
- A no, ser que voc e aquele astro do rock j estejam, tipo assim, na cama, quer vir jantar
na minha nova casa?
- J estou indo pra - disse Serena a ela. - Desculpe te decepcionar, mas... Eu vou sozinha.
Depois Blair ligou para Stan 5.
- Por que demorou tanto? - ele quis saber.
E ela ligou para o meio-irmo, Aaron.
- O que vai cozinhar? - perguntou ele, desconfiado. Devo levar um pouco de tempeh?
Blair no tinha pensado exatamente na parte da comida.
- A gente pode pedir do Nobu. - Ela ps a mo no bocal. - Tem algum Nobu no Brooklyn?
Vanessa acenou um cardpio de pizzaria na cara dela e Blair viu que havia uma coisa
chamada Cheeseless Paradise Pie entre os pratos vegetarianos.
- No se preocupe - disse ela ao meio-irmo.  J pensei em tudo.
- E a, como  a Vanessa exatamente?  perguntou Aaron com curiosidade.
Blair deu um sorriso diablico.
- Isso  coisa que eu sei e voc vai descobrir.

at as francesas ficam contrariadas

- Allo? - o ingls com o distinto sotaque francs de Lexie soou no interfone de Nate. -
Posso subir?
Trancado em seu quarto a semana toda com um cachimbo de haxixe,jogando Grand Theft
Auto San Andreas no Xbox, Nate no recebia nenhuma visita a no ser de Jeremy, Anthony
e Charlie, que paravam de vez em quando para refazer o estoque de bagulho e inform-lo
do que acontecia na escola. Sua ala da casa cheirava a burritos meio comidos, gua que
vazou do cachimbo de haxixe e Pepperidge Farm sabor pizza  mas no havia ningum ali
para sentir o cheiro. Depois de coloc-lo de castigo, os pais dele tiraram o Charlotte do
Hudson para visitar amigos em Kingston e garantir que Nate no roubaria o barco de novo
antes de seu cruzeiro beneficente. Se ele no tivesse estragado tudo com Blair, os dois
teriam toda a casa s para eles e podiam transar em cima do piano na sala de estar, se
quisessem.
Ah, sim.
- Estou doente - mentiu ele pelo interfone.  muito contagioso. Perdi toda a semana de
aula.
- Tudo bem, eu tambm estou doente!  respondeu Lexie animadamente. Ela tossiu para
demonstrar o quanto estava doente. - Podemos dividir nossos germes!
Mas que divertido!
Nate tinha acabado de roubar um Hummer, mas, quando Lexie tocou, ele se distraiu e os
policiais chegaram na cola dele. Ele chutou os controles do Xbox pelo quarto e lambeu os
lbios rachados pelo cachimbo. A boca parecia estar coberta de asfalto sabor maconha. E
ele no trocava a camisa, pelo que constava, h dias.
- Estou fedendo - confidenciou ele ao interfone.   srio. Est pssimo.
- Vamos tomar um banho - disse Lexie a ele, alegre. - Me deixa entrrar. Vou te fazer uma
massagem, gato  acrescentou ela, parecendo ainda mais francesa do que h apenas um
segundo.
Nate sabia que ela no ia desistir, e no era como se Blair tambm no o estivesse traindo.
Alm disso, Lexie era gostosa, era bvio que estava desesperada e ele estava seriamente
entediado.
- T legal- respondeu ele devagar, prestes a apertar o boto para abrir a porta para ela.
- Ah, eu te amo! - gritou Lexie pelo interfone.
Nate piscou lentamente. Ela disse ama? Ele tombou a mo. Meninas - s o que elas
pareciam fazer era se apaixonar por ele e met-lo em problemas. Blair, Serena, Jennifer,
Georgie, e agora essa francesa hippie, gostosa e com sotaque falso, a Lexie.
Pera, isto , tipo assim, outra revelao divina?
O caso era que ele estava prestes a se formar e ir para Yale. Ele queria sair com as garotas
com quem fora criado e sempre conheceu e amou. E no com uma garota nova.
Em especial no uma garota que nem falava a mesma lngua dele.
- Olha, eu estou de castigo - disse ele com firmeza. - Vai para casa.
- Mais non! - gemeu Lexie, comeando a chorar.
Mais oui.

ser que s cresceu ou se acovardou?

A porta para o apartamento de Blair e Vanessa estava aberta. Serena entrou, a boca com o
brilho labial recente escancarada ao ver como a casa tinha mudado desde a festa de
aniversrio de Vanessa. Apenas algumas semanas antes, havia lenis pretos pendurados
nas janelas e reboco esfarelando no cho pouco mobiliado. Agora estava recm-pintada e
cheia de mveis legais e modernos. Velas com aroma de capim-limo queimavam na mesa
de centro, e cortinas de toile brancas e pretas bacanas se agitavam nas janelas abertas da
sala de estar.
- Caraca - ela arfou.
- Eu sei - disse Vanessa da cozinha aberta onde estava ocupada enchendo tigelinhas de
cermica com azeitonas gregas, cenouras baby e amndoas torradas para que os convidados
tivessem alguma coisa para mastigar antes que a pizza chegasse. - D pra acreditar? - Ela
levantou a perna branca no ar e agitou o p para que Serena pudesse ver que tinha pego
as Mary Janes Singerson Morrison de couro preto e solado em cunha de Blair. - Gosta dos
meus sapatos?
Blair saiu descala do quarto com um copo com gelo na mo, parecendo muito
Williamsburgh com uma camiseta preta apertada, uma saia de jeans preta e curta Seven e
batom rosa-prateado. Ela deu um beijo no rosto de Serena.
- No  timo? - perguntou ela, parecendo genuinamente emocionada.
Enquanto o txi ia devagar pelo trnsito da Williamsburgh Bridge a caminho de l, Serena
se preparara para dizer a Blair que ia para Yale no ano seguinte. Mas, agora que elas
estavam cara a cara, s o que conseguiu fazer foi se acovardar.
Ela enfiou a mo no copo de Blair e roubou um cubo de gelo da vodca.
- Espero que tenha tirado fotos de antes e depois.
- No se preocupe -Vanessa irrompeu da cozinha nos sapatos de Blair e passou uma vodca
com tnica para Serena. - Eu at peguei a racha da bunda dos pintores.
 claro que ela fez isso.
As trs meninas se sentaram no velho futon de Ruby, que tinha sido reformado com uma
nova estrutura de btula e uma nova capa cinza de camura falsa.
- E a, o que aconteceu com o Damian? - Blair quis saber. - Pensei que amos ler sobre
vocs no jornal amanh.
Serena enrolou as pernas dos jeans at os joelhos ossudos.
- Bom, ele  bonito e tudo, mas... - Ela hesitou e rolou as pernas das calas de volta para
baixo. Depois tomou um gole da bebida e rapidamente mudou de assunto.  Quem mais
vem aqui hoje  noite?
Blair mordeu o lbio. No lhe ocorrera realmente que Serena podia ficar sobrando ali.
- Voc no vai gostar, mas eu meio que convidei Stanford Parris neto da festa de Yale. E
Aaron... Sabe quem , meu meio-irmo? Acho que ele e Vanessa so, tipo assim,jeitos um
para o outro.
Vanessa tomou um enorme gole de rum com Coca-Cola.
- Veremos - ela arrotou alto.
Os enormes olhos azul-escuros de Serena brilharam enquanto ela digeria esta informao.
Ela foi mesmo apaixonada por Aaron por uma ou duas semanas no inverno, mas tinha se
passado tempo suficiente para que agora pudesse lidar com o fato de v-la apenas como
amigo. E Blair estava certa Vanessa e Aaron eram mesmo perfeitos um para o outro.
- Legal - disse ela  amiga graciosamente, embora na verdade achasse que Stan 5 era um
babaca rematado.
O interfone tocou e Blair e Vanessa saltaram do lugar e correram  janela para ver a rua.
Aaron Rose e Stanford Parris V estavam parados na calada, cada um deles olhando
dubiamente para o apartamento do segundo andar.
- Ai, meu Deus, ele est aqui! - as duas inslitas companheiras de apartamento gritaram em
unssono.
De repente Serena se sentiu a bab de uma festinha de dormir do primrio. Ela revirou os
olhos.
- Vocs querem que eu atenda  porta para que possam ajeitar o cabelo ou coisa assim? -
ofereceu-se, de brincadeira.
- Quero, por favor! - gritou Blair. Ela pegou o brao de Vanessa e a arrastou para o
banheiro.
Serena mastigou um pedao de gelo e apertou play no aparelho de CD de Vanessa enquanto
esperava que os meninos subissem a escada. Comeou a msica "Sorvete", dos Raves, e ela
rapidamente escolheu o disco seguinte - um dos discos alemes esquisitos de Ruby.
Algum bateu na porta e ela correu para atender. Agora, se eles pudessem evitar o tema da
universidade pelo resto da noite...
No era provvel.

como isolar sua irm e perder seu emprego
Dan ficaria perfeitamente feliz comendo sushi com Monique e vendo um filme francs
antigo no cinema cult na rua 12. Mas Monique insistiu que eles podiam entrar na festa de
Damian sem serem percebidos, roubar uma garrafa de champanhe e alguns charutos e
depois escapulir por uma das sadas de incndio e fazer a festa deles.
A Bedford Street era exatamente o tipo de bairro do West Village bercool e exclusivo em
que Dan se imaginava morando quando se tornasse um astro do rock absurdamente famoso,
e era extremamente legal andar pela rua de braos dados com a linda Monique. Ela usava
um vestido de vero de seda branca na altura do tornozelo totalmente transparente e
sandlias brancas. E ele estava com as calas de veludo cotel preferidas cor de ferrugem e
uma camiseta preta macia. Ele achou que os dois ficavam muito bem juntos.
Imagino que ningum tenha dito a ele sobre a parada do branco.
A porta para a casa de Damian estava aberta, e o cheiro de camaro tailands vagava para
fora. Antes que chegassem ao alto da escada branca de mrmore, Dan ouviu distintamente
a voz da irm, Jenny. E ela no estava falando - estava cantando.
Parabns para mim, parabns para mim!
Dan soltou a mo de Monique e pestanejou na brancura reluzente. Seus dedos tremeram e
as palmas comearam a transpirar. Toda a casa de Damian era branca, branca, branca. At
os outros convidados da festa estavam de branco. Certamente, era bacana. Ele s queria que
algum tivesse contado a ele.
A voz de Jenny continuou a berrar do sistema de som.
Parabns para mim, parabns para mim!
- Oi - disse Dan inquieto. Ele foi at onde Jenny estava sentada no sof branco, a bunda no
colo de Lloyd e a barriga da perna apoiada nos joelhos de Damian. - O que t rolando?
Papai me disse que voc ia passar o fim de semana na casa de campo de Elise.
Jenny riu, obviamente enfeitiada com sua prpria esperteza.
- A Elise est mesmo na casa de campo. - Ela riu e se encostou no peito de Lloyd. - Mas eu
estou aqui. O papai  totalmente crdulo.
Dan no gostava da idia de Jenny mentir para o pai.  claro que ele tinha sua parcela de
inverdades inofensivas, mas as irms mais novas deviam ser puras, inocentes e sinceras, e
no mentirosas que se sentavam no colo de caras mais velhos, dando mole para eles,
vestidas de camisetas brancas e transparentes e a cueca samba-cano de um homem
qualquer. Ele teria escrito um poema sobre como a irm o lembrava de Oflia, s que ele
estava puto demais.
- Com eses peitos, voc deve se livrrar at de homicdio! - Monique apontou para os peites
mal cobertos de Jenny.
As mos de Dan agora tremiam incontrolavelmente. Ele pegou um mao de Camels no
bolso traseiro da cala e enfiou um na boca.
- Eu nem sei o que voc est fazendo aqui  grasnou ele para a irm com o cigarro apagado
entre os dentes.  Esta  a minha banda - acrescentou ele, demonstrando uma completa
imaturidade.
Damian ergueu as sobrancelhas louro-arruivadas perfeitamente arqueadas.
- Na verdade, agora a Jenny est cantando com a gente.
Dan esperou que Damian explodisse numa gargalhada e dissesse que estava brincando, mas
Damian continuava com a cara sria.
- O papai sempre disse que eu precisava de um emprego para sustentar meus hbitos
consumistas  disse Jenny animada, a cara reluzindo de empolgao e cheia de covinhas
adorveis.
- E ns conclumos que precisamos de um som mais suave - acrescentou Lloyd, afagando o
cabelo crespo de Jenny. -  claro que ainda vamos usar suas msicas. S que na voz de
Jenny.
Excusez-moi?
Dan acendeu o cigarro com o Bic verde nen e atirou o isqueiro no sof branco por pura
rebeldia. O modo como Damian estava segurando os ps descalos de Jenny enquanto no
usava uma camisa no peito msculo bem desenvolvido o enfurecia totalmente.
Damian olhou para Monique.
- Pensei que fosse voltar para St. Barts, benzinho.
Monique sorriu.
- Bom, eu andei tentando convencer Dan a ir comigo, mas ele diz que tem que terminar a
escola prrimeirro.  Ela revirou os olhos. - Que chato.
- Serena van der Woodsen esteve aqui  disse Jenny ao irmo. - Mas foi embora. No que
voc ligue para isso.
- E ela  mais bonita do que voc, Monique  acrescentou Lloyd de uma forma cretina. Ele
apertou a cintura de Jenny. - Mas no to linda quanto voc, meu bolinho.
Dan tragou furiosamente o cigarro, tentando desesperadamente no perder a cabea. Teria
sido legal ver Serena, mas ele meio que tinha outras coisas em mente.
- Er, Damian, posso falar com voc um minuto?  perguntou ele entre dentes trincados.
- Oi, oi, querrido! - gritou Monique para algum do outro lado da sala e se afastou de Dan
para asfixiar um careca de macaco branco parecido com Moby com seus beijos molhados
com cheiro de pinho.
Dan esperou que Damian tirasse as mos dos ps de Jenny, se levantasse, vestisse uma
camisa e falasse com ele em particular, como um homem.
Ento t.
Mas Damian ficou onde estava.
- Qualquer coisa que precisar dizer pode ser dita na frente de Lloyd e de sua irm mais
velha. Somos todos uma famlia, n?
Irm mais velha?
A mo livre de Dan se fechou em um punho suarento.
- A Jenny no  minha irm mais velha - sibilou ele. -Vou fazer 18 daqui a duas semanas.
Ela vai fazer 15 em julho.
- Muito obrigada! - reclamou Jenny.
Os olhos de Damian e Lloyd saltaram um pouco, mas eles no disseram nada. Depois
Lloyd abriu um sorriso.
- Bom, pelo menos ela no  casada.
Damian deu uma cotovelada nas costelas dele.
- Vou cuidar disso. - Ele pegou uma garrafInha de Stoli do bolso de trs e tomou um gole.
O cabelo louro-arruivado estava mais curto do que apenas h uma semana, e cortado com
mais estilo.
Talvez porque tivesse sido cortado por Sally Hershberger ontem?
- Dan - continuou Damian. - Voc foi um vocalista de merda no sbado passado. E voc
vomitou praticamente no palco. Depois ficou com a minha mulher.
Mulher?
O estmago de Dan desabou. Monique nunca disse nada sobre ser mulher de algum. Ele
teve um impulso repentino de tomar um banho frio muito longo.
- Estamos meio separados - esclareceu Damian.
Ah, bom, isso  um alvio.
- Eu respeito suas letras, t? - disse Damian solenemente. - Mas no estou sentindo o amor.
Dan desviou os olhos para os outros convidados da festa - vises de frieza e sofisticao,
usando roupas de grife, bebendo satisfeitos seus martnis com ovo e comendo shu mai de
camaro e macarro de arroz, o cabelo to brilhante e cortado por Sally Hershberger quanto
o de Damian. Dan usava veludo cotel da Old Navy e cortou o cabelo no Supercuts h um
ano. Ele gostava de caf instantneo e cachorro-quente comprado na rua. Ele gostava de ir
para casa  tarde e rir do noticirio local com o pai. O quarto dele tinha carpete marrom de
uma parede  outra, que ele na verdade meio que gostava. Ele s tinha dois pares de
sapatos. Ele nunca quis ser um astro do rock.
- Vem, Jenny, vamos para casa. - Ele estendeu a mo sinistra para a irm mais nova.
Jenny olhou para ele. Ser que ele estava maluco? Os caras dos Raves nem ligavam que ela
s tivesse 14 anos. Ela definitivamente ia ficar.
- Voc vai para casa - desafiou ela.
Dan acenou a mo suada para ela.
- Podemos pegar um txi. Eu pago.
Jenny se encolheu, afastando-se dele, as costas apertadas no peito de Lloyd.
- Por favor, no seja idiota, Dan - pediu ela, dispensando-o. - E no diga nada ao papai.
Cuido dele sozinha.
- Legal. - Dan enfiou as mos nos bolsos. Ele tinha a sensao de que Jenny meio que
queria ter problemas com o pai deles, mas ele no ia dizer a ela. Ela estava se saindo bem
sozinha no departamento de encrencas. - Se acha que vou te dar qualquer um dos meus
poemas, pode esquecer.
Damian ergueu as sobrancelhas, Lloyd revirou os olhos, e Jenny chutou o sof branco com
os ps descalos - como se todos estivessem totalmente entediados com a pequena tirada de
Dan. Do outro lado da sala, Monique estava comendo macarro direto da travessa com dois
hashis laqueados de marfim. Uma garota de jaqueta bolero branca bordada, que parecia um
pouco com a Chloe Sevigny,tranava os cabelos longos e cor de mel de Monique enquanto
ela comia.
- Diga a sua mulher que eu disse adeus - grunhiu Dan para Damian. Ele hesitou, dando a
Jenny a ltima chance de sair com ele, mas ela se virou no colo de Lloyd de forma a dar
as costas para ele.
- Tchau, Dan - disse ela, parecendo que estava louca para que ele fosse embora.
Dan desceu a escada de mrmore e foi para a Bedford Street, sem saber se ria ou chorava.
Era meio um alvio saber que nunca teria que cantar num palco de novo. Ele podia ir para a
faculdade, ser um cara normal, ter uma namorada normal e uma vida normal.
O que quer que isso significasse.

verdade ou conseqncia

Blair continuava no banheiro, preparando-se para fazer sua entrada, deixando Vanessa para
trs, perto da cozinha, como uma garotinha tmida de 13 anos enquanto Serena atendia 
porta. Vanessa se sentia uma pateta completa com o brilho labial superbrilhante de Blair e
uma cala Levis preta stretch que ela parara de usar h um ano porque conclura que era
apertada demais. Na verdade, ela se sentia uma pateta total e ponto final. Aaron
provavelmente seria um esnobe completo que a acharia uma careca gorda e esquisita, assim
como Blair sempre achou antes de perder ojuzo e decidir se mudar para a casa dela.
- Oi. - Aaron entrou no apartamento e deu um beijo no rosto de Serena. -Voc tambm
mora aqui? - Ele vestia uma camiseta laranja de cnhamo, as calas militares de sempre e
chinelos de borracha pretos ecologicamente corretos. Tinha prendido as trancinhas para trs
com dois grampos turquesa em forma de corao que roubara do banheiro de Blair,
obviamente tentando medir a tolerncia de Vanessa com pirados por vegetarianismo dando
a impresso de ser o maior de todos eles.
Serena ficou aliviada em descobrir que ela realmente o havia superado.
- Ah, no. S estou aqui para abrir a porta.
Stan 5 assomou todo louro no corredor, portando duas caixas grandes de pizza nos braos,
parecendo um modelo de escola preparatria com um terno cqui Hugo Boss, uma camisa
rosa Brooks Brothers e gravata Turnbull & Asser listrada de verde e rosa.
- O entregador estava l embaixo - disse ele, parecendo confuso. - Sem dvida aqui 
diferente  acrescentou ele, deixando bem claro que nunca esteve no Brooklyn a vida toda.
- Oi de novo - disse Serena. - Acho que os dois j se conhecem. - Ela pegou as pizzas e as
levou para a cozinha. Stan 5 adejou ao lado de Aaron, os olhos varrendo o pequeno
apartamento em busca da garota que o havia convidado.
Estimulada pela viso do ridculo cabelo de Aaron, Vanessa se aventurou a dar alguns
passos.
- Oi! - Ela os cumprimentou, querendo no parecer to animadinha e imbecil. - Meu nome 
Vanessa.
Aaron sorriu e ela imediatamente gostou dos lbios vermelhos dele e do modo como os
olhos escuros e quase pretos brilhavam como velas. Ele se aproximou e apertou a mo dela.
Ele era magro e um pouco mais alto do que ela. Talvez 1,72m - a mesma altura de Dan -,
mas Aaron parecia maior, mais atltico. Ele apontou para os ps dela.
- Ei, esses so os sapatos da Blair, no so? Uma vez meu cachorro tentou comer esses
sapatos no caf-da-manh.
- Ela no deve ter percebido. Ela tem uns 800 pares observou Vanessa.
Eles deram uma gargalhada e sorriram um para o outro. Uma sociedade de admirao
mtua.
Serena estava prestes a sair e arrastar Blair para fora do banheiro quando ela reapareceu em
uma nuvem de perfume Carolina Herrera, os clios recm-curvados, o cabelo repartido e a
cara empoada de bronzeador faiscante num tom rosado. Ela ainda estava com a mesma
camiseta preta, mas tinha vestido um suti diferente e agora o peito mais parecia tamanho
M do que P.
- Quem quer beber alguma coisa? - perguntou ela, sorrindo timidamente para Stan 5.
- Eu adoraria - respondeu Stan 5. Ele se aproximou e deu um beijo no rosto dela. Ele era
mais alto do que ela se lembrava, e mais formal. Mas ele tinha cheiro de Polo for Men, um
dos favoritos de Blair.
Blair bateu as pestanas curvadas para ele. Eu vou seduzir voc esta noite, disse-lhe em
silncio.
Serena no conseguia entender como todo mundo ficou to estranho. Alm disso, eram
quase dez da noite - j passara muito da hora de seu jantar. Ela abriu a tampa de uma das
caixas de pizza.
- Se importam se a gente comer agora? Estou faminta.
Vanessa e Aaron pegaram uma fatia da pizza vegetariana e um rum com Coca e se
sentaram  mesa. Blair reps seu drinque e deslizou uma fatia de pepperoni para o prato,
pensando que ia precisar de energia. Stan 5 pegou duas fatias de pepperoni - obviamente ele
tambm achava que ia precisar dessa energia. E Serena pegou uma de cada, porque sempre
foi comilona.
- Por que no fazemos um jogo ou coisa assim?  sugeriu ela depois que eles se sentaram
em volta da mesa. Normalmente ela no teria ligado, mas agora ela faria qualquer coisa
para evitar que eles ficassem sorrindo um para o outro daquele jeito to... mongol.
Blair deu uma dentada enorme na pizza e a engoliu com um gole de vodca com tnica.
- ! - concordou ela, praticamente gritando.  Verdade ou conseqncia!
Serena futucou a pizza. Desde que ela ficasse com as conseqncias do jogo, tudo bem.
Aaron dobrou sua fatia de pizza na metade e deu duas dentadas enormes. Vanessa gostou
do modo como as orelhas lindinhas dele se mexiam quando ele mastigava.
- Vou comear - apresentou-se ela, limpando a boca num guardanapo de papel. -
Conseqncia.
Blair apontou a pizza para ele. Rodelas grandes de pepperoni se assentavam por cima do
queijo gorduroso.
- Essa  fcil. Eu te desafio a comer isso.
Aaron revirou os olhos.
- De jeito nenhum. Verdade, ento.
Blair tentou pensar em uma boa pergunta para fazer a ele, mas Vanessa foi mais rpida.
- Voc acredita em amor  primeira vista? - Ela mantinha os olhos na pizza, escolhendo as
florezinhas verdes de um pedao de brcolis para no corar de vergonha por fazer uma
pergunta to totalmente brega como essa.
A perna de Aaron pareceu vagar um pouco na direo dela at que o joelho de sua cala
militar roou muito levemente os jeans de Vanessa. Ele levantou o resto da pizza e a baixou
novamente sem dar uma mordida.
- Mas  claro que sim - declarou ele, os lbios vermelhos e finos se abrindo num sorriso
largo com seus dentes brancos e retos. - E exatamente neste momento.
Blair cutucou o p de Vanessa por baixo da mesa e toda a cabea de Vanessa ficou da cor
do uniforme marrom de l da Constance Billard.
- Eu te disse - falou Blair, fez com a boca num deleite silencioso. Ela pegou um pedao de
pepperoni de sua fatia e o colocou na boca.
- Agora sou eu. Conseqncia.
Todo mundo tentou pensar em uma das boas. O problema das conseqncias era que elas
sempre eram uma coisa boba. As verdades eram sempre mais interessantes.
No necessariamente.
- Eu te desafio a me beijar - disse Stan 5 em voz baixa, empurrando a cadeira para dar
acesso a Blair. - Por cinco minutos.
Mas que coisa mais de oitava srie.
- Tudo bem. - Blair se levantou e empurrou o cabelo para trs das orelhas. Ser que ele
pensava que ela no ia beij-lo a no ser que ele a desafiasse? Bom, mais tarde ela
pretendia fazer muito mais do que isso. Ela se empoleirou no joelho dele e passou os braos
pelo pescoo de Stan 5. Uma gota de molho de pizza tinha ficado no canto da boca dele, e
porque Blair havia bebido meio demais e comido a pizza meio rpido demais, a viso da
gota a fez recuar. Ela fechou os olhos e sentiu o cheiro de Polo for Men.
- Algum comece a cronometrar - orientou ela.
Ela colocou a boca na dele, tentando relaxar e entrar na onda, mas era difcil, em especial
diante de uma platia. A boca de Stan 5 era salgada, desconhecida e estranhamente
molhada. Ela estava prestes a se afastar, s para tomar flego, quando se lembrou da vez
em que ela e Nate estavam em uma competio de beijo em uma festa na casa de Serena no
final da oitava srie. Eles foram para o closet de Serena, e Serena ficou do lado de fora e
cronometrou enquanto eles se agarravam. Durou 47 minutos, mas a verdade era que eles
no estavam realmente se beijando o tempo todo. Eles estavam sussurrando com tanta
suavidade com os lbios unidos que era quase como se estivessem se beijando enquanto
conversavam, e vice-versa. O que era verdadeiramente mais romntico.
- Tempo esgotado - disse Aaron.
Blair se afastou de Stan 5. Pensar em Nate enquanto o estava beijando fez com que os
lbios dele tivessem um gosto muito melhor.
- Eu podia ter ficado mais tempo - declarou ela, escorregando do colo dele. Ela se sentou
em sua cadeira e secou o copo de bebida. - Voc  o prximo - disse ela a Stan 5. Verdade
ou conseqncia.
- Verdade.
Blair tentou pensar em alguma coisa picante para perguntar a ele, mas s o conhecia no
contexto de Yale.
- Se seu av no fosse do conselho de Yale, voc teria ido para outra universidade?
Stan 5 deu um pigarro e afrouxou a gravata de listras verdes e rosa. O pescoo dele ficou
vermelho.
- A verdade? - perguntou ele. Ele olhou para Blair e passou a mo no rosto. - No vou para
Yale - disse ele em voz baixa. - Eu no entrei.
Ningum disse nada. Blair sentiu a bile subir pela garganta. Ela empurrou a cadeira para
trs e se lanou pela sala a caminho do banheiro.
Serena deu o sorriso frio de foda-se de sua me para Stanford Parris V.
- Eu te desafio a ir embora agora - disse ela com simpatia.
Stan 5 deu de ombros, como se no achasse aquilo grande coisa.
- Ela vai ficar bem?
At parece que ele realmente ligava.
- Ela vai ficar tima - garantiu-lhe Serena.
- Tem um ponto de txi ali na esquina - informou-o Vanessa, tonta demais para entender o
que estava rolando.
Stan 5 se levantou e apertou a gravata. Serena o acompanhou at a porta.
- Obrigada pela pizza - disse ela de forma pouco convincente antes de se afastar.
Os dedos de Vanessa e Aaron se tocaram embaixo da mesa.
- Verdade ou conseqncia? - sussurrou ela.
- Verdade - respondeu Aaron.
- Acha que devo deixar meu cabelo crescer?
Aaron se curvou e deu um beijo rpido na boca de Vanessa.
- De jeito nenhum.
Serena foi ver como estava Blair, esperando encontr-la de joelhos diante da privada, onde
a encontrou inumerveis vezes. Em vez disso, Blair estava esparramada nua na banheira,
coberta de bolhas verdes Vitabath, uma toalha molhada dobrada sobre os olhos, parecendo
uma rainha do teatro esgotada.
- No sei no que eu estava pensando - gemeu Blair, virando a cabea para Serena. Ela
estava to irritada com Nate e queria tanto ir para Yale, e Stan 5 dera a impresso de que
ela no teria com que se preocupar...
Serena tirou os sapatos e enrolou os jeans. Depois sentou-se na beira da banheira e
mergulhou os ps na gua.
- Nem eu. - Ela passou as unhas com esmalte rosa por baixo,das bolhas, desafiando a si
mesma a contar a Blair sobre o ingresso em Yale no ano seguinte.
Blair estendeu a mo cegamente e estourou uma bolha grande no rosto de Serena.
- Eu te desafio a entrar aqui comigo.
Serena riu e comeou a desabotoar os jeans. Elas podiam conversar sobre Yale em outra
hora.
Na sala, as coisas estavam igualmente quentes.
-  isso o que a gente deve fazer quando est prestes a se formar no ensino mdio? -
perguntou Vanessa, ajudando Aaron a tirar a camiseta laranja e fina. Ela o beijou do
pescoo at os lbios finos que ela amou no momento em que viu.
- Quer dizer fazer amizade com a garota mais cretina e mais consumista da turma e depois
se agarrar com o meio-irmo dela? - respondeu ele com franqueza, depois riu. No sei bem.
- Ele passou o dedo pelo restolho de cabelo no alto da cabea de Vanessa. - Acho que a essa
altura estamos todos prontos para experimentar coisas novas.
Imagino que sim!

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

NASCE UMA ESTRELA E ELA NO D A MNIMA

Lembra de alguns meses atrs, quando uma certa cineasta gnio de cabea raspada do
Brooklyn ganhou o concurso de cinema da escola dela? O prmio era uma viagem ao
Festival de Cinema de Cannes para competir pelo prmio de Cineasta Revelao. Qualquer
garota normal teria sado pra comprar o vestido certo, os sapatos certos, fazer o corte de
cabelo certo, conseguir o acompanhante certo, assim que descobrisse que tinha vencido. Ela
estaria contando os dias que faltavam para ir. Ganhar o prmio seria como ser rainha por
um dia. Mas a nossa amiga cineasta-gnio nem liga. Ela deixou toda a coisa para l, e o
mestre de cerimnias do festival e cineasta independente Ken Mogul teve que receber o
prmio em nome dela, chamando-a de "a voz mais original no cinema
desde Charlie Chaplin". No era necessariamente um elogio, uma vez que Charlie Chaplin
fez filmes mudos. Ainda assim, no  todo dia que milhares de celebridades com roupas
fabulosas ficam de p para te aplaudir. A maioria de ns queria estar l. Uma coisa  certa,
ela no est nem a para as roupas e a fama - uma coisa impossvel de entender!

AGORA, SOBRE O FILME DELA...
Lembra do ms passado, quando a mesma cineasta de cabea raspada andou pelo parque,
entrevistando qualquer um do terceiro ano que estivesse disposto a falar sobre para quais
universidades tinha entrado ou no e como a vida deles era um saco ou no era um saco?
Bom, adivinha que filme ganhou o prmio de Revelao em Cannes?Algum de ns se
atreveria a mostrar a cara na Frana de novo?

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu estava na lista de espera de Yale e recebi uma carta deles hoje de manh. Uma carta de
rejeio. Soube que ningum saiu da lista de espera porque todo mundo que se candidatou
acabou se matriculando. Que pssimo para mim.
- dum-dum

R: Cara dum-dum,
Voc no  uma dum-dum por no ter entrado. Sua conselheira acadmica no teria
deixado voc se candidatar se no achasse que voc tinha uma chance. Conheo um
monte de gente loucamente inteligente que no conseguiu, e alguns dum-duns que
entraram. De qualquer forma, isso significa que todo mundo que estava na lista de espera
ter uma resposta esta semana? Imagino que vamos descobrir logo...
-GG

P: Querida GG,
Por favor, me diga como conquistar o corao do cara que eu amo. Ele est deprimido
porque o pai dele no o deixa sair de casa, porque ele est sendo castigado por um crime.
Mas eu o amo e preciso v-lo, ou vou morrer.
 - tristesse

R: Cara tristesse,
Pelo que soube, seu primeiro idioma no  o meu. Me deixa colocar em termos simples:
talvez o cara em questo no esteja na sua como voc est na dele, n 'est ce pas?
-GG

Flagras

B e S no Five and Dime em Williamsburgh em uma noite de cinema, bebendo cosmos e
dublando Audrey Hepburn em Charada. V e A no salo Mousy Brown em
Williamsburgh. No me diga que ele vai raspar a cabea para combinar com a dela! K e I
fazendo placas laminadas de PROIBIDA A ENTRADA DE MENINOS em um Kinko's do
Upper East Side. Que tolinhas, elas no sabem que esto procurando encrenca? Uma
francesa de cabelo escuro num poncho Prada de franjas e mocassins Fendi subindo pelas
paredes da casa de N no East Side. Ele sem dvida tem uma tendncia a atrair malucas. J e
o resto dos Raves, no teto da casado vocalista, cantando aos berros no meio da noite- da
noite de sbado, quer dizer. Adivinha quem passou o fim de semana todo numa festa na
casa de um certo astro do rock? Agora a est uma garota que nasceu para a fama. Ser que
ela est mesmo tentando colocar a cara nos jornais, ou isso  natural nela?
Agora temos assunto para conversar na escola na segunda-feira - como se nos faltasse
alguma coisa para falar!

P.S.: Na noite de quinta-feira acontecer o h muito aguardado Cruzeiro Beneficente dos
Archibald para os Hamptons. No se esquea de levar seu colete salva-vidas com o
monograma da LouisVuitton!

Pra voc que me ama,
gossip girl

um crebro  uma coisa terrvel

Na tera de manh, enquanto Jenny estava passando delineador preto Chanel nas
sobrancelhas para dar um efeito esfumaado de quem no dormiu que combinava
perfeitamente com os novos e enormes culos de sol Gucci cor-de-rosa que daria inveja a
todo o primeiro ano da Constance Billard, seu pai bateu na porta e anunciou:
- Hoje voc no vai  escola, menina.
Jenny baixou o delineador e abriu a porta.
- Como assim? Por que no?
Rufus usava um bon dos Mets tamanho infantil que comprou para Dan quando o filho
tinha 8 anos. Parecia um solidu em cima de um ninho de cabelo grisalho rebelde. Ele
tambm estava usando calas de algodo listradas de azul e branco com elstico na cintura
que pareciam exatamente calas de pijama.
- A Sra. M e eu tivemos uma conversinha ontem  noite - disse Rufus a ela.
Epa.
Jenny puxou o uniforme listrado supercurto da escola.
- Como assim? - perguntou ela inocentemente, embora soubesse muito bem o que viria pela
frente.
Rufus ignorou a cena de Srta. Eu-no-fiz-nada de Jenny.
- Ela praticamente fez uma ameaa. Ou voc repete o primeiro ano, ou no ano que vem vai
ter que ir para outra escola.
Jenny resistiu ao impulso de se atirar ao pai e sufoc-lo num abrao de urso. Ela ia para um
colgio interno! Estava mesmo acontecendo!
No to rpido, mocinha.

- Eu no venho para c - insistiu Jenny antes que o txi sequer parasse.
- Isso  o que voc pensa - grunhiu o pai dela. Ele pagou a corrida e abriu a porta. - Vinde,
Vossa Azedumeza. Vamos dar uma olhada.
Eles encostaram diante do Sloan Center for Bright Minds, uma escola hippie experimental
em um prdio largo de trs andares que parecia um tdio em Flushing, no Queens. Ficava a
quilmetros de distncia de Manhattan e no era nada parecido com os prdios de tijolos
aparentes do internato dos sonhos de Jenny. No caminho, Rufus passou um folheto do
Sloan Center para ela, que deu uma olhada. No havia cdigo de vestimenta, o almoo era
orgnico e vegetariano, todos os alunos tinham cabelos sebosos e acne e nenhuma das
professoras usava terninho Chanel. Em outras palavras, Jenny j
odiava.
Uma placa gigantesca de paz os recebeu enquanto eles passavam pelas portas de carvalho
natural cultivado biodinamicamente da escola. A placa de paz estava pendurada no teto da
entrada, girando sem parar na brisa criada pela roda d'gua construda por um aluno ao p
da escada. gua pura de primavera caa em cascata de um canal de bambu no meio da
escada, alimentando a roda.
- Nosso alunos mais velhos construram a roda d'gua no inverno passado  explicou
Calliope Trask, a diretora da escola, no incio da visita dos dois. - Em janeiro de todo ano,
temos o que chamamos de Trabalho de Inverno. No  nada acadmico e os alunos se
concentram em construir alguma coisa funcional com as prprias mos. No ano anterior,
fizemos um viveiro de galinhas com vinte animais, bem aqui na nossa academia de
ginstica. Tivemos tantos ovos que fizemos uma liquidao de ovos e levantamos o
dinheiro para comprar tapetes de cnhamo para a soneca de nossos pr-escolares!
Que mximo!
O cabelo de Calliope Trask caa numa trana grisalha at o traseiro e ela usava um vestido
de linho amarelo-mostarda Eileen Fisher que fazia maravilhas por seus plos pretos nos
sovacos. As pernas tambm no estavam raspadas, e plos pretos e eriados da perna se
prendiam entre as tiras no tornozelo dos sapatos Earth de lona bege.
- Esses culos de sol so maravilhosos. - Ela apontou para os enormes culos Gucci cor-de-
rosa que escondiam os olhos castanhos de Jenny. - Mas na Bright Minds no permitimos
etiquetas de grife, nem logotipos em roupas, nem qualquer tipo de acessrio.
Antes que Jenny pudesse sequer dizer, "Que porra  essa?", Rufus tinha tirado os culos da
cara dela e os enfiado no bolso do casaco cinza de moletom.
- Assim est melhor.-Agora podemos ver seu lindo rosto - exclamou Calliope, enquanto
Jenny a encarava com dio.
Ela seguiu Calliope e o pai pela escada, tentada a dizer aos dois para pegar os tapetes de
cnhamo do Sloan Center for Bright Minds e fum-los enquanto ela fugia para a Repblica
Tcheca para morar com a me maluca, egosta e negligente. Os Raves podiam fazer uma
turn pela Europa Oriental e ela podia comprar todos os Gucci que quisesse por metade do
preo no mercado negro.
Eles chegaram ao segundo andar e Calliope abriu a porta para uma das salas de aula.
- Nossas turmas tm alunos de idades variadas e so divididas em "pacotes" com o nome de
espcies ameaadas das Galpagos. Jennifer, voc est em um dos pacotes de 13 a 15
anos. Vou lev-la  rea onde o pacote da Tartaruga-gigante est reunido para o trabalho
desta manh e depois deixar que sua monitora assuma.
O cho da sala de aula era coberto de areia, as paredes eram revestidas de varas de bambu e
o teto tinha folhas de palmeira. NO FUME estava escrito em uma placa enorme pintada 
mo, no alto.
Jenny nunca foi muito de fumar, mas estava morrendo de vontade de acender um
cigarro.Ela puxou o cardig branco Miss Sixty e revelou um lindo crocodilo Lacoste
marchando pelo peito esquerdo da nova blusa rosa, dada a ela por Lloyd Collins, dos
Raves.Qualquer coisa para evitar se tomar uma Tartaruga-gigante.
- Hakuna matata, Srta. Calliope - uma menina gorducha que vestia o que parecia um biquni
de pele de cabra os recebeu.
- Hakuna matata, Cherisse - respondeu Calliope com um sorriso. - O pacote da Tartaruga-
gigante est explorando a Nambia, na frica, esta semana - disse ela a Jenny e Rufus,
como se isso explicasse tudo. Jenny olhou o resto das Tartarugas-gigantes  cinco meninas
gorduchas de cabelo seboso e dentes tortos e trs meninos magrelos cheios de espinhas e de
culos - todos vestidos numa roupa de pele de cabra que podia ter estilo se tivesse sido
desenhada por Stella McCartney em vez da Hippies R Us. Estavam de p numa roda, de
mos dadas, enquanto entoavam um canto ritual da Nambia.
At Rufus ficou meio assustado.
- Vocs tm alguma informao sobre para que universidade vo os alunos formados aqui?
- perguntou ele, parecendo muito os pais das colegas de turma de Jenny na Constance
Billard. Embora nunca admitisse isso, Rufus era mortalmente srio com relao a toda a
histria de admisso na universidade e quase tinha aberto todas as cartas de aceitao de
Dan antes que ele sequer chegasse da escola. Ele podia ser um anarquista, mas acreditava
fortemente na educao formal.
Calliope franziu a testa.
- Procuramos ao mximo manter nossa escola no-competitiva. Nossos alunos so
estimulados a tirar um tempo livre e explorar o mundo. Sair da grade. Depois que concluem
o chamado deles, podem ou .no procurar por treinamento adicional.
Sei l que diabos isso significa.
- Eu soube que voc  artista. - Cherisse sorriu para Jenny com os dentes amarelos e tortos.
-Vem, vou te mostrar nosso mural.  feito inteiramente de esterco de cora. Rufus segurou
a mo de Jenny de forma protetora enquanto Cherisse os levava para um mural bizarro de
elefantes e zebras pinoteando na relva. Cherisse mergulhou a mo em uma tigela de argila
no cho e passou uma coisa marrom no dorso de um dos elefantes. Rufus balanou a
cabea, cansado, e puxou Jenny para uma mesa no canto da sala, onde se sentou. Ele
adorava a idia de uma escola alternativa, mas no fundo queria que a filha se formasse em
Berkeley ou Columbia, e no vagasse pelo mundo pintando murais com coc de alce.
Jenny se sentou de frente para ele e pegou um vidro de esmalte de unhas Chanel Vamp da
bolsa DKNY rosa.
- E a, por que estamos aqui mesmo? - perguntou ela. Ela abriu o vidro e comeou a pintar
as unhas.
Rufus ajeitou o bon de beisebol e esfregou os olhos turvos, parecendo precisar de mais
seis horas de sono e mais trs xcaras de caf.
- Olha, Jen - disse ele com sinceridade. - Voc no pode ficar transando com astros do rock
em hotis e mentir para seu pai o tempo todo. Mas quero que voc seja feliz. O que voc
quer fazer?
Jenny recolocou a tampa no vidro de esmalte e o devolveu para a bolsa. Ela sabia que o pai
no ia gostar do que ela estava prestes a dizer, porque ele no fundo adorava ter uma
casa cheia de crianas malucas para constrang-lo e enfurec-lo. Mas a nica forma de ela
desistir da carreira de tiete dos Raves era ir para uma escola fora da cidade, onde as
oportunidades de aventura eram ilimitadas. Olha s, ele mesmo disse isso: ele quer que ela
seja feliz.
Do outro lado da sala, Calliope Trask ajudava os Tartarugas-gigantes a passar esterco de
cora no mural, no estilo Jackson Pollock.
Jenny olhou para o querido pai com os olhos castanhos esperanosos, a boca vermelha
formando um corao ao murmurar nove palavras meldicas:
- Pai, posso ir para um colgio interno, por favor?

um pequeno lembrete

Caras Veteranas da Constance Billard,
Vocs no precisam ser lembradas, mas o Fim de Semana de Spa das Veteranas comea
amanh! Queramos que soubessem como estamos animadas! E para garantir que estejam
vestidas adequadamente para a viagem de barco, temos essas incrveis camisetas de manga
comprida Fim de Semana de Spa das Veteranas s para vocs na Three Dots. Agora,
lembrem-se, somos convidadas dos Archibald. Vamos tentar nos comportar como damas.
Mas assim que chegarmos  casa dos Coates - vale tudo!
Mal podemos esperar - veremos vocs amanh!

Com amor,
Suas colegas de turma, Isabel e Kati

vista area

Estava uma tarde perfeita para velejar. O sol estava quente e a brisa era fria. O cu era azul
profundo, e a gua estava tranqila. Mesinhas redondas com toalhas de seda nas cores do
Charlotte - ouro e azul - se espalhavam pelo convs, com um vaso de mrmore pesado
cheio de velas flutuantes no meio de cada uma delas. Na proa do iate, um homem de
smoking branco tocava contrabaixo, enquanto uma mulher gorda em um mumu vermelho
cantava impecavelmente msicas de Nina Simone. Os moradores dos endereos mais
elegantes do Upper East Side apertavam seus coquetis e conversavam,
vestidos na mais recente moda para frias de alta costura comprada em Cannes e St. Barts.
Atrs deles, a silhueta da cidade ficava cava vez menor  medida que seguiam para Long
Island Sound e Sag Harbor.
- E como est mesmo o seu filho? - perguntou a Sra. Bass  Sra. Archibald, as sobrancelhas
pretas finas como lminas reunidas de preocupao. Um colar de diamantes pendia pesado
do pescoo bronzeado de Cap d'Antibes enquanto o Charlotte subia e descia nas ondas, as
velas brancas ondulando.
- Eu soube que ele se meteu em problemas novamente. No so... drogas, no ? - arriscou-
se ela, ansiosa para saber da ltima fofoca.
- Nate est timo. - A me de Nate se eriou, os cantos dos lbios pintados de vermelho
virando desafiadoramente para baixo. - Est em casa, estudando - mentiu ela, recusando-se
a admitir que Nate estava de castigo por ter roubado o barco da famlia. - Chuck est
animado com a academia militar?
Misty Bass virou o resto do usque goela abaixo. Chuck tinha o prprio apartamento e ela
viajava muito ultimamente, ento a verdade era que ela no o via h algum tempo.
- Ah, sim - respondeu ela vagamente. Ela olhou em volta, procurando pelo garom de
coquetel. - Gostaria que esses copos no fossem to pequenos.
- Ah, Misty! - disse Eleanor, atirando os braos no pescoo da velha amiga. - Voc devia
ver a villa na Toscana que comprei para Cyrus. Tem um web site e tudo!
A estibordo, as filhas mais velhas dos convidados se apertavam em grupos fechados,
usando a camiseta de mangas compridas do Fim de Semana do Spa das Veteranas,
escondendo-se dos pais e fingindo que suas cocas no estavam malhadas com rum.
- Nem acredito que Nate Archibald no veio  prpria festa - reclamou Isabel Coates.
- Isso porque ns dissemos que era proibida a entrada de meninos, sua idiota - respondeu
Kati Farkas, pensando que pela primeira vez ela parecia mais inteligente do que a melhor
amiga.
- No seja ridcula - zombou Isabel. - Os meninos podem entrar no barco, s no podem
entrar na minha casa para o Fim de Semana de Spa.
D.
- Ah - respondeu Kati, como se s agora tivesse entendido.
- Mas onde ele est?
As duas meninas encararam Lexie. Ela ia  L'cole, no  Constance Billard, O que
significava que ela no foi convidada para o Fim de Semana de Spa das Veteranas. Alm
disso, todo mundo sabia que a me dela e a me de Nate foram colegas no internato
catlico na Frana e se odiavam totalmente. Ento o que  que Lexie estava fazendo a
bordo do Charlotte, vestida numa tnica Missoni de gola baixa que as duas desejavam
mas nunca encontraram, nem online, o cabelo comprido e preto em tranas feito uma
espcie de Heidi hippie francesa?
- O Nate est de castigo - Blair as informou, embora no tivesse falado com Nate desde o
encontro no Plaza. Ele no est aqui. - O Sr. Archibald era to duro,  claro que Nate
estava de castigo. Ela balanou as sandlias Prada bege de salto 9 e chupou a cereja de seu
copo vazio de coca, sentindo-se extremamente orgulhosa de si mesma por no arrancar os
olhos de Lexie, porque a verdade era que ela podia falar de Nate sem sentir falta dele.
Ah, , ento fica combinado assim.
Serena passou outra coca batizada para Blair.
- No tenho tanta certeza disso. - Ela era de opinio de que Nate nunca perderia o cruzeiro
dos pais aos Hampton mesmo que estivesse de castigo, e que ele estava escondido em
algum lugar no barco.
- O Nate no tem criatividade - contra-atacou Blair, lendo os pensamentos de Serena. - Se
estivesse aqui, ns saberamos.
- O Nate  perrfeito - grunhiu Lexie, dando um tapa no baseado. Nenhum dos adultos a
bordo pareceu perceber que ela estava ficando chapada no convs, talvez porque ela fosse
francesa e vestisse Missoni.
Blair revirou os olhos e deu as costas para a idiota francesa. Ele podia ter sido o nico cara
que ela amou na vida, mas qualquer uma que achasse Nate Archibald perfeito era uma
completa imbecil. Ela observou o meio-irmo Aaron correr pelo convs para levar mais
rum com Coca Light para Vanessa, a cabea recm-raspada para combinar com a dela.
Aaron mal conhecia Nate e definitivamente no fora convidado, mas, hoje em dia, onde
quer que Vanessa fosse, ele ia tambm. Se os dois no fossem to nada lindinhos, seriam
quase o casal mais lindinho do mundo.
De repente Serena sentiu algum puxando sua camiseta rosa do Fim de Semana de Spa.
- Oi  disse Jenny, parada na ponta dos ps para dar um beijo no rosto dela. Elise estava ao
lado e as duas usavam as camisetas do Fim de Semana de Spa das Veteranas e culos de sol
rosa Gucci combinando. - Voc no vai entregar a gente, vai?
Serena tinha de admirar a audcia de Jenny. Ela parecia especialista em ser inoportuna. Ela
ps os dedos nos lbios.
- Eu no vou entregar - prometeu ela, embora houvesse apenas quarenta meninas em toda a
turma do terceiro ano, ento  claro que algum ia perceber as duas calouras que no foram
convidadas.
Jenny sorriu e depois arrastou Elise convs abaixo para pegar uma garrafa de champanhe e
Deus sabe o que mais. Sem dvida as duas meninas iam ficar muito mais inoportunas 
medida que a noite progredisse.
- Sinceramente, eu desisto - Dan suspirou enquanto via a irm e a amiga desaparecerem em
uma agitao de rosa-chiclete. Ele tambm no tinha sido convidado, mas grudou em Jenny
para ter certeza de que ela no ia fazer nada de ilegal. Ele se apoiou na amurada e acendeu
um Camel, esperando pacientemente que Vanessa notasse a presena dele.
O cheiro familiar de fumaa de Camel vagou pelas narinas dela e Vanessa girou e viu Dan
sorrindo timidamente para ela, o cabelo desgrenhado e solto, a cala de veludo cotel
ferrugem ondulando ao vento. Era to improvvel que um deles estivesse no iate para os
Hamptons, ou que ela realmente estivesse usando a camiseta cor-de-rosa, que ela explodiu
numa gargalhada.
- O que  to engraado? - perguntou Dan. Vanessa agora parecia to feliz que ele ficou
meio triste por saber que nada tinha a ver com ele.
Aaron voltou com a bebida de Vanessa e uma cerveja para ele. Quando viu Dan e Vanessa
conversando, de imediato passou a cerveja a Dan.
- Vou pegar outra - disse aos dois, adaptando-se.
Dan no acreditou - os dois estavam com a cabea igual.
Vanessa s ficou parada ali com um sorriso bobo na cara, esperando que Aaron voltasse.
Sua felicidade era enfurecedora, at para ela.
- Desculpe - disse ela a Dan. - No sei o que est havendo comigo.
Dan tomou um gole da cerveja e apontou para a boca de Vanessa.
- Isso a  brilho labial? - perguntou ele, num misto de surpresa e diverso.
Vanessa riu.
- Nars Sticky Toffee Pudding, para ser exata. Peguei emprestado da Blair.
Eles se encararam, cada um deles esperando que o outro lanasse uma crtica sobre como a
festa era uma exibio revoltante de riqueza e futilidade. Mas a verdade era que os dois
estavam ali pelo mesmo motivo. Apesar do fato de terem passado anos tentando se
destacar, essas pessoas eram colegas deles, e apesar de todo o desprezo e desdm, eles na
verdade gostavam de estar includos na diverso.
A bola laranja que era o sol desceu para trs de um trecho horizontal de nuvem. A gua
estava verde-brilhante e lisa como vidro. Aaron voltou com sua cerveja e deu um beijo
distrado no rosto de Vanessa.
- Voc est linda - disse ele a ela em voz baixa.
Dan se perguntou se ele um dia chegou a dizer a Vanessa que ela estava linda, mas era
meio tarde demais para arrependimentos.
- Fez um bom trabalho sendo tocado para fora da banda - zombou uma irritante voz
conhecida. Chuck Bass andava na direo de Dan vindo da proa do barco, parecendo
bbado e meio marejado num estranho traje de marinheiro azul-beb de linho com as
pernas das calas enroladas at os joelhos, a macaca branca pendurada no ombro,
obviamente com pavor de cair na gua.
Chuck era to desagradvel que no tinha sentido ficar irritado com ele. Alm disso, Dan
estava superfeliz em ser um cara normal de novo em vez de um astro do rock. Ele ofereceu
a mo ao colega de turma que paparicava macacas e deu um sorriso sincero.
- Obrigado, cara.
- Os Raves j eram, cara. - assinalou Aaron. - Eu dou um disco para eles e depois eles
acabam.
-  isso a. - Chuck apertou a mo de Dan, como se eles fossem eternos amigos. - E a, para
onde vai no ano que vem afinal, filho?
Filho?
Os Raves eram uma banda de Nova York, e Dan soube que Chuck ia para a academia
militar em algum lugar ao norte de Nova Jersey. Seria bom ficar o mais distante possvel
dos dois.
- Evergreen - anunciou ele, como se sempre soubesse disso. - Fica no oeste, no estado de
Washington.
- Legal. - Chuck bocejou, j entediado com a conversa. - Algum a viu a Serena? Soube
que ela estava namorando um patrocinador de Yale de 85 anos. Que piranha.
Vanessa bufou de desgosto e deixou os meninos com seus assuntos enquanto ia procurar
Blair e Serena. Ela precisava de um tempo de mulherzinha para combinar com a camiseta
cor-de-rosa.
O resto das colegas de turma estavam espremidas perto da proa, meio ouvindo a msica
enquanto seguravam a amurada e tentavam no vomitar nas ondas espumantes de Long
Island Sound. O sol estava menos intenso agora e a brisa havia se adensado. Algumas
meninas cobriam os braos com moletons cinza azul-royal e ouro pegos emprestados com a
tripulao do Charlotte, mas a maioria dos passageiros estava alegrinha demais para sentir
frio. Atrs delas, a silhueta de Manhattan subia, descia e brilhava como um paraso de prata
em miniatura dentro de um globo de cristal Tiffany.
Serena e Blair estavam apertadas em um almofado azul e dourado na base de um dos
mastros, dividindo uma garrafa de Heineken.
- Nem acredito que estou prestes a me formar.  Serena suspirou e baixou a cabea no
ombro de Blair.
- Graas a Deus - respondeu Blair sem ser sentimental. - Eu s queria saber para que porra
eu vou no ano que vem.
Serena se sentou, perguntando-se se devia aproveitar a oportunidade para confessar a Blair
que tinha decidido ir para Yale. Mas, vendo que estavam num barco, ela no queria ser
atirada no mar.
Vanessa apareceu e baixou a cabea no colo de Blair.
- Parem de falar mal das pessoas, suas cretinas  disse ela, fechando preguiosamente os
olhos.
- Voc precisa de mais brilho labial - observou Blair. Ela pegou um Juicy Tube Lancme
do bolso da saia jeans Earl e pintou cuidadosamente toda a boca de Vanessa.
- Obrigada, mame - murmurou Vanessa, ainda de olhos fechados.
Serena riu e encostou a cabea no mastro. Que engraado que essa proximidade da
formatura de repente tenha conseguido encaixar peas irregulares que nunca ficavam bem
juntas. Talvez ela e Blair fossem para Yale e dividissem um quarto. Elas iam ser damas de
honra do casamento de Vanessa e Aaron; elas iam conhecer uns rapazes de fraternidade e
se casariam com eles, morariam na mesma quadra na Quinta Avenida, mandariam os filhos
para a mesma escola - amigas para sempre.
Mas estava faltando uma coisa. Algum que sempre foi uma pea importante do quebra-
cabeas de seu jeito adoravelmente ferrado e traidor.
- Eu queria que o Nate estivesse aqui - disse Serena.
Blair fechou o tubo de brilho labial e comeou a massagear distraidamente a testa branca de
Vanessa.
- s vezes eu me pergunto se ficamos melhor sem ele - confessou ela. Afinal, no foi o
Nate a causa de quase todas as brigas que as duas tiveram na vida?
Serena semicerrou os olhos e varreu o convs mais uma vez. Ela procurava por ele em toda
parte.
Mas ela nunca pensou em olhar para cima.
No alto, bem no alto, acima da cabea das duas, no topo do mastro, Nate estava espremido
no cesto de gvea, observando-as. Era solitrio e meio frio ali, mas ele levou seis cervejas e
alguns baseados para fazer companhia e, assim que aportassem em Sag Harbor e os pais e
os amigos dos pais tivessem debandado para suas manses nos Hamptons, ele desceria
como o Homem-Aranha e surpreenderia a todos.
Dali de cima, as camisetas cor-de-rosa das meninas pareciam quase intercambiveis. At a
garota careca podia ficar uma gata com algum cabelo. Ele acendeu um baseado novo, de
repente sobrepujado pela saudade que sentia delas, porque ele as amava - ele amava a todas
elas.

as meninas ficam doidas com uma festinha do pijama s para mulheres

No clima quente, os Hamptons tinham seu prprio cheiro de sal, couro novo, protetor solar
e dinheiro. Enormes casas modernas ocupavam grandes terrenos perto de praias de areias
brancas, flanqueadas por piscinas e Mercedes 4X4. Menininhas com biqunis Petit Bateau
seguiam de scooter para tomar sorvete na cidade. Reluzentes cavalos de exposio
galopavam elegantemente junto a cercas brancas ao longo da estrada. Como um country
clube gigantesco, os Hamptons eram o tipo de lugar onde s quem pertencia ao local
realmente pertencia.
Mas  claro que todas as nossas meninas pertenciam quele lugar.
- Contagem de cabeas! - berraram Isabel Coates e Kati Farkas enquanto as meninas do
terceiro ano da Constance Billard saam da frota de carros prateados em frente  casa de
veraneio dos pais de Isabel em Southhampton e enchiam o jardim. A casa era uma estrutura
moderna de vidro, com um andar em L, projetada por Philippe Starck, com uma praia
particular e um heliponto no teto. Na dobra do L havia um jardim contendo uma piscina de
lajotas cor-de-rosa muito iluminada e uma casa de jogos em estuque. Em torno da piscina,
quarenta espreguiadeiras de plstico branco, com uma toalha cor-de-rosa do Fim de
Semana de Spa das Veteranas no encosto de cada uma delas.Ao lado da piscina, uma tenda
branca fora armada, com uma mesa de buf coberta por uma toalha cor-de-rosa e um bar
repleto de guardanapos rosa do Fim de Semana de Spa das Veteranas. Era quase um
casamento, s que sem o casamento.
Jenny Humphrey e Elise Wells saram da fila para evitar a contagem e correram pelo jardim
at a casa de jogos.
- Ei - cochichou Rain Hoffstetter de forma estridente para Laura Salmon. Rain e Laura
estavam usando chapus de sol gigantes Kate Spade cor-de-rosa e as abas dos chapus as
faziam esbarrar uma na outra. - O que elas esto fazendo aqui?
- Quem? - perguntou Laura Salmon, semicerrando os olhos por baixo do chapu.
- Sirvam-se de coquetis e canaps! - gritou Isabel por um megafone, adorando cada
minuto de seu papel de chefe. Embora no fosse uma universidade to boa quanto
Princeton, Isabel decidira ir para a Rollins no ano seguinte com Kati para grande
consternao dos pais dela - porque a Rollins lhe oferecera o cargo de conselheira em um
dos alojamentos das calouras, e seria tarefa dela chefiar todo mundo por ali, inclusive Kati,
por todo um ano.
- Tem uma sauna na sala de jogos. S seis de cada vez, por favor - continuou ela, a boca
larga apertada no megafone. - Tem filmes na sala de cinema e a piscina est aquecida, ento
vocs podem nadar a noite toda se quiserem. Nosso caf-da-manh rico em protena e
energia ser s sete horas, e a primeira massagem facial Origins s oito, ento vamos
precisar de nosso sono de beleza. Tem colches queen size em todos os quartos. Trs por
cama, meninas - vai ser aconchegante!
O ar zumbia do som de meninas se reunindo no bar ou entrando na casa para fazer guerra
de travesseiros nas camas com lenis de seda ou explorar as bolsas de brinde Origins que
s deveriam ser abertas no dia seguinte. Algumas meninas corajosas tiraram a roupa de
baixo ou colocaram trajes de banho e dispararam da plataforma de mergulho para a piscina,
enquanto as preguiosas se reuniram na sala de cinema do Sr. Coates e se esparramaram
nas poltronas de couro marrom enquanto os crditos de abertura de O grande Gatsby, com
Robert Redford e Mia Farrow, rolavam na tela enorme.
Blair, Serena e Vanessa sentaram-se na beira da piscina com as pernas balanando na gua.
- Isso  divertido - disse Vanessa numa tentativa de ser animada. Ela se perguntou como
Serena e Blair mantinham as pernas to bronzeadas. As dela eram positivamente de
cadver, em comparao.
- Ei, vocs! - Jenny abriu a porta de vidro da casa de jogos e acenou para que elas
entrassem. Tinha tirado a roupa e vestia uma toalha, e na cabea havia um turbante de
banho branco com diamantes, uma relquia estilo Hollywood que a Sra. Coates usava na
piscina para evitar que o cabelo molhasse. - Vocs precisam ver a sauna!
Blair no estava exatamente com vontade de ficar com as duas calouras metidas a
veteranas, mas no queria desperdiar a chance de perder uns quilinhos na sauna.
- Tudo bem, mas eu uso o turbante - anunciou ela, liderando o caminho at a casa de jogos.
Ela pegou o turbante na cabea de Jenny e o colocou. Em Jenny, ele parecia ridculo, mas
em Blair era meio rgio.
S as verdadeiras divas podiam se safar com turbantes na cabea.
Jenny passou a cada uma delas uma enorme toalha branca de algodo egpcio e as meninas
se despiram completamente, todas fingindo no invejar o corpo pra l de perfeito de Serena,
mas invejando-o mesmo assim. No fundo, cada uma delas esperava descobrir uma celulite
secreta que estava escondida por baixo do uniforme em todos esses anos, mas ela era to
magra e perfeita quanto todas temiam.
- O Sr. Coates deve ser um maconheiro daqueles - disse-lhes Serena enquanto tirava a
camiseta cor-de-rosa, distrada dos olhares de todas.   por isso que agora ele s faz
dublagem para comerciais em vez de filmes. Ele fumou tanto que nem consegue se lembrar
das falas.
- Eu sei - concordou Jenny. - Olha. - Ela abriu a cabea de um inocente busto de Apolo em
mrmore e pegou um saco gigante de maconha de dentro dele.
As trs veteranas a encararam. O que aquela garotinha Jenny Humphrey estava fazendo
desatarraxando cabeas de bustos?
- No que eu queira - disse Jenny a elas com inocncia. - A Elise achou por acidente.
De repente a cabea careca de Aaron passou pela janela e as meninas gritaram, escondendo
o corpo nu nas toalhas. Ele parecia ter chegado ali a nado. As roupas estava molhadas e
havia sal incrustado no rosto.
Vanessa decidiu se esconder dele por um tempo, s para se divertir.
- Rpido, para a sauna! Agora!
Jenny abriu a porta e elas entraram. A sauna era quase do tamanho do closet de Serena,
revestida inteiramente de ladrilhos brancos, com dois degraus para que as pessoas se
sentassem. Atravs do vapor elas podiam distinguir Elise, aninhada em um degrau branco
no canto, o corpo enrolado em uma enorme toalha branca e uma longa piteira de prata com
um baseado pendurada na boca.
- Elise est ficando chapada -Jenny disse a elas.Ela se iou para o degrau inferior e passou
uma garrafa de Poland Spring para Elise. - Ela s fala que ainda est apaixonada por meu
irmo.
- No estou no. - Elise abriu a garrafa e bebeu a gua. - Na verdade, estou sim.
- Bom, ele  uma gracinha mesmo - disse Serena, com sinceridade. Ela subiu no degrau de
cima e se sentou, cruzando as pernas ridiculamente longas e perfeitas. Se Dan no levasse
tudo to a srio, ela ficaria com ele novamente, sem dvida. Pelo menos por um dia.
-  mesmo - concordou Vanessa, tomando um lugar no degrau abaixo de Serena. Ela ainda
se sentia meio possessiva com relao a Dan, apesar de eles terem terminado. Se
algum podia julgar o fator gracinha em Dan, era ela.
- Eu acho - concordou Blair, esparramando-se languidamente no degrau de baixo. Ela mal
conseguia se lembrar da cara de Dan.
Jenny subiu e se sentou ao lado de Serena, abraando os joelhos.
-  mesmo? - perguntou ela, aturdida.
De repente a porta se abriu e o prprio Dan enfiou a cabea para dentro. Levou algum
tempo at que seus olhos se acostumassem com a escurido vaporosa. Surpresa, surpresa 
o ambiente estava cheio de meninas.
- Venha, entre - resmungou Vanessa na melhor voz de filme de terror.  Estvamos
esperando por voc.
Dan sorriu timidamente e mordeu o lbio inferior. Ele estava de sunga vermelha e mais
nada, e o cabelo estava molhado. Os braos brancos estavam totalmente arrepiados.
- Minha irm est aqui?
- Estou, man, e a Elise tambm est - respondeu Jenny pelo vapor. - Ela ainda 
apaixonada por voc.
- Todas somos apaixonadas por voc - proclamou Serena.
Dan se sentou no degrau de ladrilhos brancos ao lado de uma garota deitada de bruos com
um turbante branco na cabea.
- Eu no estou apaixonada por voc - disse-lhe a garota. - Eu nem te conheo.
Bom, que alvio.
A porta se abriu de novo e Aaron enfiou a cabea para dentro.
- Nssa? - disse ele com doura, o rosto rosado todo salpicado de areia.
- Aqui - respondeu Vanessa atravs de uma nuvem de vapor. - Entre e junte-se a nossa
festinha. Mas no olhe para todas as outras meninas nuas.
Aaron andou na ponta dos ps pelos ladrilhos com a camiseta marrom de Harvard e o short
militar verde cheio de areia e se sentou no colo de Vanessa. Jenny estendeu a mo e virou o
boto para aumentar a temperatura do vapor.
Como se fosse preciso.
- Caraca. Isso  divertido mesmo - observou Serena. Ela limpou o suor do lbio superior e
se colocou de p. - Tenho que fazer xixi. Algum quer alguma coisa?
- Quero, mas no tem nada que voc possa fazer  respondeu Blair com presuno.
Ela estava tentando se convencer de que a coisa s para mulheres era tima para ela, mas
agora que havia todos esses homens por perto, seus verdadeiros sentimentos tinham vindo 
tona. Ela queria que o namorado dela aparecesse no vapor e a surpreendesse. Ele ia colocar
um anel de diamante no dedo dela, cobrir os ombros dela com um manto de cashmere
macio e a levar para seu Jaguar conversvel cinza prola para uma praia particular  luz da
lua, onde pediria perdo a ela aos beijos. No amanhecer, o veleiro dele flutuaria pela
neblina para lev-los para terras distantes, e eles passariam o resto da vida
tendo aventuras e transando. Ela queria o verdadeiro final hollywoodiano.
Da o turbante.
Serena abriu a porta da sauna. O ar frio banhou seu rosto.
- Ih, Blair, que merda - ela ouviu Aaron dizer atrs dela. - Nem acredito que esqueci. Tenho
uma coisa para voc.
E o que pode ser?

se voc estiver chapado demais para encontrar sua amada, ame aquela que estiver com
voc

A porta da sauna se fechou s suas costas, e Serena andou pela casa de jogos em busca de
um banheiro. Para uma casa de jogos, essa era bem grande. Continha uma mesa de pingue-
pongue, dois sofs de couro marfim e um aqurio com uma barracuda viva. Para no falar
da sauna e do banheiro que estava por ali em algum lugar.
Algum claramente tinha entrado na maconha do Sr. Coates, porque a cabea de Apolo
estava de lado na mesa de pingue-pongue, como uma bola de pingue-pongue gigante.
Ao lado do aqurio, havia uma porta branca com uma foto de um menininho azul e uma
menininha rosa de mos dadas em decupagem. Serena a abriu.
Dentro, o banheiro era decorado em ouro e tinha uma daquelas estranhas pias baixas que
sempre se viam nos hotis europeus, mas que ningum nunca usava.
Porque eram para lavar a bunda, isso no  to vulgar?
A cortina do boxe era feita de plstico claro decorado com estrelas douradas. Atrs dela,
sentado na banheira com o saco de maconha do Sr. Coates aninhado no colo, as roupas
molhadas de gua do mar e os olhos totalmente vermelhos e sonolentos, estava Nate
Archibald - o notoriamente desaparecido Nate. Serena puxou a cortina do boxe e entrou na
banheira, apertando a toalha no corpo.
- Natie? O que est fazendo aqui? Por que no estava no barco?
Nate sorriu como um bobo. Serena estava nua, a no ser por uma toalha branca enrolada no
torso. Era impossvel no sorrir para ela; ela parecia uma deusa grega. A testa dela estava
molhada, e o cabelo louro colado de suor, mas ela ainda era linda. Muito mais do que linda.
Ela puxou o cabelo para o alto da cabea e abanou o rosto.
- Meu Deus, como estou quente.
 claro que Nate estava pensando a mesma coisa.
- Eu no devia estar aqui - confidenciou Nate como um idiota. - A placa diz, " PROIBIDA
A ENTRADA DE MENINOS".
Serena pegou um frasco de vidro de gel de banho Clarins da beira da banheira e o
examinou. O primeiro ingrediente era aqua. Isso no significava gua?, perguntou-se ela.
Por que eles no diziam logo? Ela baixou o frasco novamente.
- Est tudo bem. O meio-irmo da Blair est aqui. E Dan Humphrey. No acho que a
poltica de no ter meninos v dar certo.
Os olhos de Nate no desgrudavam da cara dela. Pequenas gotas de gua estavam presas
nos clios louros. Meu Deus, ela era linda. Ele veio aqui para procurar a Blair, mas Serena
estava bem aqui diante dele, usando s uma toalha.
- Decidi ir para Yale no ano que vem - irrompeu Serena, tirando as mechas molhadas de
cabelo louro da cara. - No contei a Blair ainda porque no quero que ela fique chateada
caso no tenha conseguido entrar. Mas foi para onde eu decidi ir.
Nate assentiu. Era engraado como o rosto de Serena e at a voz dela eram meio delicados,
mas o corpo no era nada delicado. Era longo, sinuoso e forte, como uma corredora de
maratona.
- Tambm vou para l - disse ele meio tonto, a voz falhando. -J mandei meu depsito.
Serena sorriu.
- Vamos os dois para Yale!
Nate se curvou para ela e pegou a parte de cima de seus braos nus. Ele apertou o nariz no
cabelo longo e liso de Serena. Tinha um cheiro doce e quente, como de vero.
- Hmmm - murmurou ele, e beijou o pescoo macio e quente, sentindo a mistura de leo
essencial de patchouli exclusiva que ela sempre usava.
Ei! Alerta de mulher errada!
Serena sorriu enquanto a boca de Nate viajava do pescoo dela aos lbios.
- O que est fazendo? - murmurou ela, sem afast-lo. J se passara algum tempo desde que
eles se beijaram, e parecia legal. E claro que era meio errado, mas no era como se ela e
Nate no tivessem se beijado antes, e de certa forma saber que iam ficar juntos no ano
seguinte fazia com que tudo parecesse bem.
Ela fechou os olhos e se deixou beijar. A toalha caiu, e de certa forma a camiseta molhada
de Nate pareceu ter cado tambm.
Era o final do ano, a formatura estava se aproximando rpido - no havia nada de errado em
uns amassos comemorativos entre dois grandes amigos.
, mas e aquela outra grande amiga?

ningum faz melhor

Blair gotejava de suor e precisava desesperadamente de uma vodca com tnica. Ela agarrou
a toalha.
- O que ? - perguntou a Aaron com impacincia.
Aaron se levantou e tateou os bolsos do short militar.
- Eu peguei - explicou ele. - Pelo menos espero que ainda esteja aqui. - Ele remexeu por um
momento e depois sacou o que parecia um envelope branco molhado.
Blair fechou os olhos com fora e depois os abriu. Tinha certeza absoluta de que sabia o
que continha o envelope.
- E exatamente h quanto tempo est com ele?  perguntou ela, furiosamente, antes de
peg-lo da mo de Aaron.
Aaron deu de ombros, inocente.
- Chegou s hoje de manh.
Mesmo atravs do vapor, Blair podia ver a conhecida insgnia azul-real de Yale impressa
no canto superior esquerdo do envelope. A umidade fez com que o envelope se
desintegrasse enquanto ela tentava abri-lo com as mos trmulas e impacientes.
- Mas que merda - disse ela, e o rasgou com os dentes.
Uma nica folha de papel fina e mordida estava dobrada dentro dele. A vida dela estava na
corda-bamba h meses. Era difcil acreditar que tudo dependia disso.
Os outros esperavam em um silncio respeitoso.

Prezada Blair Waldorf,
Depois de muita reflexo, temos o prazer de lhe oferecer uma vaga na Universidade de
Yale no prximo outono...

Blair agarrou a folha de papel no peito e disparou para fora da sauna.
- Serena! - guinchou ela, disparando pela casa de jogos e indo direto para o banheiro. Ela
abriu a porta num timo, esperando ver a amiga empoleirada inocentemente na privada.
No banheiro, um enroscar de pernas lindas, conhecidas e nuas a recebeu da banheira. Nate e
Serena pestanejaram como imbecis para ela, as cabeas douradas a centmetros de
distncia.
- Estvamos comemorando - gaguejou Serena. Ela saiu da banheira, a toalha mal colocada
em volta do corpo nu, e apontou a folha de papel molhado na mo de Blair. - O que ? -
perguntou, numa tentativa desesperada de mudar de assunto.
Blair teve vontade de lavar a boca perfeitamente angelical de Serena no bid idiota dos
Coates.
- Yale me aceitou. At que enfim. - Ela semicerrou os olhos. - Como se voc ligasse.
Nate se colocou de p, cambaleando, derramando todo o saco de maconha na banheira e
arrancando a cortina do trilho enquanto tentava se equilibrar. Apesar de enfurecedor, ele
estava ainda mais lindo do que nunca. O cabelo castanho dourado estava ondulado do vento
e do ar marinho, e o rosto estava corado do sol, da maconha e de beijar Serena. E aquele
peito nu - fazia com que Blair se sentisse doente s de olhar.
- Ei, sabe de uma coisa, era disso que estvamos falando - murmurou ele, a lngua pesada
da mistura de maconha, confuso e culpa. - Eu e Serena, e agora voc tambm. Todos
vamos para Yale... Ns trs!
Iuuuupiiiii!
- Obrigada por me contar - rebateu Blair. Ela imaginara dividir uma garrafa de champanhe
comemorativa com Serena na praia particular dos Coates. Depois ela cederia e ligaria para
o celular de Nate e ele a raptaria da festa e faria um sexo louco com ela em outra praia.
Mas que imaginao a dela.
Nate ainda estava de p na banheira, os ps descalos salpicados de maconha. Ela estendeu
a mo e abriu a torneira do chuveiro ao mximo, numa chuveirada de gua fria por toda a
cabea de Nate. Depois arrancou a toalha de Serena e a enfiou debaixo do brao, batendo a
porta na cara mentirosa e traidora dos dois enquanto deixava o banheiro.
Lexique ou sei l que porra era o nome vagava pela casa de jogos naquela irritante tnica
Missoni, as tranas quicando nos peitos sem suti, assim que Blair saiu pela porta.
- Ele est a, n? Meu amor, meu Nate?
Blair arreganhou os dentes com uma satisfao maligna.
- Ah, sim. Est esperando por voc no banheiro  disse ela  putinha francesa idiota,
batendo a porta da casa de jogos s costas e seguindo direto para o bar da piscina.
Parecia haver mais homens do que mulheres debaixo da tenda. Damian, Lloyd e Marc, dos
Raves, misturavam-se com as veteranas da Constance Billard, estendendo cigarros e cpias
de seu novo single, "Irmzinha desvirtuada", com ningum menos do que Jenny Humphrey
nos vocais. As meninas tinham tirado as camisetas e estavam todas de biquni de cor pastel,
parecendo figurantes num daqueles filmes de praia de Elvis.
Chuck Bass tentava convencer Rain Hoffstetter, Laura Salmon, Kati Farkas e Isabel Coates
a se unirem a ele na academia militar.
- No importa realmente para que universidade vocs vo. O que importa  a diverso que
vo ter - Blair o ouviu dizer. - S pense em como seria incrvel se todos ns ficssemos
juntos!
Blair foi at o bar, pegou uma garrafa pela metade de Absolut e a levou para a piscina.
- Ei, nada de vidro na piscina! - gritou Isabel pelo megafone.
Blair a ignorou e subiu a escada para a plataforma de mergulho. Deixou a toalha cair e
andou at a ponta.
Uma diva nua de turbante com diamantes, agitando sua bebida preferida.
Ignorando os murmrios de choque das colegas de turma e os gritos de prazer dos homens
na tenda, Blair parou um momento para pensar. Ela e Nate obviamente tinham terminado -
de novo -, e tambm ela e Serena - de novo. Ela estava morando justamente no Brooklyn,
com Vanessa, uma careca com quem ela nem falava at uma semana atrs. E ela,
finalmente, estava em Yale.
A maior parte de sua vida tinha sido um ciclo interminvel de repeties, cheios das
mesmas pessoas, as mesmas festas e previsibilidade. At seus sonhos foram previsveis, e
ela preferia assim. Agora ela no tinha certeza do que esperar.
Ela levou a garrafa  boca e tomou um gole enorme antes de baixar a garrafa
cuidadosamente na plataforma. Depois levantou os braos como flechas, ficou na ponta dos
ps e mergulhou. Prendendo a respirao, ela imergiu na gua azul-esverdeada, deliciando-
se em silncio. Atrs dela, o turbante com diamantes boiava na superfcie.
Pensando bem no assunto, todo este ano tinha sido uma srie de altos e baixos, com mais
baixos do que altos. Mas e da que a vida dela no se transformasse no que ela imaginava
nos filmes de sua mente, e todo o elenco de apoio tenha se transformado num bando de
babacas? Ela estava prestes a mudar a filmagem para uma locao totalmente nova e podia
contratar todo um novo elenco. E ningum sabia roubar o show melhor do que Blair.
A cabea escura surgiu na superfcie com um espadanar barulhento e dramtico. Os outros
encaravam, rindo embaixo da tenda, mas Blair no lhes deu ateno. Boiando de costas, ela
entoou um versinho bobo para se animar.
- Quatro, trs, dois, um, s nove dias para eu me formar!

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

FIM DE SEMANA DE SPA DAS VETERANAS = FIM DE SEMANA DE DOENA
DAS VETERANAS

Acontece que quase todo mundo que usou a sauna, ou a piscina dos Coates ou pegou uma
toalha emprestada de algum que usou a sauna ou a piscina acordou com uma brotoeja
revoltante na cara, que coava e purgava. O pessoal do spa Origins foi mandado
imediatamente para casa, e um dermatologista srio foi chamado para controlar os danos.
Curiosamente, nossa bela banhista B no tinha uma marca no rosto. O dermatologista
explicou que ela provavelmente estava imune, mas podia ser portadora. Ainda mais
curioso, a brotoeja parecia exatamente a de um certo beb a que B havia se exposto, apesar
dos esforos da famlia para manter o beb de quarentena. Bom, pelo menos todo mundo
teve uma boa desculpa para faltar  escola na sexta-feira! E com 90% da turma de veteranas
em quarentena, a Constance Billard no teve alternativa a no ser dar toda a semana de
folga a elas.
B aproveitou a oportunidade e foi a Parisver o pai e esbarrar na me vestida de Chanel na
Margem Esquerda. Ao que parece, a me dela estava tentando comprar toda a empresa
como um presente para B por finalmente conseguir entrar para Yale. Como a empresa no
estava  venda, B se contentou com quatro saias, seis calas e trs vestidos de noite como 
sensata! V teria ido com ela, mas estava de quarentena, coitadinha. No que ela no tenha
se divertido brincando de mdico com o namorado novo. E S e N? Ele foi visto a caminho
da cobertura dela na Quinta Avenida com a desculpa de pegar emprestado o creme para
assaduras, mas pode muito bem ter curtido uma brincadeira de mdico tambm.

O QUE TODO MUNDO PODE DESEJAR ASSIM QUE A PELE FICAR LIMPA

Festas de formatura loucas em terraos.

Comprar vestidos de formatura que passem na regra de no ter decote mas no nos faa
parecer empregadinhas.

Arrumar acompanhantes para as festas de formatura que no fiquem bbados demais e
vomitem em nosso vestido novo.

Comprar o par perfeito de saltos altos brancos para usar com nossos vestido de formatura.
No altos demais - temos que marchar para a formatura por ordem de altura, e ningum
quer ser a ltima.

Fazer uma lista de desejos de presentes de formatura. Algum sabe soletrar C-A-R-R-O?

Ganhar tudo de nossa lista de desejos. Vroom, vroom, vroom!

Formatura!!!

ALGUNS NEGCIOS INACABADOS

Ser que S e N so namorados? Se no, o que exatamente eles so?

B vai voltar a falar com eles? Ela vai se vingar?

B e V vo continuar a morar juntas, agora que A est sempre por ali?

Ser que D vai continuar a ser um cara normal - mais ou menos? Ele vai conhecer uma
garota normal?

J vai para um colgio interno? Ser que vai ficar longe de problemas at chegar l?
Ser que vamos mesmo nos formar?!

Adivinha quem vai ter todas as respostas?

Pra voc que me ama,
gossip girl



                                    FIM



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